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Mês da Consciência Negra: Rei da Nigéria adere a luta de brasileiros descendentes de africanos

(Mauro Viana*)
xxP035-359-256-435-76036Depois de Embu das Artes, em São Paulo, o Obaulufon Al-Maroof Adekunle Magbagbeola  conseguiu sensibilizar as autoridades estaduais do Rio de Janeiro.  No encontro com o Rei de Ifon, o Secretário de Assistência Social, João Carlos Mariano reconheceu que os brasileiros, descendentes de africanos, carecem de políticas públicas específicas.

Em sua passagem pelo Rio de Janeiro, o Rei de Ifon esteve com a Irmandade dos Homens Pretos e com Povos Tradicionais de Matriz africana a fim de tirar uma agenda única. Esta pauta de reivindicações será discutida em Brasília, no próximo dia 26.
Procissão das Águas em Embu das Artes
Antes, porém, de propor a assinatura de uma Carta de Intenções com o governo Federal, a comitiva do Rei de Ifon passou por Embu das Artes, domingo, 23 e na última segunda-feira, 24. O Rei fez pronunciamento em Carapicuíba sobre a necessidade da Consulta Prévia do reconhecimento dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.

Tanto a Convenção 169 da Organização do Trabalho – OIT – quanto à Lei 10.639 foram discutidas em Embu das Artes. Sede da Procissão das Águas, na segunda-feira, dia 24, Embu das Artes reuniu mais de 5 mil pessoas em torno deste ritual, que representa  a renovação do ciclo das Águas de Oxalá, explica a Iyá Dolores de Oyá, que completou:
“A intenção da Procissão das Águas é reafirmar o conceito de territorialidade dos  Povos Tradicionais, na medida que milenarmente é feito na África e nas Comunidades Tradicionais de etnia Iorubá. Esta tradição demarca uma territorialidade desta etnia conforme a concepção do pensador brasileiro, Milton Santos”.
Rio de Janeiro
A passagem da comitiva do Rei de Ifon pelo Rio de Janeiro recupera, na prática, o conceito de territorialidade de Milton Santos. Se não vejamos: Ele circulou pela Pequena África com a neta de Tia Ciata, Gracy Moreira, visitou o Cais do Valongo acompanhado por várias Iyalorixás como Mãe Torody, Mãe Conceição de Lissá e Penha de Iansã.

No Cemitério dos Pretos Novos, na Gamboa, participou de ritual em homenagem aos milhares de corpos de jovens africanos, ali, sepultados.

Na Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito conheceu o Museu do Negro onde se deparou com Luiz Gama, Cruz e Souza, André Rebouças e com objetos de tortura de africanos escravizados durante 400 anos em território brasileiro.

Plantas Sagradas em São Gonçalo
A Comunidade Tradicional Rumpaine Hevioso Zooriokum Mean, no bairro de Jardim de Bom Retiro – São Gonçalo – 47 Km do Centro do RJ, recebeu o Rei de Ifon para almoço com vários líderes espirituais como Gaiaku Deusimar, Ícaro de Oxossi, Marcos de Iansã, Mãe Rosangela de Ewá, Tata Edson e Oloye Marcelo Monteiro.
As religiosas e os religiosos emocionaram o Rei de Ifon ao aplaudí-lo no ritual das árvores sagradas. O Rei deixou sua marca no Terreiro de Gaiaku Deusimar através do plantio de Obi e de Orobo. Kabieci!
*Mauro Viana é jornalista e pesquisador do Comitê de Central do RJ
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