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Não quero conversa com “13 de maio”

postado por Cleidiana Ramos @ 4:03 PM 28 de maio de 2015
Jaime Sodré analisa o Bembé do Mercado. Foto: Rejane Carneiro | AG. A TARDE
Jaime Sodré analisa o Bembé do Mercado. Foto: Rejane Carneiro | AG. A TARDE
Jaime Sodré Dona Tidinha recordava: “Meu filho, antigamente no dia 13 de maio tinha até missa para a princesa Isabel”. A liberdade é um bem gratificante, imagine experimentada por um negro escravo naquele contexto, mesmo carente de ver este gesto acompanhado das vantagens da cidadania. Um agradecimento especial pensou João de Obá, ao atribuir, à graça dos orixás, a concretização desta alforria coletiva. Ousado pensou o “BEMBÉ DO MERCADO”. A competente Luzia Moraes traz esta historia em seu livro “Bembé do Mercado – 13 de maio em Santo Amaro”, o qual, recomendo. Ao completar um ano da assinatura da Lei Áurea, João Obá, preto malê, escravo forro e Babalorixá, “botou o pau de standard”, que consistia da bandeira Branca de Orumilá, divindade da adivinhação, na Ponte do Xaréu e trouxe, em um ato de desafio, o seu candomblé para o Mercado da Cidade de Santo Amaro, seguido de fiéis do culto e fez a festa, com oferenda a Yemanjá. Exu, o senhor dos mercados, também “comeu”. A continuidade foi o empenho de muitos; do Babalorixá Menininho, que não tocava o Bembé na sexta feira, em respeito a Oxalá; Noca de Jacó que passou para Tidú, que manteve entendimento com a Prefeitura; Mãe Lídia do Terreiro Ilê Yá Onã, (na Sub estação); Mãe Iara do Terreiro de Oiá (no Trapiche de Baixo) e José Raimundo Lima Chaves – Pai Pote do Terreiro Ilê Axé Ojú Oniré.
  1. Canô era uma alegre entusiasta da festa do Bembé e colocava a sua oferenda no Balaio em nome dos “Velosos”; a doce Mabel sabe disso, aliás quando criança a Mabel era dito que “Bembé” era a saudação a Isabel (Isabé).
  2. Zilda Paim assegurava que o ano do começo do Bembé era 1889 e nos anos 40 e 50 necessitava de autorização policial. Batia-se nos dias 11, 12, e 13 que era feriado.
Para a Dra. Yeda Castro, Bembé pode ser uma palavra Fon (yoruba/nagô) ou Banto, de Imbembé, mas alguns afirmam que tratava-se de uma corruptela de Candomblé. Os preparativos para a festa iniciam-se com a oferenda a Exu realizada no Mercado, pois a casa responsável pelo evento religioso instala-se ali em um caramanchão e o Balaio de Yemanjá é levado à praia de Itapema, em caravana e colocado com maré cheia; para Mãe Lídia o Bembé “é mais o presente”. Historicamente, para o nosso Professor Dr. Ubiratan Castro, o Bembé: “É o candomblé da Liberdade”, de grande significado na afirmação da cidadania negra, amenizando a “subserviência agradecida” à princesa. Os ex-senhores de escravos estavam injuriados com esta ideia de liberdade, afirmando que a lei seria revogada pelos seus parlamentares e mobilizaram o aparelho policial para inibir as manifestações dos negros. O povo negro, esperançoso, dizia: “Yô Yô Carigé, Dá cá meu Papé” numa alusão a carta de alforria, prometida pelo ilustre abolicionista Eduardo Carigé. No dia 13 de maio de 1889, as pessoas foram ao Mercado festejar em praça pública o primeiro aniversário da abolição. Não teve parada cívica nem discurso, lembrava o professor Bira. Agradecendo aos orixás, jogaram as oferendas no mar, até hoje. Os escravos libertos eram chamados pejorativamente de “13 de Maio” e diziam isto em verso popular: “Nasceu periquito, Morreu papagaio, Não quero conversa com treze de maio”. Eu quero.   - See more at: http://mundoafro.atarde.uol.com.br/?p=5761#sthash.amuzEW8M.dpuf   Extraído do Blog Mundo Afro, do Jornal A Tarde / Salvador-BA http://mundoafro.atarde.uol.com.br/?p=5761

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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