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Morte de Kaique Augusto ainda é um mistério para a Polícia

Texto: Sérgio D´Giyan
Fotos: Facebook

Foto: Página pessoal de Kaique Augusto
Foto: Página pessoal de Kaique Augusto

No último dia 10 de janeiro (sábado), na Avenida Nove de Julho, uma das principais artérias que corta o centro de São Paulo, foi encontrado o corpo do menor Kaique Augusto, de 17 anos. Seu corpo foi encontrado com marcas de violência, com o rosto desfigurado. Segundo a Polícia, tratava-se de um caso de suicídio, Kaique simplesmente havia ceifado sua vida pulando de um viaduto.

Kaique foi identificado pelos familiares dias depois no IML, onde estava registrado como indigente, devido à falta de documentos. Eles relataram que Kaique havia saído para uma festa na balada Pzá, no centro da capital paulista, e desde então não retornou para casa.

O jovem foi espancado, torturado, teve seus dentes extraídos, além de ter seu rosto completamente desfigurado, numa das suas pernas tinha um buraco que aparentava ter sido furado com uma barra de ferro.

A festa que Kaique frequentava era destinada ao público LGBTS, e estava na companhia de amigos. Num determinado momento ele se desligou do grupo e ninguém mais o encontrou. Kaique perdeu seu aparelho de celular e documentos. A partir daí a família começou uma peregrinação para encontrar seu paradeiro, inclusive no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Os policiais militares que estiveram prestando o atendimento à ocorrência, registraram o caso como suicídio. Contudo, sua irmã, Thayná Chidiebere, de 19 anos, discorda da opinião dos policiais: “Não acredito nisso. Como meu irmão iria arrancar os dentes e ainda colocar uma barra de ferro na perna para se matar”, questiona.

Homossexual assumido, sua família e amigos não o rejeitavam por causa de sua opção sexual. O que aconteceu com ele foi uma violência gratuita e a família precisa de respostas e de justiça.

Oxosse de Kaique Augusto
Oxosse de Kaique Augusto

Kaique era iniciado no Candomblé, pelas mãos da Iyalorixá Lia Mara de Moraes, que o iniciou para o orixá Oxosse, segundo o Babalorixá Reynaldo T´Airá, que vem a ser seu tio de santo.

Os familiares e amigos afirmaram que não irão sossegar enquanto a verdade não vier à tona. Na última sexta-feira, a Secretaria de Direitos Humanos, pasta ligada à Presidência da República, emitiu uma nota que sustenta a hipótese de que Kaique Augusto fora vítima de homofobia.

Leia a íntegra da nota:

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). Seu corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo próximo a um viaduto na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho.

As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia.

De acordo com dados do Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos, em 2012, houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil em comparação a 2011. Diante desse grave cenário, assim como faz em outros casos que nos são denunciados, a SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.

A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos de LGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente. O servidor da SDH/PR desembarcou no início na tarde desta sexta-feira (17) na capital paulista, onde deverá conversar com a família e acompanhar o processo investigativo em curso.

Informamos ainda que a Secretaria de Direitos Humanos está investindo recursos para a ampliação dos serviços do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura Municipal de São Paulo, fortalecendo a rede de enfrentamento à homofobia.

Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.

O Governo Federal reitera seu compromisso com o enfrentamento aos crimes de ódio e com a promoção dos direitos das minorias, em especial, com a população LGBT.

Brasília, 17 de janeiro de 2014.

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

 

Nota da Redação:

O caso de Kaique, infelizmente, será mais um incremento para as estatísticas da violência contra o público LGBT. Homofobia é crime, mas como identificar esses assassinos?. Trata-se de mais um caso sem solução, a não ser que forças ocultas ajudem a elucidar mais esse caso de preconceito. São Paulo é hoje uma das cidades mais homofóbicas do País, e estou afirmando isso devido aos casos já noticiados e que vieram à luz da informação. Até quando ainda teremos que perder nossos entes, amigos por causa de um preconceito, idiota, imbecil, sem fundamento. Sonho com um mundo, igualitário, cada um na sua, respeitando, claro, sempre o limite da decência e da dignidade, mas que cada um possa usufruir da vida, da forma que lhe foi concebida, sem medo e sem fobias, daqueles que se acham superiores, pelo simples fato de ser diferente. Somos todos iguais perante aos nossos orixás, perante a Deus, Alá, Jesus, etc. Portanto, façamos apenas o que Eles pedem: amemos uns aos outros.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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