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Muçulmanos que vivem no Rio sofrem ataques virtuais após atentados na França

O temor é tamanho que os comentários na página oficial da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ) foram desabilitados

NICOLÁS SATRIANO | 21/11/2015 23:51:55

 

Rio – Outra ameaça caminha junto ao horror dos ataques terroristas que chocaram o mundo semana passada: o preconceito. Preocupados com o crescimento dos ataques pela internet, principalmente, seguidores do Islã no Rio criaram uma espécie de manual sobre como os fiéis devem se comportar para se proteger.

O temor é tamanho que os comentários na página oficial da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ) foram desabilitados. “Este grupo que se autoproclama Estado Islâmico não é o verdadeiro Estado Islâmico. Suas práticas são condenadas pelo Islã”, explica o diretor do Departamento Educacional da SBMRJ, Sami Isbelle.

 

Sami Isbelle, da Sociedade Beneficente Muçulmana, ressalta que a religião nada tem a ver com o terrorismo Foto: João Laet / Agência O Dia
Sami Isbelle, da Sociedade Beneficente Muçulmana, ressalta que a religião nada tem a ver com o terrorismo
Foto: João Laet / Agência O Dia

Dos quase 3 mil muçulmanos que vivem no Rio, cerca de 120 vão à mesquita frequentada por Sami, na Tijuca. Lá, muitos passaram a seguir as recomendações do líder religioso para garantir a própria segurança. Registrar agressões nas delegacias, evitar reações a insultos e não revidar as provocações são alguns dos itens sugeridos.

“Muitos têm feito uma ligação automática do Islã com tais crimes. O Islã é uma religião de paz, que busca aperfeiçoar o caráter e a conduta do ser humano para que a pessoa seja melhor e mais benéfica à sociedade”, diz. Sami prega que o diálogo é sempre o melhor caminho, desde que se perceba que há vontade para tanto do interlocutor.

“Sempre que questionados, devemos mostrar que o que aconteceu na França nada tem a ver com o Islã”, complementa. No Brasil, a estimativa é que vivam mais de 1 milhão de muçulmanos.

Desde março deste ano, a instituição organiza um dossiê com denúncias de mensagens preconceituosas contra adeptos do Islã. Das 49 páginas que tinha no início, o documento cresceu e chegou a 100 páginas na última semana. Mensagens como ‘mandem esta gente de volta para o país deles’ ou ‘esquerdopatas querem trazer o islamismo para o Brasil’ se destacam. Nem a presidenta Dilma escapa da fúria segregacionista e é acusada de apoiar a entrada do Estado Islâmico no Brasil. ‘Ela quer f… mais ainda o país’, diz uma delas.

A compilação de queixas de cunho islamofóbicos foi entregue à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, que ficou responsável pelo envio do dossiê à Polícia Federal e ao Ministério Público. “Mas não houve resultado prático. Algumas páginas foram excluídas, mas não acreditamos que tenha sido devido às denúncias”, disse o assessor da SBMRJ, Fernando Celino, que é convertido ao Islã.

REGISTROS EM QUALQUER DELEGACIA

A Polícia Civil informou que casos de intolerância religiosa podem ser registrados em qualquer delegacia e que por isso é difícil calcular o número de registros. Antes, havia um núcleo especializado mas desde 2010, o que passou a existir é uma parceria com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, na Cidade da Polícia, no Jacarezinho. Já a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa organizou para amanhã um Ato Público de solidariedade na UFRJ.

 

Extraído do caderno de notícias Último Segundo do portal IG / Rio de Janeiro – RJ
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2015-11-22/muculmanos-que-vivem-no-rio-sofrem-ataques-virtuais-apos-atentados-na-franca.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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