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Moradora de Mauá cria brechó itinerante de artesanato e roupas afro

POR BLOG | 27/08/15  15:09

 

 

É com tecidos africanos e brasileiros que Juliana Ferraz, 31, faz sua arte. Moradora do bairro São Gabriel, em Mauá, na Grande São Paulo, a professora de artes e de dança africana divide o tempo com a atuação como artesã e a criação do brechó itinerante Arte e Identidade.

Formada em artes cênicas e licenciada em artes visuais, ela customiza roupas, confecciona bolsas e saias. Participante desde os 15 anos do movimento hip-hop, o teatro e a dança ofereceram-lhe outras experiências.

“A questão da valorização para mim veio muito cedo, através do hip-hop. Nunca alisei meu cabelo, mas eu era muito urbana. Nossos primeiros figurinos no teatro foram de chita e fuxico, no grupo de dança Koteban; nós fazíamos o figurino com tecido africano, foi aí que eu me apropriei desses tecidos”, conta.

Ela começou fazendo fuxico, peças feitas com retalhos de tecidos, ainda quando cursava a segunda faculdade, em 2009. “Colocava a florzinha no cabelo, para valorizar o cabelo afro, aí veio o pensamento ‘vou fazer várias e não vou comprar, vou fazer do meu jeito’. Vi que isso tinha uma identidade. Fui fazendo um monte e quando vi já estava vendendo”, comenta.

Com dois empregos,  a prática que era mais uma forma de lazer com o tempo foi deixada. Em 2012, contudo, ficou desempregada após ficar grávida, o que fez depender apenas da renda do marido, o analista de sistema e músico, Emerson S. Queiroz, 30. Preocupada, retomou a atividade.

Juliana Ferraz no seu ateliê (Fotos: Fabiana Lima)
Juliana Ferraz no seu ateliê (Fotos: Fabiana Lima)

Não demorou muito para que ela voltasse a dar aulas, mas com o retorno financeiro do artesanato, optou por um emprego e usar o restante do tempo livre para expressar sua criatividade.

Com a ajuda do marido, abriu em fevereiro um bazar de roupas usadas, em um espaço onde ficaram apenas por 5 meses. Por conta do alto valor do aluguel, optaram por um modelo itinerante.

Juliana expõe o trabalho em vários espaços e eventos culturais, como o Centro Cultura Dona Leonor, na feira de artesanato em Mauá, no Sarau do Hip – Hop, Sarau do Fórum, em São Bernardo, e no

Sarau na Quebrada, em Santo André. Por mês, ela chega a conseguir R$ 500. A venda sai mais sob encomenda e por pedidos pela internet.

“Se você for em lojas populares, as roupas são sempre as mesmas, dificilmente tem roupa parecida com a gente, com o que a gente quer vestir. Quando tem roupas específicas, são caras”, opina.

Roupas do brechó personalizadas (Foto: Fabiana Lima)
Roupas do brechó personalizadas (Foto: Fabiana Lima)

Juliana desenha seus próprios moldes: mulheres gingando capoeira, tocando tambor, visando quebrar estereótipos de papeis anteriormente associados apenas ao gênero masculino. Registros históricos que ela anexa às roupas de forma que conta sua própria trajetória. A artesã pretende se tornar autônoma e visa parcerias para montar uma confecção.

“Uma das coisas que me atrai é a valorização da nossa ancestralidade. Os tecidos e suas cores fazem com que a gente se sinta mais bonito, sem a coisa do ‘exótico’ e sim a naturalização dessa estética”, diz o cliente Raifah Monteiro, 28, músico e educador social. “A maioria das peças são únicas, parecidas, mas nunca iguais, pois é uma produção artesanal e este tipo de trabalho traz outra carga, outro cuidado com o que se produz”, ressalta.

Fabiana Lima, 30, é correspondente de Santo André
fabianalima.mural@gmail.com
@Fabianasilim

Extraído do suplemento Mural da edição on line do Jornal Folha de São Paulo via UOL
http://mural.blogfolha.uol.com.br/2015/08/27/moradora-de-maua-cria-brecho-itinerante-de-artesanato-e-roupas-afro/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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