Breaking News

Mestra Maria Laurinda Adão, de Cachoeiro, dá depoimento sobre a escravidão negra para a Comissão Nacional de Verdade da Escravidão no Brasil

A Mestra é referência cultural e foi ouvida no plenário da Assembleia Legislativa representando os ativistas da causa negra e as religiões de matrizes afro-brasileiras do Sul

Lenilce Pontini | 19/08/2015 às 11h07 (Atualizado em 19/08/2015 às 11h11)   Redação Folha Vitória    
A Mestra cobra do Estado adoção de políticas afirmativas para o povo negro Foto: Divulgação/Assembleia
A Mestra cobra do Estado adoção de políticas afirmativas para o povo negro
Foto: Divulgação/Assembleia
Uma audiência pública marcou a noite de terça-feira (18) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) com a discussão do processo histórico da escravidão negra no Espírito Santo. A iniciativa foi da Comissão de Cidadania da Ales, que está apoiando os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, criada recentemente pela Ordem dos Advogados no Brasil (OAB). O Sul do Estado esteve representado pela Mestra Maria Laurinda Adão, de Cachoeiro de Itapemirim, que relatou as torturas que o escravo Adão, seu bisavô, sofria antes de fugir e fundar o quilombo de Monte Alegre, na cidade. “Ele apanhava e ficava preso ao tronco, mas ele também tinha mandinga e conseguia fugir, e, foi numa dessas fugas, que ele fundou nosso quilombo”, destacou. O objetivo da audiência, de acordo com os coordenadores do movimento, é promover um resgate histórico do processo de escravidão com a finalidade de responsabilizar o Estado brasileiro e promover reparações decorrentes das opressões, torturas, prejuízos materiais e exclusão social a que o negro foi submetido ao longo da história no Brasil. No Espírito Santo o movimento é coordenado pela Subcomissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra, instituída no âmbito da OAB/ES. Para Genildo Coelho Hautequestt Filho, gestor de projetos culturais da Associação de Folclore de Cachoeiro de Itapemirim, a Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil certamente revelará as atrocidades que foram cometidas contra o povo negro que não constam em nossos livros de história. “Ao revelar nosso passado sem filtros, nosso povo, nesse caso a Mestra Maria Laurinda Adão que aqui nos representa, poderá responsabilizar o Estado exigindo dele adoção de políticas afirmativas para nosso povo negro”, disse o gestor. O presidente da subcomissão, José Roberto de Andrade, explicou que a Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil foi proposta durante a XXII Conferência Nacional dos Advogados, realizada no Rio de Janeiro, em outubro de 2014. “Esse movimento nasce com a função de fazer o resgate histórico desse período, a aferição de responsabilidades e a demonstração da importância das ações de afirmação como meio de reparação à população negra. Queremos não apenas um resgate histórico, mas que haja reparações materiais e institucionais do Estado brasileiro às consequências negativas sofridas pelo povo negro ao longo dos séculos no Brasil”.   Exposição Maria Laurinda Adão é mãe de santo, coveira, parteira, militante de vários movimentos sociais, líder comunitária, além de mãe e avó. Teve sua vida representada no documentário, no livro e na exposição intitulados “Todas as faces de Maria”. Esta última, exibida no Museu Capixaba do Negro (Mucane), em Vitória, em 2014, foi sucesso de público e de crítica. Em novembro a exposição seguirá para Santiago, no Chile, integrando o congresso “El universo afro en discusión: literatura, cultura e identidad”, promovido pelo Centro Cultural Brasil-Chile, instituição da Embaixada do Brasil na capital chilena.   Extraído do site do Jornal Folha Vitória / Vitória – ES http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2015/08/mestra-maria-laurinda-adao-de-cachoeiro-da-depoimento-sobre-a-escravidao-negra-para-a-comissao-nacional-de-verdade-da-escravidao-no-brasil.html  

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *