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Morro da Conceição acolhe adeptos de diversas religiões no Recife

Publicado em 07/12/2015, às 17h48 | Atualizado em 07/12/2015, às 18h06

 

Do NE10 | Marília Banholzer

Morro da Conceição acolhe adeptos de diversas religiões em meio à tradição católica Foto: Guga Matos/JC Imagem
Morro da Conceição acolhe adeptos de diversas religiões em meio à tradição católica Foto: Guga Matos/JC Imagem

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No meio do vai e vem frenético de pessoas que sobem e descem as ladeiras do Morro da Conceição, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, a equipe de reportagem do NE10  pergunta: “Alguém sabe informar onde tem uma igreja evangélica por aqui?”. O olhar de estranhamento surpreende tanto quanto a resposta: “Evangélica? Tem aqui no Morro não. Talvez do outro lado, mas por aqui é muito difícil”. Mas isso não é verdade. Com respeito mútuo, outras religiões convivem em harmonia com as tradições religiosas e as reverências a uma das santas mais aclamadas pelos católicos: Nossa Senhora da Conceição, homenageada nesta terça-feira, dia 8 de dezembro.

Luciene garante que a chegada de igrejas evangélicas influencia chegada de fiés no Morro Foto: Marília Banholzer/NE10
Luciene garante que a chegada de igrejas evangélicas influencia chegada de fiés no Morro Foto: Marília Banholzer/NE10

A dona de casa Luciene da Silva Tenório, 55 anos, mora na Rua Morro da Conceição e há dez anos deixou de seguir os preceitos católicos para se converter ao protestantismo. Hoje frequentadora da Assembleia de Deus, localizada na mesma rua, ela conta que respeita as tradições que lhe cercam, em especial nesta época de homenagem à santa. “Antes a maioria era católica, mas aí abriu essa Assembleia e depois uma Presbiteriana. Com essas duas igrejas as pessoas têm buscado mais o evangelho. Mas todos se respeitam e aceitam as crenças do próximo”, pontuou.

A “ex-católica” ainda aluga a garagem de sua casa para ser a sede de uma igreja evangélica. Luciene relata que a festa de Nossa Senhora da Conceição só impede a realização de cultos no próprio dia 8 de dezembro por causa do grande fluxo de pessoas no morro. “Além de prejudicar o dia do culto, a festa só atrapalha quem mora por aqui, independente da região, no que diz respeito à circulação dos ônibus e a chegada da água encanada. Fora isso, poderia ter festa todos os dias que eu não me incomodaria”, comentou a dona de casa.

Pai Bonfim defende que adeptos do Candomblé possam cultuar a imagem da Santa Foto: Marília Banholzer/NE10
Pai Bonfim defende que adeptos do Candomblé possam cultuar a imagem da Santa Foto: Marília Banholzer/NE10

Já o babalorixá José Bonfim de Souza, 52 anos, mais conhecido como Pai Bonfim, acredita que as religiões católica e de matriz africana – como umbanda e candomblé – são mais próximas do que a maioria dos fiéis imagina. Há cerca de 15 anos os adeptos do candomblé de todo Estado saudavam a imagem de Nossa Senhora da Conceição, no Morro do Recife, como se a mesma representasse Iemanjá, celebrada na mesma data. Com o tempo, no entanto, esse espaço foi sendo tolhido e as oferendas à imagem reduzindo.

“Esse sincretismo vem do tempo dos escravos, quando eles não podiam adorar seus orixás e faziam suas homenagens aos santos católicos, mas na verdade estavam rezando para as divindades do Candomblé. Esse costume era reproduzido aqui no Morro da Conceição mas agora nós não podemos mais fazer nossos rituais. Sentimos falta, mas temos que lutar contra essa resistência”, explicou o pai Bonfim.

Apesar das restrições, o babalorixá acredita que a proximidade com a santa torna as pessoas mais espiritualizadas, o que reduz a intolerância religiosa na região. No local, inclusive, existem apenas dois terreiros de candonblé, os quais são respeitados pelos demais moradores do Morro da Conceição. “Não vou dizer que não tem discriminação por causa da nossa religião, mas nós percebemos que aqui as pessoas respeitam quem segue as religião de matriz africana”, pontuou o religioso.

FESTA DE IEMANJÁ – Este ano o Projeto Orixamar ganha 2ª edição nesta terça-feira (8), dia de celebrar Iêmanjá para os adeptos das religiões de matriz africa. O evento promoverá shows, palestras, degustação gratuita de comidas de santo e a reunião de 14 terreiros de candomblé na praia de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes. Milhares de pessoas são esperadas para a manifestação religiosa.

 

 

Extraído do site NE10, do Jornal do Commercio / Recife – PE
http://noticias.ne10.uol.com.br/10horas/noticia/2015/12/07/morro-da-conceicao-acolhe-adeptos-de-diversas-religioes-no-recife-585031.php 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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