Breaking News

No tabuleiro da baiana em Salvador: acarajé é comida sagrada oferecida a orixás

Por Arthur Veríssimo -   19 de fevereiro de 2016   DSC_1061-696x466 Mestre Ary Barroso escreveu e cantou assim: “No tabuleiro da baiana tem/Vatapá, oi/ Caruru/ Mungunzá/ Tem umbu/ Pra ioiô”. Estou literalmente frente a frente do tabuleiro da baiana, em Salvador (BA), esperando para dar uma abocanhada no primeiro acarajé do dia. O acarajé é conhecido na África como àkàrà, que significa bola de fogo. Em português, palavrinha “je” se traduz como comer. Na Bahia as duas palavras foram reunidas e se transformou em acarajé, isto é, comer bola de fogo. Meus olhos e olfato acompanham todo o processo da fritura do bolinho de feijão-fradinho dentro da panela funda, borbulhando com azeite de dendê. Sinto a boca e o espírito salivarem de desejo. Estou completamente hipnotizado. O acarajé, como todo prato da culinária afro-baiana, é considerado uma comida sagrada, porque se relacionam aos seus orixás. O apetitoso acarajé é uma comida-ritual oferecida para o orixá Iansã. DSC_1051-696x466 Uma lenda africana conta que Iansã, após se separar de Ogum e se unir a Xangô, foi enviada pelo segundo marido à terra dos baribas em busca de um preparado que, ingerido, lhe desse o poder de cuspir fogo. A deusa então provou do líquido e ganhou o poder. A receita está longe de ser secreta, mas, conforme a tradição, não pode ser alterada e tem de ser feita apenas por filhos de santo ou pessoas conectadas com os orixás. Tradicionalmente, o primeiro acarajé sempre é oferecido ao orixá Exu como a maioria de todos os pratos e cerimônias. DSC_1047-696x466 DSC_1048-696x466 O saboroso legado africano da culinária regional baiana se expandiu e instalou-se nas mesas de muitas casas e restaurantes pelo Brasil. O Largo Santana à beira da praia do rio Vermelho, em Salvador, se converteu há décadas em um espaço onde soteropolitanos e turistas se deliciam com os superacarajés e abarás que as baianas tradicionais preparam todo santo dia ao cair da tarde. Na primeira mordida quase engoli metade, de tão saboroso. O sanduíche de feijão-fradinho vem recheado de cebola, tomate pimenta malagueta refogada no dendê. Não consigo parar de comer e devoro outro. A iguaria é divina, e o terceiro e derradeiro, minha oferenda para celebrar em meu organismo. Extensas filas serpenteiam por todas as bancas de acarajé no Largo Santana. Quando for a Salvador, não deixe de dar um pulo na praia do Rio Vermelho e se iniciar nos segredos do tabuleiro da baiana. Ali o axé transborda e fervilha. DSC_1046-696x466 Onde ficar em Salvador Golden Tulip Minha última estadia fiquei no delicioso Golden Tulip Rio Vermelho. O hotel está no topo de uma colina no bairro de Rio Vermelho. Os quartos com vista para o oceano são deslumbrantes. Café-da-manhã riquíssimo, além de uma piscina estonteante no cume. Fica pertinho do Largo de Santana, meca dos acarajés e abarás. Ibis Salvador Rio Vermelho Muito bem localizado. Equipe impecável e serviços de primeira. Os quartos são confortáveis e modernos. Os preços são imbatíveis. DSC_1053-696x466 Extraído do blog do Jornalista Arthur Veríssimo http://arthurverissimo.virgula.uol.com.br/2016/02/19/no-tabuleiro-da-baiana-em-salvador-acaraje-e-comida-sagrada-oferecida-a-orixas/   Arthur Veríssimo Vieira de Mello Pereira (56), mais conhecido como Arthur Veríssimo, é um comunicador e agitador cultural, que busca sempre trazer o inusitado para o cotidiano do cidadão comum, confrontando-o com novas realidades e aspectos culturais. Contate-nos: arthur@arthurverissimo.com.br  

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *