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Mulheres negras são mais vítimas de violência que as brancas, diz promotora

20/07/2016 17h58 / Salvador

Sayonara Moreno – Correspondente da Agência Brasil

As mulheres negras são mais vítimas de violência que as brancas e as raízes do problema estão associadas à escravidão. A avaliação é da promotora de Justiça Lívia Santana Vaz, do Ministério Público da Bahia, que participou hoje (20) do I Seminário Biopolíticas e Mulheres Negras: práticas e experiências contra o racismo e o sexismo.

“Não há dúvida nenhuma que, em decorrência da forma como houve a escravização das mulheres negras no Brasil e o racismo institucional que persiste até os dias de hoje, a mulher negra é muito mais vítima de violência de gênero do que a mulher branca.”

A promotora destacou que, de acordo com o Mapa da Violência 2015, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no Brasil, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%,

O I Seminário Biopolíticas e Mulheres Negras: práticas e experiências contra o racismo e o sexismo ocorre em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Afro-Latina Americana e Afro-Latina Caribenha, comemorado no dia 25 de julho Sayonara Moreno/Agência Brasil
O I Seminário Biopolíticas e Mulheres Negras: práticas e experiências contra o racismo e o sexismo ocorre em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Afro-Latina Americana e Afro-Latina Caribenha, comemorado no dia 25 de julho Sayonara Moreno/Agência Brasil

 

Segundo Lívia Vaz, elementos culturais e midiáticos contribuem para a manutenção e aumento da violência e discriminação contra as mulheres negras e citou o exemplo do carnaval, em que as mulheres negras são associadas ao sexo e parte do negócio do turismo.

“Isso tudo tem a ver com a nossa história e tem a ver com como ainda estamos lidando com essa situação hoje, por exemplo: a hipererotização do corpo da mulher negra, isso contribui para que ela seja, ainda, considerada objeto. Essa questão da cultura da violência e da violência sexual, principalmente, a cultura do estupro”, analisou.

Educação e desigualdade

A ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, também participou do debate, que faz parte das celebrações do Dia Internacional da Mulher Afro-Latina Americana e Afro-Latina Caribenha, comemorado no próximo dia 25 de julho.

Nilma destacou as desigualdades a que são submetidas as mulheres negras e disse que a mudança de perspectiva pode ocorrer por meio da educação.

“A educação, seja ela escolar,  formal, seja a educação enquanto processo de vida, sempre fez parte da luta das mulheres e, principalmente, das mulheres negras”, destacou.

Para a ex-ministra, houve avanços na educação brasileira no que se refere às minorias, sobretudo com a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas brasileiras. No entanto, segunda ela, o atual momento político do país, com o governo interino de Michel Temer, ameaça algumas dessas conquistas.

“Estamos na conjuntura de um golpe de Estado e eu tenho chamado atenção de que esse é um golpe parlamentar, midiático, de classe, de gênero e de raça. E nós temos visto a emergência de um fundamentalismo religioso e político muito sério, com uma ala muito conservadora que tem ido contra os avanços que já fizemos no campo do gênero e da diversidade sexual. Me preocupa muito, porque um dos focos onde essa onda conservadora tem investido é a educação”, criticou.

No fim do evento, será elaborado um levantamento de possíveis intervenções do Ministério Público em áreas de atuação do órgão para garantir o cumprimento de direitos das mulheres negras.

Edição: Luana Lourenço

 

Extraído do portal da EBC Brasil / Brasília – DF
http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-07/mulheres-negras-sao-mais-vitimas-de-violencia-diz-promotora

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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