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“Negros sempre foram colocados para cobrir samba ou polícia”, diz repórter sobre racismo na mídia

Publicado em Terça, 25 Novembro 2014 15:37

Escrito por Redação Comunique-se

 

O racismo no mercado jornalístico e a luta para que negros conquistem seus espaços foi tema de debate nesta semana. Realizado no Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, o evento, que debateu o assunto por mais de duas horas, reuniu profissionais da imprensa. Na ocasião, um dos participantes, o repórter fotográfico José de Andrade, afirmou que negros sempre foram colocados para cobrir samba ou polícia. As informações são da própria entidade.

 

Evento aconteceu no Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (Imagem: Reprodução/Sindicato)
Evento aconteceu no Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (Imagem: Reprodução/Sindicato)

 “A discussão do racismo não deve se dar somente em novembro. Tem que ser permanente, o ano todo – principalmente no meio jornalístico. Poucos são os que se destacaram fora dessas duas editorias (samba ou polícia). No entanto, nós estamos chegando. Onde antes tinha um, agora são três ou quatro. Isso incomoda os brancos, que passam a hostilizar a gente”, disse o profissional, que faz parte do Coletivo de Fotógrafos Negros.

Além de Andrade, outros jornalistas participaram do evento, entre eles o fotojornalista Carlos Junior, que já foi vítima de racismo. Na ocasião, ele contou os episódios. A primeira vez, durante a Copa do Mundo, quando foi hostilizado por torcedores argentinos, e a segunda quando foi alvo de policiais ao cobrir uma manifestação. “Teve ainda a cobertura da visita do Obama, quando apenas eu e mais dois colegas éramos negros entre os mais de 40 fotógrafos credenciados. Ainda tive que ouvir comentários de outros profissionais, que questionavam se eu era capaz de fotografar o presidente americano”, lembrou.

Organizado pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira Rio) e Comissão de Segurança dos Jornalistas do Rio, o encontro faz parte do Ciclo de Debates Zumbi dos Palmares. Para o integrante da Cojira Rio, Miro Nunes, o debate pode ajudar a promover a igualdade racial no mercado de trabalho. “Queremos trabalho especialmente para os mais jovens, os cotistas nas universidades e um melhor e mais aprimorado currículo no curso de jornalismo, que contemple horizontes interligados à luta da Cojira, como por exemplo, questões ligadas aos Direitos Humanos”, explicou.

 

Extraído do Portal Comunique-se
http://portal.comunique-se.com.br/index.php/destaque-home/75747-negros-sempre-foram-colocados-para-cobrir-samba-ou-policia-diz-reporter-sobre-racismo-na-midia-info

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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