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O movimento é afro

Hoje (1), a partir das 19h, a Vila das Artes será palco da oficina “Dança dos Orixás” e de uma roda de capoeira

 

00:00 · 01.09.2016 por Roberta Souza – Repórter

31 AGOSTO DE 2016 - Aula de DanÁa Guineense na Vila das Artes.  - CADERNO 3 - 01c30401  -  CL·UDIA RODRIGUES

Até o “gingado” do brasileiro ao caminhar tem uma herança. E ela é afro. Wagner de Oxúm e Ricardo Nascimento atestam isso. Os dois irão comandar logo mais à noite, a partir das 19h, uma atividade voltada à performance da cultura afrodescendente, com a oficina “Dança dos Orixás” e uma roda de capoeira.

A ação está prevista pelo Projeto de extensão que Ricardo comanda como professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), e é aberta ao público.

Oficina "Dança dos Orixás": ação integra projeto de extensão da Unilab e será seguido de roda de capoeira ( Foto: Cláudia Rodrigues/divulgação )
Oficina “Dança dos Orixás”: ação integra projeto de extensão da Unilab e será seguido de roda de capoeira ( Foto: Cláudia Rodrigues/divulgação )

Em atividade formal desde julho deste ano, o projeto foi desenvolvido com o objetivo de dar visibilidade às práticas performáticas da cultura africana e afrodescendente no Brasil, com base na trilogia cantar-dançar-batucar. Nesse sentido, ele conta, em sua programação, com aulas práticas e contínuas, em Fortaleza e Redenção, e também com atividades pontuais de caráter mensal, como é o caso desta oficina a ser realizada na Vila das Artes.

O primeiro contato de Ricardo com Wagner, por sinal, deu-se exatamente em uma atividade como a de hoje. Pai de santo, professor de artes, ator e professor de danças e teatro, Wagner de Oxúm é um estudioso da cultura afro e fundador do Afoxé Oxúm Odalá, bloco carnavalesco de afoxé. Quando soube da existência do projeto da Unilab, por meio de uma divulgação de uma oficina sobre a dança da Guiné, na Vila das Artes, tratou de comparecer.

“Toda vez que vejo qualquer coisa com a temática africana ou afrobrasileira, vou logo atrás. Foi então que eu conheci o trabalho do Ricardo e apresentei os meus, aí ele me convidou para ministrar oficina também”, conta Wagner.

Vivência

Mais do que uma oficina, no entanto, Wagner de Oxúm afirma que mediará uma vivência. A formação “Dança dos Orixás” destina-se a aprender movimentos e gestuais básicos das danças executadas no âmbito dos terreiros de candomblé. Segundo ele, cada orixá possui uma evolução performática própria e a oficina pretende dar noções básicas dessa performance.

“A proposta não é que as pessoas se convertam à minha religião, que venham ser adeptos, nada disso. É que elas vivenciem essa energia, que faz parte da força da natureza, dos quatro elementos; que tenham ideia do movimento da água, do fogo, da terra e do ar no nosso corpo”, argumenta o Pai de Santo. Wagner ressalta ainda a importância dessa formação em dança ser ministrada por ele, que pertence a uma religião africana.

“Às vezes, as pessoas só veem a questão da estética, do movimento, e não veem essa ligação com você, com essa energia que chamamos de axé. Aí elas deturpam, imaginam coisas que na verdade não são”, aponta.

“Quando você toca na temática da religião, seja lá qual for, tem que tocar com muito respeito. Você está lidando com uma das coisas que é de grande importância para o ser humano, que é a sua fé”, acredita o facilitador.

Público

Pessoas de todas as idades podem participar da atividade desta noite, que terá início com a formação ministrada por Wagner de Oxúm, e será finalizada com uma roda de capoeira organizada pelo professor Ricardo Nascimento. A inscrição pode ser feita na hora e a atividade é gratuita.

Apesar de pontual, esta ação pode ser ampliada. Para quem tiver interesse em aprofundar os estudos sobre a dança dos orixás e também em outras vinculadas à estética afro, Wagner convida a participar do grupo de dança Ekodidé, coordenador por ele. Os membros se reúnem todos os sábados, de 10h às 12h, no Teatro Antonieta Noronha.

Já a roda de capoeira conta com agenda fixa na Vila das Artes, todas as terças e quintas, a partir das 18h30. Alguns alunos imigrantes da Unilab, eventualmente, participam dessas e de outras ações do projeto em Fortaleza. E nos dias de segunda e quarta, também participam de formações em dança e percussão, em sua universidade.

“A maioria deles toca e dança. Alguns nem acham que o que fazem é relevante, dizem que não tem valor. Promover esses encontros é uma maneira de valorizar”, esclarece Ricardo Nascimento.

As próximas atividades previstas são uma oficina sobre a Dança de São Tomé e Príncipe – também na Vila das Artes, ainda com data a definir -, e um ciclo de debates com exibição de vídeos, em parceria com o Laboratório de Estudos da Oralidade (LEO), da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Fortaleza é uma cidade com muitos imigrantes, principalmente africanos. E essa população é muito invisível, estigmatizada. É preciso dar essa visibilidade, e a cultura é uma das ferramentas”, conclui Ricardo.

Mais informações:

Performances da Cultura Afrodescendente: Dança dos Orixás, com Pai Wagner de

Oxúm e Roda de Capoeira, com professor Rodrigo Nascimento. Hoje (1), das 19h às 22h, na Vila das Artes (R. 24 de Maio, 1221, Centro). Inscrição no local. Gratuito.

Contato: (85) 3252.1444

 

Extraído do site do Jornal Diário do Nordeste / Fortaleza – CE
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/o-movimento-e-afro-1.1609519

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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