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Novo livro de Reginaldo Prandi revela universo dos orixás a adolescentes


Divulgação
Ilustração de Rimon Guimaraes para o livro ‘Aimó’, de Reginaldo Prandi

 

FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

08/07/2017  02h10

 

Reginaldo Prandi já escrevera livros sobre religiões afro-brasileiras para crianças e adultos. Um dos principais pesquisadores do país de sociologia das religiões, em especial das de origem africana, ele retoma seu tema favorito com o romance “Aimó – Uma Viagem Pelo Mundo dos Orixás”, voltado a adolescentes.

Aimó é o nome da protagonista, uma garota africana que foi escrava no Brasil e morreu antes de virar adulta. No romance, o espírito da menina vaga pelo Orum, o mundo espiritual, em busca de renascimento no Aiê, lugar dos vivos, a Terra.

Quem a conduz na viagem são Ifá, o deus do oráculo nas tradições iorubá e nagô, e Exu, transformado por Prandi num bom malandro, figura anárquica com a qual o leitor acabará por simpatizar.

“Transformei Exu, o orixá mais maltratado, que no Brasil é sinônimo de diabo, em personagem principal do livro [junto com a protagonista]”, diz o autor. “Fiz dele um herói ‘trickster’, um desses personagens místicos que gostam de pregar peças e fazer trapalhadas, como o Saci.”

Pelo caminho, Aimó é apresentada à mitologia dos orixás e conhece os principais, pois terá de escolher, ao fim da jornada (e do livro) de qual deles/delas será filha ao renascer. Contar o desfecho seria um spoiler. Mas pode-se dizer que o improvável epílogo é ambientado no Mercadão Central de São Paulo.

Karime Xavier – 23.ago.2012/Folhapress
O sociólogo Reginaldo Prandi, autor de ‘Aimó’, em foto de 2012

“Aimó” é o 35º livro de Prandi, 71. Paulista de Potirendaba, ele é professor aposentado de sociologia da USP e continua orientando teses na universidade. No ano passado, segundo levantamento a partir dos balancetes das editoras, alcançou a marca de um milhão de livros vendidos. Para um tema pouco divulgado, num país que lê pouco, é um fenômeno.

Parte desse êxito se deve à adoção dos seus livros em programas governamentais. Prandi vê como fator crucial o interesse do público por mitologia, de qualquer cultura.

Os carros-chefes entre seus best-sellers são “Mitologia dos Orixás” –obra de referência que reúne relatos sobre esses deuses– e “Minha Querida Assombração” –baseado em lendas da cultura caipira do interior de São Paulo–, ambos pela Companhia das Letras, casa que abriga o selo Seguinte, voltado para jovens, pelo qual sai “Aimó”.

Misto de tradição com ficção, o novo livro é muito didático, seja no texto ou nos aparatos ao fim do volume –uma nota do autor, um glossários sobre o tema, uma lista de orixás e um guia sobre o oráculo de Ifá (como ler os búzios, por exemplo).

Prandi conta que busca fazer os leitores gostarem da cultura afro-brasileira. “Se você gosta dos elementos de uma cultura, passa a ter menos preconceito. É um livro militante contra o preconceito religioso, que é também um preconceito racial.”

Questionado sobre sua religião, Prandi é matreiro feito Exu: “Tenho todas e nenhuma. É uma defesa, pois é meu objeto de trabalho, não posso fechar a porta de nenhuma delas. Quem estuda religião acaba descobrindo que é melhor não ter nenhuma”.

Mas é um filho de santo, adepto do candomblé ou da umbanda? “Sou um ogã, uma categoria à parte, alguém que está ligado ao grupo, uma espécie de protetor. O candomblé não tem ato de fé, não é preciso dizer que acredita para participar.”

Aimó
Reginaldo Prandi

Mas tem um orixá? “Todo mundo tem um orixá. O meu é Oxalá, o orixá da criação.”

*

AIMÓ
AUTOR Reginaldo Prandi
ILUSTRAÇÕES Rimon Guimarães
EDITORA Seguinte
QUANTO R$ 39,90 (200 págs.)

 

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Extraído do Caderno Ilustrada do site do Jornal Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/07/1899335-romance-de-prandi-revela-cultura-afro-brasileira-para-adolescentes.shtml

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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