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Nova delegacia especializada vai coibir crimes de discriminação e intolerância no AM

Unidade deverá ficar localizada na av. Boulevard Álvaro Maia e vai substituir a Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops)

13/12/2016 às 05:00 – Atualizado em 13/12/2016 às 12:29

 

Evento para marcar encerramento da Semana Internacional dos Direitos Humanos teve a presença de representantes de várias religiões / Fotos: Antonio Menezes e Paulo André Nunes
Evento para marcar encerramento da Semana Internacional dos Direitos Humanos teve a presença de representantes de várias religiões / Fotos: Antonio Menezes e Paulo André Nunes

Paulo André Nunes | Manaus (AM)

O Estado do Amazonas deverá contar, a partir do próximo ano, com uma delegacia especializada em repressão a crimes de discriminação e intolerância em seus mais diversos aspectos. A confirmação veio ontem por parte da secretária estadual de Justiça e Direitos Humanos, Graça Prola, durante o encerramento da Semana Internacional dos Direitos Humanos realizada na sede do Governo do Estado.

A nova especializada deverá ficar localizada em um espaço no Boulevard Álvaro Maia, onde ficava instalado, há alguns anos, o 1º Distrito de Polícia. Ela vai substituir a Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops). Com a sua criação, a delegacia do tipo tipificaria os crimes em questão e acabaria, em princípio, com o proselitismo de não se registrar uma ocorrência em questão como crime de intolerância, por exemplo, segundo entidades ouvidas por A CRÍTICA.

“A criação da delegacia ainda está tramitando da Casa Civil para a Assembleia Legislativa. A proposta é que os deputados votem a criação da especializada até dia 20 de dezembro, quando encerra o ano legislativo. O doutor Sérgio (Fontes, secretário de Estado da Segurança Pública (SSP)) está correndo atrás. Nós e o jurídico dele já fizemos a revisão e já foi encaminhado via  Casa Civil, pois é mensagem governamental. Não é a criação de um órgão, mas a substituição da Deops, e sem impacto financeiro de despesa”, informou a secretária Graça Prola.

Até que enfim

A notícia foi bastante comemorada pelo coordenador-geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matrizes Africana (Aratrama), Alberto Jorge Silva. Um dos representantes dos cultos afro-descendentes, ele evidenciou que a criação da especializada é uma ação prática das discussões em torno dos Direitos Humanos.

“Não adianta nada ter um falatório, essa coisa toda sem ter uma ação prática. A criação da delegacia de combate aos crimes contra a intolerância para nós é fundamental. Que o estado faça mover essa máquina pois a partir do momento que houver a punibilidade, a punição desses crimes, nós acreditamos que isso vá ajudar a conter essa onda de violência. Não é possível Manaus ter tido, em 10 anos, 15 assassinatos de pessoas de terreiros em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo por parte de evangélicos. E não dá para o nosso povo se dirigir até uma delegacia e não conseguir fazer um boletim de ocorrência e esse tipo de agressão ficar constando como briga de vizinhos”, disse o representante da Aratrama.

Frase

“Há uma guerra de fundo religioso. Temos 15 mortos em dez anos. Tive meu rosto arrebentado, e minha mãe quase morre com uma pedrada. E isso ‘corre’ na Justiça como briga de vizinho”, disse Alberto Jorge, coordenador geral da Aratrama.

Tiros após discussão sobre crenças

A nova delegacia  contra crimes de discriminação e intolerância pode ajudar pessoas como  a dona de casa e mãe de santo Maria Francisca Santos Lopes, 58, cuja filha, Mariluce Santos Lopes, foi vítima de intolerância no bairro do Zumbi dos Palmares, Zona Leste, ano passado. Seis tiros à queima roupa foram disparados na direção dela,  que só se salvou porque seu esposo, correu para a sua frente para evitar o assassinato.

“Isso ocorreu ano passado. Foi intolerância pois o povo não suporta as nossas crenças. Houve discussões sobre religião e atentaram contra a vida dela. O seu marido caiu por cima dela e os seis tiros pegaram nele, que teve que sair de Manaus”, comentou ela, que acusa evangélicos radicais pelo crime.

“Coisas assim ocorrem todo dia”, ressalta ela, que estava ontem no encerramento da Semana Internacional dos Direitos Humanos.
A mãe de santo prega a humanidade.  Minha opinião é que todos deveriam dar as mãos pois Deus é um só. Não existe preto, branco, pardo. Só um Deus e que gritamos o nome Dele quando estamos aflitos”, comenta Maria Francisca Santos Lopes.

Escassez de verbas
O governador José Melo ressaltou “que as igrejas católicas, evangélicas, umbanda e minorias estão juntos no trabalho pelos direitos humanos”. Agora, para que as políticas públicas alcancem êxito, falou que são precisos recursos, algo que “hoje em dia é escasso”. Neste ano a Sejusc teve um orçamento de R$ 82 milhões. Para 2017, será 20% contingenciado.

 

 

Extraído da versão digital do Jornal A Crítica / Manaus – AM
http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/nova-delegacia-especializada-visa-coibir-crimes-contra-a-intolerancia

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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