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Nem sempre tem batizado: saiba como são as iniciações religiosas

Budismo, candomblé, catolicismo, espiritismo, islamismo, judaísmo, protestantismo, testemunha de Jeová e umbanda: cada uma encara o assunto de uma forma.

Por Raquel Drehmer

access_time31 ago 2017, 15h04 – Publicado em 30 ago 2017, 22h11

(Carolina Yukie Horita/MdeMulher)

Nosso país é majoritariamente cristão: os dados mais recentes do IBGE sobre declaração espontânea de confissão religiosa mostram que 64,6% dos brasileiros são católicos e 22,2% são protestantes. Ou seja, 86,8% das pessoas passam, em algum momento, pelo batizado (embora haja bastante diferença entre os ritos católicos e protestantes).

Mas há uma parcela que segue outras religiões ou doutrinas – 5,2% da população, já que 8% declararam não ter religião –, e para essas famílias a iniciação religiosa é completamente diferente.

Saiba, a seguir, como são as tradições (ou a ausência delas) nas nove religiões ou doutrinas mais significativas do Brasil, organizadas em ordem alfabética.

Budismo

É na fase adulta que os budistas passam pela iniciação formal, chamada de “ordenação leiga”. É preciso cerca de um ano de preparação até a cerimônia, em que um mestre ou superior de templo dá à pessoa, que se veste de preto, um novo nome e sua ordem na linhagem de Buda. Amigos e familiares podem acompanhar o ritual.

Candomblé

Os membros do candomblé devem louvar seu orixá e isso só é possível depois da iniciação. No sétimo dia de vida para meninas, oitavo dia de vida para gêmeos ou nono dia de vida para meninos, é realizada a Ikomojádê, cerimônia em que o bebê recebe um nome religioso africano e em que o pai-de-santo é consultado para indicar qual é o orixá dessa criança. Uma mulher joga água por todos os lados enquanto reza em voz alta e é escolhido um casal de padrinhos para o bebê.

Catolicismo

A iniciação religiosa católica é o batismo, realizado no primeiro ano de vida do bebê. Nele, um padre unge o peito do bebê com óleo, faz o sinal da cruz sobre ele e, por fim, derrama água benta em sua cabeça. Há igrejas em que é feito o mergulho do bebê na pia batismal. O batismo é confirmado na primeira comunhão (por volta dos nove anos de idade) e na crisma (a partir dos 14 anos).

Espiritismo

A doutrina espírita não segue rituais e não adota o batismo. Segundo o Instituto Chico Xavier, a justiça divina para aqueles que foram caridosos e seguiram a vontade de Deus não está condicionada ao fato de eles terem sido ou não batizados.

Islamismo

A primeira coisa que um bebê muçulmano deve ouvir é a palavra de Deus. Por isso, logo após o nascimento, o pai fala ao ouvido do pequeno o azan – o pronunciamento dos fundamentos da religião. Quando o bebê completa uma semana de vida, seus cabelos são raspados e seu peso em prata é doado pelos pais a uma família menos favorecida. Nesta cerimônia é escolhido ou revelado o nome da criança. Logo depois é feito o akika, um banquete com carne de carneiro como prato principal.

Judaísmo

A menina judia recém-nascida recebe seu nome na sinagoga, perante a Torá (cinco livros que contêm o texto central do judaísmo); já o menino recebe seu nome durante a circuncisão, realizada na presença de dez homens. A iniciação religiosa, porém, vem só na adolescência, aos 12 anos para as meninas (no bat-mitzvá) e aos 13 anos para os meninos (no bar-mitzvá). Eles leem trechos da Torá e recitam orações em hebraico. Depois, é comum haver uma grande festa para familiares e amigos.

Protestantismo

As várias igrejas protestantes – luteranas, presbiterianas, anglicanas, batistas, adventistas, pentecostais e neopentecostais – seguem a mesma linha de iniciação religiosa: o batismo, realizado por volta dos 10 anos de idade ou já na vida adulta. O ideal é que cada um passe pelo ritual apenas quando manifestar vontade de fazê-lo, sem ser forçado. Na cerimônia, a pessoa é totalmente imersa na água, assim como Jesus Cristo foi batizado por João Batista no rio Jordão. O pastor faz algumas perguntas, que são respondidas pelo fiel, e orações são feitas pelos familiares e amigos presentes para abençoar o momento.

Testemunha de Jeová

Os testemunhas de Jeová estudam por bastante tempo até poderem ser batizados, normalmente já adolescentes ou adultos. Passa-se por um período de troca de conhecimentos, disseminação da palavra da religião e orientação até poder falar com o coordenador do corpo de anciãos da congregação sobre o desejo de ser batizado. Outros anciãos farão perguntas sobre os ensinos bíblicos e, se concordarem que a pessoa está habilitada, permitirão o batismo. Na cerimônia, a pessoa é totalmente mergulhada na água.

Umbanda

O pai-de-santo ou a mãe-de-santo do terreiro frequentado pela família celebra o batizado. Na cerimônia, o bebê recebe seu nome e é abençoado com óleo, sal e água corrente (de fonte ou de cachoeira). Todos devem se vestir de branco e o clima é de seriedade e respeito aos Babalorixás e Ialorixás.

 

Extraído do site Bebe.com, do grupo Abril / São Paulo – SP
https://bebe.abril.com.br/familia/batizado-como-sao-as-iniciacoes-religiosas/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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