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Novo reitor da UFBA revela como será sua gestão nos próximos quatro anos

por Noemi Flores | Publicada em 05/09/2014 01:08:00

 

Combate de todas as formas de discriminação e intolerância, criação de ouvidoria para alunos, mobilização para ampliar recursos destinados  a obras de ampliação e  realização de um congresso para avaliação democrática e reflexão das políticas implantadas na instituição são ações imediatas enumeradas pelo novo reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), João Carlos Salles  e o vice-reitor Paulo Miguez, em  entrevista para a Tribuna da Bahia.

A cerimônia de transmissão de cargo para o quadriênio 2014 a 2018 será na segunda-feira (8/9).

O novo reitor  ressalta que a Ufba, apesar de alguns problemas para enfrentar e solucionar,  não se constitui em apenas uma universidade, é uma referência fundamental no ensino, pesquisa e extensão do estado e do país. “A Ufba é e sempre foi um agente, onde há vocação com mais inventividade e com mais talento. Não se relaciona com a comunidade só dando diplomas, mas ouvindo, escutando, dialogando.”

Salles disse ainda que começam uma gestão dando continuidade há muitas ações que já foram feitas. Por exemplo, há muita preocupação nas políticas de ações afirmativas, uma delas é a que deu grande passo com a introdução de cotas que introduzem nas universidades alunos de todas as camadas sociais e raças.

Para o reitor, a importância desta política não está só no fato do aluno cotista ingressar na universidade, a instituição deve também trabalhar com a sua  inclusão social.

“Precisamos garantir que a universidade favoreça a permanência, diminuindo a distância entre aluno e universidade, prestando assistência estudantil. Cabe à instituição pública combater todas as formas de discriminação.  Considero como parte de nossa luta combater o autoritarismo, a homofobia e as intolerâncias religiosas.

O vice-reitor Paulo Miguez citou um exemplo de um aluno, de outra instituição do país, que sofreu intolerância religiosa pela professora por usar uma figa no pescoço. “O combate às manifestações de autoritarismo implica em uma atuação forte contra a intolerância religiosa”, afirmou, acrescentando que  o Brasil é uma nação laica.

Outro ponto fundamental, destacado por ambos, está relacionado com a diferença entre cursos,  ou seja um maior reconhecimento em uns cursos em detrimento de outros. De acordo com o reitor “os cursos não podem ser tratados como inferiores, todos os cursos são iguais. Não há estudo de segunda linha “, salientou.

Ouvidoria

A nova reitoria vai criar de imediato uma Ouvidoria para acolher denúncias, analisar a situação juntamente com a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae) e ajudar o aluno que esteja sofrendo qualquer tipo de discriminação.

“A gestão tem sensibilidade que vai possibilitar o acesso, incluir e criar todas as condições para o aluno. Lutar contra a discriminação que não se encerra na universidade, mas na relação com a sociedade na formulação de políticas públicas que vão traduzir nossas ações”, destacou o reitor.

Há também uma preocupação dos novos dirigentes da Ufba na política de pós-permanência, já existe mas que precisa ser mais intensa. Paulo Miguez: disse estar atento à geração de emprego. “Não podemos ser omissos, temos uma responsabilidade social e vamos aprofundar os programas de bolsas e estágios.”

Em relação aos alunos cotistas, indagado sobre como anda a avaliação do aproveitamento estudantil em relação aos outros, João Salles afirmou que “há cursos em que os cotistas estão igual aos outros alunos e até mesmo superior, mas ainda é uma minoria, complementado que as notas menores dos cotistas estão “nos cursos onde a concorrência é maior e exige o conhecimento de matemática, o que se pode refletir na educação básica”, lamentou, destacando que se deve lutar pela melhoria da educação básica pública.

Algumas obras na universidade, relativas à ampliação,  se encontram paralisadas por falta de recursos, isto tem sido motivo de preocupação por parte da nova reitoria. “Cresceu muito, aumentou a área de cursos e o que recebemos não dá mais. Temos que nos mobilizar para ampliar recursos e contratações “, informou o reitor.

Com a ampliação, a universidade  necessita de mais funcionários tanto no quadro de docentes, servidores técnico administrativo, segundo o reitor, e uma reavaliação no quadro dos terceirizados.

Salles alega que é preciso dialogar sobre estas contratações com as empresas terceirizadas, pois há muita irregularidade, citando como exemplo: “Há pessoas trabalhando que nunca tiraram férias”, lamentou.

 

Extraído do site do jornal Tribuna da Bahia

http://www.tribunadabahia.com.br/2014/09/05/novo-reitor-da-ufba-revela-como-sera-sua-gestao-nos-proximos-quatro-anos

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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