Breaking News

O que é Quansar ? (cerimônia africana parecida com a celebração do natal cristão)

 

Amados e Amados, bom dia.

As religiões de matriz africana, ou as culturas africanas que não são dominadas pelos traços culturais judaicos cristãs não tem a celebração do Natal.

No Candomblé este rito não existe. A grande maioria celebra porque vivemos numa cultura predominantemente cristã então aproveitamos o feriado e os momentos de confraternização familiar, até porque entendemos Jesus, o Cristo, na minha concepção, como uma manifestação divina, que não é estranho para nós do Candomblé, uma divindade encarnada, nem um humano manifestando a natureza divina. É como se Jesus fosse um Nkisi, um Orixá, um Vodum, um Encantado de outra cultura, que não está nos nossos ritos, já que não pertence às origens das nossas crenças, mas temos respeito por Ele. Já a Umbanda, que é cristianizada, o recebe como o grande Orixá, que o sincretiza com Oxalá.

Mas tínhamos em nossas terras de Origens (seja Bantu, seja Yorubá, seja o antigo Dahomé), festas que celebravam as colheitas, o renascimento, os primeiros frutos, as chuvas, etc., que diante da grande luta de resistência dos afro-americanos pela liberdade e identidades, se criou, já agora na modernidade, mas fundamentado pela lembranças ancestrais, embora com elementos novos da nova terra, mas com eco na alma dos antigos ancestres, o Kwaanza, que passo a relatar abaixo.

Por isso, Feliz Kwanzaa para vocês!

P.S. As palavras são no idioma bantu Swhali.

Tata Ngunz’tala
http://associacaovidainteira.wordpress.com/

Sacerdote do Terreiro Tumba Nzo Jiomna dia Nzambi
Candomblé de Aangola – Ndanji Tumba Junçara
Grupo Umbanda Sagrada.

FOAFRO – DF e Entorno
61- 8124.0946 – Oi

62- 8222.8075 – TIM

61- 93120429 – Claro

Introdução

kwanzaa-2
Foto cortesia de Amazon.com
Símbolos do Kwanzaa

No final de dezembro, a época de festas está a todo vapor. Os cristãos celebram o Natal, que comemora o nascimento de Jesus. Os judeus celebram o Chanucá, que celebra a recuperação de seu templo sagrado em Jerusalém. Esses feriados são celebrações cheias de alegria em que as famílias e os amigos se juntam para compartilhar comida e presentes.

As pessoas de descendência africana têm sua própria celebração de dezembro, em que elas se juntam com os entes queridos para reafirmar os elos com a família e a cultura e também para compartilhar a comida e trocar presentes. Ela é chamada de Kwanzaa, e, embora seja relativamente nova se comparada com os outros feriados, ela se tornou um importante aspecto da prática da cultura africana nos outros continentes.

Neste artigo, vamos conhecer as raízes do Kwanzaa, descobrir o significado de seus símbolos e aprender sobre as tradições únicas que dão existência a essa celebração.

O que é Kwanzaa?

kwanzaa-1Foto cortesia do Departamento de Estado dos Estados Unidos
Selo emitido pelo governo dos Estados Unidos em 1997 em homenagem
ao Kwanzaa

Kwanzaa é um feriado pan-africano, o que significa que ele foi concebido para unir as pessoas de descendência africana de todos os lugares do mundo. Ele vai de 26 de dezembro a  de janeiro. Diferente do Natal e do Chanucá, que são feriados religiosos, o Kwanzaa é um feriado cultural (na verdade, muitas pessoas comemoram o Kwanzaa e o Natal). Durante os sete dias, descendentes de africanos se juntam para celebrar a família, a comunidade, a cultura e os elos que os unem como povo. Eles também relembram sua herança, agradecem pelas coisas boas que têm e exultam a bondade da vida.

O sete é um tema importante do Kwanzaa. O feriado dura sete dias, um dia para cada um dos sete princípios. Há sete símbolos básicos usados na cerimônia do Kwanzaa (um deles são as sete velas) e cada símbolo se une a um ou mais dos sete princípios.

 

A história do Kwanzaa

Como o Kwanzaa
obteve esse nome

Existe uma história que é mais ou menos assim: durante uma das primeiras celebrações do Kwanzaa, havia um cortejo de crianças. Cada uma das seis crianças segurava uma das letras da palavra “Kwanza”, que é como se escrevia o nome do feriado. Mas uma sétima criança, sem letra para segurar, começou a chorar. Alguém do evento deu à criança uma letra “a” a mais, e o feriado então foi renomeado como “Kwanzaa”.

Embora o Kwanzaa tenha começado há poucas décadas, suas raízes vêm das antigas celebrações africanas da colheita. O nome “Kwanzaa” vem da frase do indioma bantu em Swahili, “matunda ya kwanza,” que significa “os primeiros frutos“. Muitas das celebrações dos primeiros frutos, como, por exemplo, o Umkhost de Zululand na África do Sul, também tinham duração de sete dias.

