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Mercadinhos e feiras livres resistem e continuam atraindo muitos clientes

 

por Tamirys Machado

Publicada em 08/12/2014 10:39:48

Foto: Francisco Galvão 7 Portas: uma das feiras livres mais tradicionais de Salvador
Foto: Francisco Galvão
7 Portas: uma das feiras livres mais tradicionais de Salvador

Apesar do surgimento de grandes mercados na capital, as tradicionais feiras livres e mercados populares continuam resistindo ao tempo e mantendo as tradições.

Em Salvador, é fácil encontrar esses centros de comércio, principalmente domingo, dia que as pessoas aproveitam para misturar as compras com o lazer.

“Quase todo domingo é certo, venho comer um pirão de mocotó aqui na Sete Portas, e aproveito para comprar carne e tempero verde”, disse o comerciante Advaldo de Jesus.

Além dos produtos da cesta básica, os pratos típicos da culinária baiana, como feijoada, pirão de mocotó, rabada, sarapatel, têm bastante saída nesses locais. Além da Sete Portas, o Mercado do Ouro, Feira de São Joaquim, Feira do Japão, Mercado do São Miguel e Feira do Jardim Cruzeiro vivem a mesma realidade.

No Mercado de São Miguel, por exemplo, localizado na Baixa dos Sapateiros, os comerciantes reclamam da falta de estrutura do espaço, do descaso do poder público, porém aproximadamente 40 boxes continuam funcionando com a clientela fiel. “Os produtos que mais saem são bebidas, produtos de Umbanda, folhas e tempero”, disse o feirante Silvestre dos Santos, 57 anos.

O fundador do mercado, Aderivaldo de Santana, mais conhecido como Deco, admite que o local perdeu clientes ao longo do tempo, mas, conforme ele, o motivo principal é a decadência que se tornou o lugar. “Precisamos de uma reforma aqui urgente, toda a manutenção somos nós donos dos boxes que fazemos. É luz, telhado caindo aos pedaços, o espaço todo precisa de uma reforma, e entra prefeito, sai prefeito e fica tudo da forma que está. E olhe que pagamos em dias à prefeitura”, desabafou.

Conforme ele, outro fator que diminuiu o fluxo de  frequentadores foi a queda de venda da Baixa dos Sapateiros. “A nossa vendagem é a mesma da Baixa dos Sapateiros, depois que colocaram pista de mão única, prejudicou bastante a movimentação aqui no Mercado”, disse Deco. O Mercado de São Miguel foi construído nos anos 60 e teve sua época de ouro entre os anos de 1970 até 1990.

“Nessa época a gente vendia bem demais, eu mesmo estou aqui desde criança. Era comida, bebida, as barracas todas funcionando, turistas visitando, comprando artigo da Bahia, do Candomblé”, revelou o fundador do mercado. Mas ele garante que as tradições são mantidas e muitos clientes não deixam de frequentar.

“Quando os grandes mercados passaram a ganhar força, a gente perdeu espaço, mas ainda assim estamos aqui firmes, com nossas tradições, com nossos clientes fiéis. O povo gosta, fazemos nossa festa de São Miguel e de Santa Bárbara e vamos vivendo”, disse. Para a comerciante Claudete Mesquita, que há 30 anos trabalha no local, eles resistem com a ajuda dos santos padroeiros. “Estamos entregues a São Miguel e Santa Bárbara”, pontuou.

Já na Feira da Sete Portas, outro espaço tradicional da Bahia, os principais itens vendidos são folhas, carnes, frutas, camarão e produtos ligados à religião do Candomblé.

Segundo o comerciante Nilson Ferreira, que há 20 anos trabalha na Sete Portas, esses espaços têm de especial os produtos de qualidade que é difícil achar em bairros. “Acho que o preço das mercadorias não é o fator principal que mantém nossa clientela, acho que é muito mais pela qualidade de alguns produtos, como farinha que vem do interior e quem é admirador dessa iguaria procura a mais torrada, de qualidade, carne de sertão, feijão verde, camarão seco, entre outros”, disse.

Se os produtos alimentícios que os baianos gostam são de fácil acesso nesses locais, os artigos das religiões afros também são os mais procurados. “Eu venho mais para comprar produtos da minha religião que é o Candomblé, aqui sempre tem. Já tempero, prefiro comprar na Feira de São Joaquim. Aqui, em relação à comida, compro mais farinha e frutas, que na feira é sempre bom”, disse a autônoma Meire Silva, 49.

 

Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia
http://www.tribunadabahia.com.br/2014/12/08/mercadinhos-feiras-livres-resistem-continuam-atraindo-muitos-clientes

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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