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No dia seguinte à Festa de Iemanjá, caçadores de oferendas passam o dia coletando presentes

Um dia depois da festa para a Rainha do Mar, jovens e idosos procuravam objetos oferecidos à orixá durante homenagem

Redação Correio 24 horas

Publicada em 04/02/2014 às 08h34. Atualizada em 04/02/2014 às 08h36

 

De olhos atentos na areia, dentro d’água e entre as pedras, caçadores de oferendas trabalhavam, ontem de manhã, no garimpo de presentes oferecidos a Iemanjá, na praia do Rio Vermelho. Um dia depois da festa para a Rainha do Mar, jovens e idosos procuravam objetos oferecidos à orixá. “A gente encontra um bocado de coisas que a maré traz de volta. Tô aqui desde cedo. É assim mesmo, quem não anda não acha”, contou o pescador Reinaldo Ferreira, 69 anos, conhecido como Ferry-boat, com bolsos cheios de brincos, pulseiras e colares.

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Desde cedo, ‘caçadores de oferendas’ percorrem a enseada da praia do Rio Vermelho, um dia após festa, que reuniu mais de 400 mil pessoas no bairro, para homenagear a orixá

 

Já o aposentado Agnaldo Santos, 67, procurava velas. “Faço trabalhos de artesanato com parafina e acabo achando muitas que o mar traz de volta”. O trabalho acaba ajudando na limpeza da praia — suja desde o dia da festa, com oferendas nada biodegradáveis como bonecas de plástico, sabonetes perfumados e frascos de alfazema. Mas além dos que pegam o que Iemanjá “devolve”, há os que tomam até o que está no fundo do mar.

“Tem gente que mergulha para pegar os presentes que foram colocados ali na Enseada de Santana”, disse Marcos Souza, o Branco, presidente da Colônia de Pescadores Z-1.  “Faço isso há mais de 10 anos. E tenho que ter paciência  porque daqui a dois dias ainda vai ter presente voltando pra areia”, explicou o pintor Júlio Santos, 23.

Sem culpa: homem mostra argolas e anéis ‘devolvidos’ por Iemanjá e recolhidos na praia
Sem culpa: homem mostra argolas e anéis ‘devolvidos’ por Iemanjá e recolhidos na praia

 

E será que Iemanjá se incomoda? Pai Valdemi, do Terreiro Santa Bárbara, afirma que quem coleta não corre risco de sofrer punições. “Todos os presentes que voltam para a praia são objetos que Iemanjá não quis. Foram dados a ela por pessoas sem carinho, respeito e sem amor no coração. Se as pessoas roubassem os presentes antes de serem entregues ao mar, essas sim seriam punidas, pois isso é uma forma de vandalismo”, explicou.

Em passeio rápido, outro recolhe três frascos de vidro com perfume; a orixá agradece
Em passeio rápido, outro recolhe três frascos de vidro com perfume; a orixá agradece

 

Já Mãe Carmem França, ialorixá do terreiro Ilê Axé Oya Mesi, afirma que os caçadores de oferendas pagam, sim, pela coleta. “Quem colocou pode ter colocado com amor, ter feito os seus pedidos. Quem pegou vai pagar. Pode não pagar no mesmo dia, na mesma semana, mas paga”, disse. A Limpurb informou que, só na manhã de ontem, foram removidas 53,18 toneladas de lixo, entre a praia e as ruas do bairro.
Matéria original do Correio
No dia seguinte à Festa de Iemanjá, caçadores de oferendas passam o dia coletando presentes

 

Extraído do Portal de Notícias Ibahia.com

http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/no-dia-seguinte-a-festa-de-iemanja-cacadores-de-oferendas-passam-o-dia-coletando-presentes/?cHash=779dcc5582c53dbe12098e99c8206cce

 

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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