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Moradores fizeram abaixo assinado para remover árvore de terreiro que caiu em Luís Anselmo

Vizinhos reuniram cerca de 800 assinaturas em documento que seria entregue hoje ao Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN)

Hilza Cordeiro e Tailane Muniz (redacao@correio24horas.com.br)

02/12/2016 15:48:00Atualizado em 02/12/2016 16:49:48

 

Moradores da Rua Luís Anselmo, na região de Brotas, fizeram um abaixo assinado com cerca de 800 assinaturas para remover a árvore que despencou no Terreiro de Alaketu, matando uma pessoa e deixando oito feridos. O documento foi feito há dois meses e, segundo Maria de Fátima Santos, a organizadora, seria levado hoje pela manhã à sede do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN), pois o local é tombado pelo órgão.

“Eu fiz três listas e saí de porta em porta pedindo assinaturas. Essa não é a primeira vez que fazemos abaixo assinado”, conta Fátima. De acordo com a organizadora, um documento anterior foi entregue a um candidato a vereador na eleição de 2012, mas o problema não foi resolvido. “Para resolver tem que morrer uma mãe de família. Queremos descobrir quem é o culpado, mas só vamos saber com o tempo”, lamenta.

A vizinha Daniele Silva Canuto de Moraes, 34, e seu marido assinaram os dois abaixo assinados. “Sempre que chovia ou ventava, caiam pedaços da árvore porque ela é muito grande. Então quebrava telhado, tanque, muro, mas a gente nunca imaginava que ela poderia cair como caiu. Não foi um pedaço, ela se desprendeu inteiramente do chão!”, relata. A casa de Daniele foi atingida pelos galhos da árvore e ela teve que se abrigar na casa da mãe. Dez imóveis foram atingidos pelo vegetal.

Segundo ela, os representantes do terreiro não concordaram com o abaixo assinado. “Quando procurávamos eles, diziam que não podia mexer porque era uma árvore centenária. Os cultos aos orixás eram lá, tinha um pano branco em volta da árvore, onde eles faziam cerimônias e oferendas. Nos diziam que deveríamos pedir aos orixás”, lembra Daniele. Fátima acrescenta que as pessoas do terreiro eram “incomunicáveis” e que por isso resolveram se organizar de forma independente, já que eles não concordavam.

Defesa

Em sua defesa, o terreiro disse estar consternado com o acontecimento e garantiu que não houve negligência. “Temos documentos que comprovam os pedidos não só de poda como de retirada da árvore”, disse a Yakekerê Josenilda Bispo, mãe de santo da casa. Segundo ela, o terreiro teria se reportado ao IPHAN sobre o problema e a última poda foi realizada pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) em 2013.

“O responsável esteve aqui e fez um apanhado dizendo que os galhos mais altos e mais finos eram humanamente impossíveis de alcançar. Quando terminamos nossas obrigações, dissemos que eles poderiam retornar para que fosse feita não só a poda como a retirada da árvore porque além de velha, ela era muito alta”, explica ela.

Na mesma ocasião, a mãe de santo teria dito ao IPHAN sobre a necessidade dos vizinhos quanto à remoção. No entanto, dois filhos da casa que não quiseram se identificar, negaram a solicitação de remoção da árvore. Segundo eles, os pedidos foram apenas de manutenção.

 
Extraído do site do Jornal Correio 24hs / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/moradores-fizeram-abaixo-assinado-para-remover-arvore-de-terreiro-que-caiu-em-luis-anselmo/?cHash=d5ee8ea148d8a19bb77e68e5a2ba2e4a

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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