Breaking News

Desde 2012, SDH recebeu 76 denúncias de intolerância às religiões africanas

Neste ano, já foram 20 denúncias de discriminação contra praticantes de crenças como o Candomblé e a Umbanda

Étore Medeiros Ana Pompeu - Correio Braziliense Publicação: 12/09/2014 08:45 Atualização: 12/09/2014 16:00
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press/Arquivo
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press/Arquivo
O preconceito assola a população negra nas mais variadas situações do cotidiano brasileiro. Uma delas se manifesta por meio da intolerância religiosa, quando a relação com o sagrado é diferente da apresentada pelo cristianismo. Um dos traços mais marcantes da mistura cultural que caracteriza o Brasil, as religiões de matriz africana são alvo de incompreensão e hostilidade. Desde 2012, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) registrou 76 denúncias de discriminação contra praticantes de crenças como o candomblé e a umbanda. Só em 2014, já são 20 ocorrências, que podem ir desde ameaças, até a violência psicológica e física. Os adeptos da umbanda e do candomblé representam quase 600 mil brasileiros, ou 0,3% da população. O caso mais recente de intolerância a ganhar notoriedade aconteceu no Rio de Janeiro e levou o prefeito da cidade, Eduardo Paes, a se desculpar pessoalmente com um aluno de 12 anos, na semana passada. O menino foi barrado pela diretora na porta do colégio por usar guias de candomblé, colares próprios da religião. Em junho, Conceição de Lissá enfrentou o oitavo ataque contra a casa de candomblé que dirige, em Duque de Caxias, também no Rio. Desta vez, o incêndio foi no prédio, mas a mãe de santo já teve carros queimados e o barracão alvejado por tiros. Elias Oliveira, coordenador-geral de Promoção de Diversidade Religiosa da SDH-PR, explica que, em geral, o preconceito começa com ameaças verbais, mas pode gerar situações como a vivida por Conceição. “A ameaça quase sempre precede outros tipos de violência”, lamenta. Apesar de não ter dados que sustentem a ligação entre o preconceito religioso e o racial, Oliveira pondera que “indiscutivelmente há uma associação desse tema com o racismo”. A percepção não é exclusiva de Oliveira, tanto que o Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Intolerância contempla medidas para coibir a violência em terreiros. Para Wanderson Flor do Nascimento, a intolerância religiosa está intimamente ligada ao preconceito racial. Ele é coordenador do Coletivo de Entidades Negras do Distrito Federal e integrante da Rede Nacional de Religiões Afrobrasileiras e Saúde. “É uma forma específica de racismo. São religiões de negros, que cultuariam o demônio. Essa é a principal razão pelas quais elas são atacadas.” Para ele, não enxergar a intolerância religiosa como racismo gera dificuldades para pensar em políticas públicas voltadas para a superação do problema.   Extraído do site Diário de Pernambuco http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2014/09/12/interna_brasil,529025/desde-2012-sdh-recebeu-76-denuncias-de-intolerancia-as-religioes-africanas.shtml

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *