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MP do DF acompanha apuração de incêndio em terreiro de candomblé

Caso foi denunciado ao Disque 100 por suspeita de intolerância religiosa.
Polícia Civil apura; em setembro, dois templos foram queimados no Entorno.

Do G1 DF  | 28/11/2015 06h15 – Atualizado em 28/11/2015 06h15

 

 

O Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) do Ministério Público do Distrito Federal abriu processo administrativo para acompanhar a apuração do incêndio que atingiu um terreiro de candomblé no Paranoá, em Brasília, na madrugada desta sexta-feira (27). Responsáveis pelo local dizem suspeitar de intolerância religiosa e de ação criminosa.

 

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O terreiro é conhecido como templo Axé Oyá Bagan ou Casa da Mãe Baiana e fica em uma chácara no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, entre o Paranoá e o Lago Norte. O fato foi denunciado por meio do Disque 100, canal da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O incêndio é investigado pela 6ª Delegacia de Polícia. Até a tarde de sexta, a apuração não tinha esclarecido se o fogo começou por acidente ou se foi provocado. Seis pessoas dormiam no local no momento, mas ninguém ficou ferido. O barracão ficou completamente destruído.

 

Quando, em outros países, se incendeiam igrejas cristãs e cristãos são degolados, entendemos que isso é inaceitável. Aqui no entorno os mesmos atos de intolerância religiosa são praticados contra templos de religião de matriz africana. Os recentes atentados terroristas na França possuem a mesma raiz de intolerância religiosa. Não podemos admitir que a intolerância vença a democracia”

Thiago Pierobom,
promotor de Justiça do DF

“Chamei os meninos que estavam dormindo e a gente foi pegar água nas caixas d’água para apagar, mas aí o fogo invadiu. Esse fogo foi de fora para dentro. É a intolerância religiosa, mais uma vez, dentro de Brasília e nós precisamos tomar uma providência imediatamente, não podemos deixar mais”, diz Adina Santos, a “Mãe Baiana” que administra o terreiro.

Segundo o MP, nenhum caso do tipo foi registrado no DF nos últimos três anos. Em setembro, dois templos de religiões de matriz africana foram incendiados em Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, no Entorno.

“Quando, em outros países, se incendeiam igrejas cristãs e cristãos são degolados, entendemos que isso é inaceitável. Aqui no Entorno os mesmos atos de intolerância religiosa são praticados contra templos de religião de matriz africana. Os recentes atentados terroristas na França possuem a mesma raiz de intolerância religiosa. Não podemos admitir que a intolerância vença a democracia”, diz o coordenador do NED e promotor de Justiça Thiago Pierobom.

Incêndio em terreiro de Candomblé, em Brasília (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Incêndio em terreiro de Candomblé, em Brasília (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Denúncias sobre atos de intolerância religiosa, racismo, xenofobia e outros tipos de discriminação podem ser encaminhadas à ouvidoria do MPDF, pelos números 127 ou 0800-644-9500, ao Disque 100 ou ao Disque Racismo, no 156, opção 7.

 

Extraído do portal de notícias G1 / Distrito Federal
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/11/mp-do-df-acompanha-apuracao-de-incendio-em-terreiro-de-candomble.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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