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Nem tudo são flores: mergulhadores retiram 150 kg de lixo do mar após festa de Iyemanjá

Os mergulhos na Praia de Santana fazem parte da Campanha Balaio Verde, idealizada pela Secis

Thiago Freire (thiago.freire@redebahia.com.br)

04/02/2016 06:00 Atualizado em 04/02/2016 06:13:15

 

Espelho e imagem de Iemanjá que estavam no fundo do mar (Foto: Marina Silva/CORREIO)
Espelho e imagem de Iemanjá que estavam no fundo do mar
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Com snorkel, máscara de mergulho e pé-de-pato, Bruno Souza mergulhou no mar do Rio Vermelho à procura de artefatos curiosos. Do fundo do oceano, pescou espelhos, perfumes, balaios, pentes e brincos. 

Ele e outros sete mergulhadores retiraram, na manhã de ontem, 150 kg de lixo da Praia de Santana.

Quase todo o lixo era composto de oferendas para Iemanjá, depositadas desde segunda-feira. A ação foi uma parceria entre a Secretaria Municipal da Cidade Sustentável (Secis) e a Escola de Mergulho Galeão Sacramento.

Bruno, 38 anos, é instrutor e dono da escola de mergulho e faz parte do Projeto Fundo Limpo, que realiza limpezas na praia da Barra há 21 anos.

Acostumado a limpar a praia após períodos que acumulam muito lixo, como o Carnaval, foi a primeira vez que o projeto foi executado no Rio Vermelho.

“Algumas pessoas têm resistência, porque mexe com a religião. Por outro lado, o resíduo desse presente demora muitos anos para se decompor”, explica Bruno. A ação foi tão bem-sucedida que já está no calendário da escola para ser feita em 2017.

Os mergulhos na Praia de Santana fazem parte da Campanha Balaio Verde, idealizada pela Secis. O objetivo é conscientizar a população a ofertar presentes biodegradáveis à Rainha das Águas.

Agentes da pasta distribuíram panfletos durante a festa e conversaram com as pessoas que iam presentear Iemanjá. A Secis espera que os devotos levem ao mar pentes de madeira, bonecas de pano e perfumem o balaio em vez de depositar o frasco.

Além da conscientização, a campanha mobilizou a limpeza da praia antes e depois da festa. Ontem pela manhã, um dia após a festa, os mergulhadores receberam um incentivo a mais: quem tirou mais lixo levou uma premiação em equipamentos de mergulho.

A retirada dos presentes ainda não é consenso. Algumas pessoas acreditam que é um desrespeito às tradições religiosas. “Acho que (os presentes) não deveriam ser retirados, mesmo que seja para limpar. Se alguém deu um presente pra Iemanjá, é com ela que tem que ficar”, opinou a técnica de enfermagem Tânia Lúcia, 55. Católica, ela presenteou o orixá com flores.

Pedidos para que os presentes sejam biodegradáveis já são feitos há alguns anos por ambientalistas e associações. Mãe Stella de Oxóssi foi mais radical: orientou seu terreiro, o Ilê Axé Opô Afonjá, a presentear Iemanjá apenas com cânticos, a partir deste ano.

 

Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO

Bruno explica que a intenção não é mexer nos presentes, apenas retirar materiais poluentes. “Tudo que era de plástico ou de vidro retiramos. Louça de barro se decompõe; sabonete esfarela. Nessas coisas, nem tocamos”, disse.

A tradição começou há 92 anos com os pescadores da região, que presentearam Iemanjá em um período escasso de peixes. A Colônia de Pescadores Z1 leva, todos os anos, um presente principal em um local a 5 km da praia, apelidado de Buraquinho da Iaiá. Este ano, o presente continha uma baleia feita em fibra de vidro oco. Os mergulhadores do Projeto Fundo Limpo não foram ao local.

Além da coleta de lixo localizada da Secis, a Limpurb realizou uma limpeza em todo o Rio Vermelho. Na madrugada de ontem, 263 profissionais recolheram cerca de 60 toneladas de lixo. Foram utilizados oito compactadores, nove caminhões, nove carros-pipa e dois carros de apoio na operação.

 

Veja mais em: http://www.correio24horas.com.br/single-carnaval/noticia/nem-tudo-sao-flores-mergulhadores-retiram-150-kg-de-lixo-do-mar-apos-festa-de-iemaja/?cHash=606f16c9251b97621907d0b4abdf9b5e Correio da Bahia

 

Extraído do site do jornal Correio 24horas / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/single-carnaval/noticia/nem-tudo-sao-flores-mergulhadores-retiram-150-kg-de-lixo-do-mar-apos-festa-de-iemaja/?cHash=606f16c9251b97621907d0b4abdf9b5e

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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