Breaking News

Museu afro-brasileiro surge de ruínas

por Albenísio Fonseca

 

Publicada em 20/12/2014 17:35:32

20141220053855_museu-afro
Foto: Romildo de Jesus O museu fica na Rua do Tesouro, no Centro Antigo de Salvador

Como uma fênix – ave mitológica que renasce das próprias cinzas –, o Muncab-Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira vem erguendo-se das ruínas dos dois antigos prédios do Tesouro Estadual, na Rua do Tesouro, no Centro Antigo de Salvador, desde 2002, quando obteve a concessão do local pelo governo Paulo Souto e angariou recursos através da Lei Rouanet.

Em 2014, com patrocínio da Petrobras na ordem de R$ 2,5 milhões, o museu viabilizou em 90% a conclusão das obras no prédio 1, que envolve uma área de 600 m² em cinco pisos (dois dos quais no subsolo).

Com o recurso, implantou elevador, principalmente para acesso de pessoas com necessidades especiais; promoveu a instalação do gradil criado pelo artista J. Cunha, intitulado “As histórias de Ogum”, e recuperou toda a área do subsolo.

Conforme o gestor, o poeta José Carlos Capinan, em 2015, logo após o Carnaval, será levada a efeito a exposição “Bahia e Outras Áfricas” – uma “mostra multimídia, com música, artes plásticas e tendo a moda como célula matriz”, ressaltou.

A instituição, ainda segundo Capinan, vem superando uma série de dificuldades, notadamente a judicialização da obra contra a CSC, “construtora que abandonou os trabalhos, deixando um legado de sobrepreços e emissão de certidões negativas falsas”, gerando dificuldades para a consolidação da iniciativa da Amafro-Associação dos Amigos da Cultura Afro-brasileira, entidade responsável pela implantação do primeiro museu nacional em Salvador.

Há ainda pendências envolvendo a infiltração de águas pluviais como um legado da Conder, no prédio 2, a partir de serviços viabilizados com recursos do programa Monumenta, do Minc-Ministério da Cultura, administrados pela companhia vinculada ao governo do estado.

“O trabalho foi dado por concluído e, diante das solicitações para solucionar a infiltração, alega tratar-se de mero entupimento das calhas. Segundo Capinan, “há mais problemas na obra e esperamos que a diretoria da Conder seja sensibilizada no sentido de resolver essa questão.”

No Prédio 2 serão instaladas biblioteca, salas para teleducação e rede com outros pontos de cultura. No prédio 1, exposições, auditório, salas para museólogos, bibliotecários, poesquisadores, administração e contabilidade.

Há, além desses dois prédios, um terceiro a ser edificado, em arquitetura contemporânea, no terreno baldio existente e que abrigará o Memorial da Diáspora”. O poeta Capinan está empenhado, do mesmo modo, em inserir a instituição no PAC-Programa de Aceleração do Crescimento para Cidades Históricas com o que, acredita e faz por merecer, o Muncab poderá estar concluído em 2016.

O Museu já viabilizou exposições magníficas, como a “O Benin está vivo ainda lá”, que trouxe a Salvador instalações e pinturas de inúmeros artistas daquele país; obras do Mestre Didi e, outra, “Cavalo de santo”.

Já em 2014, abrigou “Barbosa, um goleiro no imaginário popular” e “Pop esporte clube e sua torcida organizada”, por ocasião da Copa do Mundo de Futebol. Mostras que reuniram obras de diversos artistas plásticos e fotógrafos da Bahia e de outros estados. A verdade é que sob o conceito de “museu em processo”, o Muncab não para.

Além de um importante acervo inicial, que reúne obras relacionadas à escrevidão e à campanha Abolicionista, o museu passou a disponibilizar, também, salas dedicadas aos artistas plásticos Rubem Valentim e Mestre Didi, entre outras valiosas produções artísticas e de caráter antropológico.

Obteve, recentemente, a doação do conjunto de obras “Cabeça de Orixás”, do artista Antonio Miranda e que, na realidade, refere-se aos inquisses, “dando visibilidade para o candomblé de Angola, também a ser contemplada com espaço próprio no Museu”, conforme Capinan.

Depois que o carnaval passar, a instituição, segundo seu gestor, promoverá o lançamento do livro-cartilha sobre o gradil de J. Cunha, escrito por Mabel Veloso – que ministrará leituras para estudantes de escolas públicas do estado e do município e consolidará a abertura definitiva do Muncab para o acesso diário ao público.

Capinan adiantou, ainda, que o projeto de lei que institui o museu em caráter federal já se encontra na Casa Civil, de onde será encaminhado ao Congresso Nacional.

 

Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia / Salvador-BA
http://www.tribunadabahia.com.br/2014/12/20/museu-afro-brasileiro-surge-de-ruinas

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *