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MP recomenda que religiões afro sejam incluídas em centro na Vila Olímpica

08.07.2016 15h55 Atualizada em 08.07.2016 18h16  
Vila Olímpica terá 31 prédios e um centro inter-religioso com sacerdotes de apenas cinco religiões - imagem: Júlio César Guimarães/UOL
Vila Olímpica terá 31 prédios e um centro inter-religioso com sacerdotes de apenas cinco religiões - imagem: Júlio César Guimarães/UOL
  Adriano Wilkson Do UOL, em São Paulo O Ministério Público Federal resolveu entrar na polêmica sobre as religiões de matriz africana no centro ecumênico da Vila Olímpica. Nesta sexta-feira, a promotoria recomendou ao comitê organizador dos Jogos que a umbanda e o candomblé sejam incluídos no centro que atenderá atletas olímpicos no Rio de Janeiro. Horas depois, a Defensoria Pública da União também se manifestou pedindo que os Jogos criem "um ambiente de convivência entre atletas das mais variadas religiões". O comitê tinha anunciado que apenas cinco doutrinas milenares seriam contempladas, cristianismo, islamismo, budismo, judaísmo e hinduísmo, o que provocou a reação de grupos que defendem religiões de matriz africana. Na visão de críticos, a exclusão dessas doutrinas seria uma forma de intolerância. O comitê terá cinco dias para responder à recomendação, "sob pena de impetração de medida judicial cabível em caso de inércia ou descumprimento." Antes disso, a organização já marcou uma reunião para a próxima semana com líderes religiosos da umbanda e do candomblé "para tentar chegar a um acordo, porque isso está repercutindo muito mal", disse a umbandista Fátima Damas, fundadora da Comissão de Combate à intolerância Religiosa. "Já estava até preparando uma ação judicial sobre o tema", afirmou o babalawo Ivanir dos Santos, ligado ao candomblé. Ambos acreditam que haverá um convite para que eles participem do centro inter-religioso. Ministério Público afirma que é seu papel proteger manifestações afro-brasileiras O MP citou uma lei federal (nº 12.288/10) que assegura “a participação proporcional de representantes de religiões de matrizes africanas em comissões, conselhos, órgãos e outras instâncias de deliberação vinculadas ao poder público”, muito embora a Vila Olímpica seja um espaço gerido por entidades privadas, como o Comitê Olímpico Internacional. A promotoria também apontou um artigo da Constituição que diz ser papel do Estado proteger "manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras". Já a defensoria afirmou que é importante que o comitê inclua "as religiões de matriz africana para criar um ambiente de convivência entre atletas das mais variadas religiões e prestigiar o pluralismo decorrente da liberdade religiosa". Antes da recomendação, o Comitê Rio-2016 já tinha dito que atenderá atletas de qualquer fé e que a escolha das cinco doutrinas que terão “sacerdotes-plantonistas” no centro se baseou em pesquisas históricas com participantes dos Jogos – essas seriam as religiões da imensa maioria dos esportistas. Organização diz que nenhum atleta será discriminado O centro já foi montado em outras edições das Olimpíadas. O local terá sacerdotes das cinco doutrinas escolhidas, e eles trabalharão em esquema de plantão para atender atletas e celebrar rituais. O coordenador será o padre Leandro Lenin, da arquidiocese do Rio. Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa da Rio-2016 reafirmou que nenhum atleta de qualquer religião será discriminado. Seguidores de outras doutrinas poderão fazer uma solicitação para que um líder seja convocado à Vila Olímpica. Segundo o comitê, a coordenação do centro já está preparada para fazer a convocação desses outros sacerdotes, o que aconteceria sem maiores dificuldades.   Extraído da Coluna Olimpíadas 2016 do portal UOL / São Paulo – SP http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/08/mp-recomenda-que-religioes-afro-sejam-incluidas-em-centro-na-vila-olimpica.htm

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Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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