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Movimento negro aplaude cabelos afro da seleção

 

Postado por: UOL.com.br  em Brasil 11/07 6:10

O bonde do cabelo de David Luiz, William, Dante e Marcelo, na seleção brasileira, não passou despercebido. Os jogadores de cabeleiras vistosas estão conquistando uma legião de fãs, em especialativistas negros, que estão vendo nos cachos uma declaração de autoestima.

Da mesma forma que Neymar lançou moda entre a molecada com os moicanos espetadinhos com gel, ouRonaldo com o cabelo estilo “cascão”, os cachos orgulhosamente livres ou ajeitados com uma bandana são um grito de liberdade em potencial para muitos negros. “Os jogadores com cabelos afros ostentosos são um baita exemplo e uma baita influência positiva para as crianças, jovens e adultos também”, diz Fábio Kabral, ativista negro e autor do livro “Ritos de Passagem”.

Kabral tem acompanhado os jogos. “Há bonitos cabelos, embora haja muitos negros de cabelo raspado, infelizmente”, lamenta. Em especial com os episódios de racismo recentes no futebol, ele acha importante que os jogadores tenham liberdade de usar os cabelos afro. “O cabelo crespo, volumoso e farto chama atenção e causa emoções diversas. É importantíssimo que mais e mais pessoas desfilem por aí com seus crespos à mostra.”

Elaine Azevedo fez chapinha a vida toda e chegou a idade adulta sem saber como era seu cabelo naturalmente. “Há dois anos tive uma grave doença no couro cabeludo de fundo emocional, na época em que o Brasil todo estava acompanhando a Copa das Confederações”, conta. “Eu me apaixonei pelo cabelo e pela história do David Luiz. Raspei o meu cabelo no tratamento, e tive uma surpresa quando ele comecou a nascer igual ao dele. Disse pro médico: eu tenho o cabelo do David Luiz, só que ‘pretim’”, diverte-se.

Em casa, o tema volta a cada jogo. A filha de Elaine, Sibelly, de 8 anos, também tem cabelo black e em casa, o “bonde do cabelo” faz sucesso. “Quando William, David Luiz e Marcelo entram em campo a gente tira maior onda aqui em casa. Com meu cabelo natural, me sinto mais mulher e com mais personalidade, foi como se a verdadeira Elaine presa dentro de mim se libertasse”, diz.

Fã de Copa, a professora de espanhol Daniela dos Santos Silva, morou em Barcelona entre 2006 e 2007, acha que a temporada européia pode ter influenciado o estilo dos cabelos da seleção. “A diversidade a que a pessoa está exposta morando em uma cidade como Barcelona, por exemplo, pode ser um fator”, diz Daniela. “A gente tem um histórico de jogadores de futebol negros com cabelos super raspados, bem baixinhos. Essa mudança é positiva. É mais fácil assumir o seu cabelo afro quando você vê outras pessoas fazendo. Vejo comentarem bastante os cachos maravilhosos do David Luiz, as pessoas ainda percebem cachos mais definidos como mais aceitáveis do que os cabelos crespos carapinha, como o do William”, ressalva.

O curioso é que mesmo a referência dos cabelos sendo masculina, o reflexo pegou em cheio nas mulheres. A diretora de escola Jane Reolo, mãe de Helena, de 10 anos, também comemora o “bonde do cabelo”. “Meu marido fica louco com agente vendo futebol para ver cabelo, corte mais arredondado, franja, tiaras para tirar o cabelo do olho, acessórios”, conta. “O grande barato com a Copa e com o cabelo dos ídolos do futebol é que são quatro: você olha e vê os herois do momento, que valorizam suas características étnicas.”

O cabelo mais polêmico é justamente o de Neymar, por ser alisado. “Cada um faz suas escolhas. Mas da minha parte, não curto, acho um impacto negativo, os jovens imitam seus ídolos”, diz Kabral. “Eu acho que o cabelo alisado do Neymar é reflexo da dificuldade que ele tem de se  identificar como negro”, dispara Daniela. Pelo menos na cabeleira, o craque não é unanimidade.

Extraído do site Boa Informação

http://boainformacao.com.br/2014/07/movimento-negro-aplaude-cabelos-afro-da-selecao/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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