O Kwanzaa foi uma criação do Dr. Maulana Karenga, professor e diretor do Departamento de Estudos Negros da Universidade do Estado da Califórnia (em inglês) e ex-ativista dos direitos civis. Ele apresentou o Kwanzaa em1966, uma época em que os afro-americanos lutavam por direitos iguais, como meio de ajudá-los a se conectarem com os valores e tradições africanas. O Dr. Karenga também quis que o Kwanzaa servisse como um elo para unificar os afro-americanos como comunidade e como povo. Ele escolheu as datas de 26 de dezembro a 1º de janeiro para coincidir com os feriados judeu e cristão, que já são uma época de celebração. E escolheu um nome que vem do idioma Swahili porque ele é falado por um grande número de pessoas no leste africano.

Na época das celebrações da colheita, os africanos se juntavam para celebrar suas safras e reafirmar seus elos como comunidade. Eles ofereciam graças ao seu criador por uma colheita generosa e uma vida plena. Eles honravam seus ancestrais e reafirmavam seu compromisso com sua herança cultural e também celebravam sua cultura e sua comunidade. Os ideias da colheita inspiraram o Dr. Karenga a criar os Sete Princípios do Kwanzaa.

 

Os sete princípios do Kwanzaa

O Kwanzaa está centrado nos sete princípios, Nguzo Saba (En-GOO-zoh Sah-BAH), que representa os valores da família, da comunidade e da cultura para os africanos e para os descendentes de africanos. Os princípios foram desenvolvidos pelo fundador do Kwanzaa, Dr. Maulana Karenga, baseados nos ideais das colheitas dos primeiros frutos.

Os princípios são:

  • umoja (oo-MOE-jah): união
    Estar unido como família, comunidade e raça;
  • kujichagulia (koo-jee-cha-goo-LEE-ah): auto-determinação
    Responsabilidade em relação a seu próprio futuro;
  • ujima (oo-JEE-mah): trabalho coletivo e responsabilidade
    Construir juntos a comunidade e resolver quaisquer problemas como um grupo;
  • ujamaa (oo-JAH-mah): economia cooperativa
    A construção e os ganhos da comunidade através de suas próprias atividades;
  • nia (nee-AH): propósito
    O objetivo de trabalho em grupo para construir a comunidade e expandir a cultura africana;
  • kuumba (koo-OOM-bah): criatividade
    Usar novas idéias para criar uma comunidade mais bonita e mais bem-sucedida;
  • imani (ee-MAH-nee): 
    Honrar os ancestrais, as tradições e os líderes africanos e celebrar os triunfos do passado sobre as adversidades.

Durante as festividades do Kwanzaa, os princípios são ilustrados por sete símbolos.
Os sete símbolos do Kwanzaa

kwanzaa-2
Foto cortesia de Amazon.com
Kinara, Mishumaa e Kikombe cha Umoja

Sete símbolos são exibidos durante a cerimônia do Kwanzaa para representar os sete princípios da cultura e da comunidade africana.

  • Mkeka (M-kay-cah): é a esteira (geralmente feita de palha, e que também pode ser feita de tecido ou papel) sobre a qual todos os outros símbolos do Kwanzaa são colocados. A esteira representa a base das tradições africanas e da história.
  • Mazao (Maah-zow): as safras, frutas e vegetais representam as celebrações da colheita africanas e mostram respeito pelas pessoas que trabalharam no cultivo.
  • Kinara (Kee-nah-rah): o candelabro representa a base original da qual todos os ancestrais africanos vieram e contém sete velas.
  • Mishumaa (Mee-shoo-maah): nas sete velas, cada uma representa um dos sete princípios. As velas são vermelhas, verdes e pretas, cores que simbolizam o povo africano e sua luta.
  • Muhindi (Moo-heen-dee): o milho representa as crianças africanas e a promessa de futuro para elas. Um sabugo de milho é colocado para cada criança da família. Em uma família sem crianças, um sabugo de milho é colocado simbolicamente para representar as crianças da comunidade.
  • Kikombe cha Umoja (Kee-com-bay chah-oo-moe-jah): a Taça da União simboliza o primeiro princípio do Kwanzaa, ou seja, a união da família e do povo africano. A taça é usada para derramar a libação (água, suco ou vinho) para a família e os amigos.
  • Zawadi (Sah-wah-dee): os presentes representam o trabalho dos pais e a recompensa para seus filhos. Os presentes são dados para educar e enriquecer as crianças, e podem ser um livro, uma obra de arte ou um brinquedo educativo. Pelo menos um dos presentes é um símbolo da herança africana.

 

As velas

Sete velas são colocadas dentro do Kinara:

  • no centro há uma vela preta representando o primeiro princípio: união (Umoja);
  • à esquerda da vela preta estão três velas vermelhas, representando os princípios deauto-determinação (Kujichagulia), economia cooperativa (Ujamaa) e criatividade (Kuumba);
  • à direita da vela preta estão três velas verdes, representando os princípios de trabalho coletivo e responsabilide (Ujima), próposito (Nia) e  (Imani).

