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Na exposição ‘Encantos’, designer reforça necessidade de registro da cultura africana

por Ailma Teixeira | Quarta, 13 de Janeiro de 2016 – 06:40

 

Foto: Divulgação
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Com experiências acumuladas de suas vivências e andanças pelo mundo – São Paulo, Bahia, Inglaterra, Amsterdam, Alemanha e outros tantos lugares -, o designer Tainan Mattos, de 25 anos, estreia sua primeira exposição nesta quarta-feira (13), no Teatro Jorge Amado. Entre pinturas e materiais audiovisuais, nas 25 obras que apresenta, Mattos explora o que chama de “mitologia preta” para contar a história dos orixás e a sua própria. “Eu acho que o meu trabalho tem um lance de busca, de autovalorização da nossa cultura que aos poucos foi sendo deteriorada por vivermos em um modelo pós-colonial. Se você pergunta para uma criança quem foi Napoleão, ela sabe que ele foi o rei de algum lugar, mas se você pergunta quem foi Xangô, é capaz de ela dizer ‘Deus é mais’. Então, o meu trabalho tem esse lance de busca por conhecimento a respeito de nós mesmos”, explica o artista em entrevista ao Bahia Notícias.

Ligado à cultura africana desde criança por ver seus pais e avós – a quem ele credita parte de sua inspiração – imersos no candomblé, o designer reforça a necessidade de se contar a histórias dos ancestrais africanos. “Cabe não só aos artistas,  mas aos engenheiros, aos arquitetos, a todas as pessoas que lidam com alguma forma de expressão humana ter um conhecimento maior sobre a nossa própria história, já que ela não foi tão bem gravada em livros”, opina. Com “Encantos”, Mattos se propõe a contribuir para o registro dessa cultura. “Se hoje a gente conhece a história da Rainha Elizabeth, de Moisés, de Napoleão é porque tiveram muitos escritos pra trazer essas histórias do passado até o presente, enquanto as histórias dos personagens africanos vêm sendo trazidas através da oralidade. Então, o meu trabalho é fazer meio que o caminho oposto em busca da raiz da nossa história”, ressalta.

 

A exposição reúne pinturas, grafittes e ilustrações de Mattos | Foto: Divulgação
A exposição reúne pinturas, grafittes e ilustrações de Mattos | Foto: Divulgação

Dentre os materiais digitais e manuais criados integralmente por ele, Mattos destaca a figura de Iansã, a bela guerreira que tem o poder de se transformar em animal, inspirada em um conto africano. “Tem um conto que eu sou muito apaixonado, que é o conto de Iansã e Ogum porque tem um momento que a mulher se transforma em touro, depois em mulher, aí Ogum se apaixona por ela. Em seguida, ela está muita brava com as chacotas que estão fazendo e acha seu amuleto que estava escondido. Aí ela volta a ser touro e destrói tudo”, pontua. No vernissage, a imagem da transformação de Iansã integra a série “A Pele das Deusas”, em que três personagens são ilustradas em três processos de transformação.

“Eu espero que as pessoas tenham interesse pelo que eu estou produzindo, pintando, falando pra que essa mensagem, que eu acho muito mais importante que qualquer obra, chegue a mais lugares”, torce. No espaço Eva Herz do Teatro Jorge Amado até o dia 13 de fevereiro, a exposição pode ser visitada de terça à sexta-feira, das 15h às 21h. “Eu acho que essa temática, esse universo do qual eu tenho falado, isso tem mais importância que qualquer obra de qualquer artista, então, a expectativa é de que essa sementinha que estou plantando possa disseminar pra que outra pessoa plante outra semente e isso floresça. Que assim a gente possa ter mais orgulho da nossa história, da nossa cor, da correntinha que a gente carrega no pescoço”, finaliza.

SERVIÇO

O quê: Exposição Encantos

Quem: Tainan Mattos

Quando: Vernissage – dia 13 de janeiro, as 18h | Terça a sexta, das 15h as 21h

Onde: Teatro Jorge Amado, Espaço Eva Herz

Quanto: Gratuito

 

Extraído do portal de notícias BN Cultura – Bahia Notícias / Salvador – BA
http://www.bahianoticias.com.br/cultura/noticia/23205-na-exposicao-039encantos039-designer-reforca-necessidade-de-registro-da-cultura-africana.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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