 

Os sete dias do Kwanzaa

kwanzaa-3
Foto cortesia de Amazon.com
As velas do Kwanzaa

No primeiro dia do Kwanzaa, 26 de dezembro, o líder ou ministro convida todos a se juntarem e os cumprimenta com a pergunta oficial: “Habari gani?” (O que está acontecendo?), à qual eles respondem com o nome do primeiro princípio: “umoja”. O ritual é repetido em cada dia de celebração do Kwanzaa, mas a resposta muda para refletir o princípio associado àquele dia. No segundo dia, por exemplo, a resposta é “Kujichagulia”.

Em seguida, a família diz uma prece. Depois, eles recitam um chamado de união, Harambee (Vamos nos Unir). A libação é então realizada por um dos adultos mais velhos, e uma pessoa (geralmente a mais jovem) acende uma vela do Kinara. O grupo discute o significado do princípio do dia e os participantes podem contar uma história ou cantar uma música relacionada a esse princípio. Os presentes são oferecidos um a cada dia ou podem ser todos trocados no último dia do Kwanzaa.

O banquete do Kwanzaa é no dia 31 de dezembro. Ele não inclui só comida, é também um momento de cantar, orar e celebrar a história e a cultura africana.

O dia 1º de janeiro, o último dia do Kwanzaa, é um momento de reflexão para cada um e para todo o grupo. As pessoas se perguntam: “quem sou eu?” “sou realmente quem digo que sou?” e “sou tudo o que posso ser?” A última vela do Kinara é acesa e então todas as velas são apagadas sinalizando o fim do feriado.

Nas próximas seções, vamos ver em detalhes os elementos da celebração do Kwanzaa.

 

Celebrando o Kwanzaa: as tradições do feriado

Troca de presentes

Os presentes do Kwanzaa sempre incluem um livro, que representa o valor do aprendizado, e também pelo menos um símbolo da herança africana.

Milhões de africanos, não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, celebram o Kwanzaa todos os anos. Eles se juntam com a família e os amigos para homenagear os ancestrais e as tradições africanas e olhar para seu futuro como povo. Eles se reúnem nas casas, nas escolas, nas igrejas e nos centros comunitários.

As cores oficiais do Kwanzaa são preto, vermelho e verde. Essas cores sempre tiveram um significado para os africanos (são as cores da bandeira africana), mas foram apresentadas aos afro-americanos por Marcus Garvey (em inglês), um líder nacionalista negro do início do século 20. O preto representa o povo africano; o vermelho representa sua luta (sangue); e o verdeé um símbolo de seu futuro. A maior parte da decoração do Kwanzaa é feita nas cores simbólicas do feriado.

As pessoas usam uma variedade de ítens decorativos que tornam suas casas mais festivas durante o Kwanzaa. Os itens incluem cestas, arte africana, cartazes, a bandeira do país e os símbolos da colheita. O componente mais importante da casa é uma mesa onde se encontra a esteira (Mkeka), sobre a qual são exibidos os outros símbolos do Kwanzaa:

  • candelabro (Kinara) segura as sete velas (Mishumaa Saba). Uma vela do Kinara é acesa em cada dia da celebração. A vela preta do centro é a primeira a ser acesa. Uma vela é acesa a cada noite, começando pela última à esquerda (uma vela vermelha) e depois alternando entre uma vermelha e uma verde, de fora para o centro do candelabro;
  • Mazao (frutas e vegetais) é colocado em uma tigela ou uma cesta;
  • na esteira também é colocado o Muhindi (milho), um sabugo de milho para cada criança da casa;

 

O banquete do feriado

As afirmações da libação

À Mãe-terra, berço da civilização.
Aos ancestrais e seus espíritos indomáveis.
Aos anciãos, de quem podemos aprender muito.
Aos nossos jovens, que representam a promessa do amanhã.
Ao nosso povo, o povo original.
À nossa luta e em lembrança àqueles que lutaram por nós.
A Umoja, o princípio da união, que nos guiará em tudo que fizermos.
Ao criador (Nzambi Jinzambi – Deus dos Deus), que é o provedor de todas as coisas grandes e pequenas.

Em 31 de dezembro, os participantes organizam um grande banquete, o Kwanzaa Karamu. O banquete é mais do que só comida, é também um fórum de expressão cultural que inclui música, dança e leitura.

Um programa típico de um Kwanzaa Karamu é mais ou menos assim:

  • kukaribisha (Saudações): apresentação e saudação seguida por música, dança, poesia e outras apresentações;
  • kuumba (Relembrar): reflexões culturais;
  • kuchunguza Tena Na Kutoa Ahadi Tena (Reavaliação e reforço do compromisso): um discurso breve feito por um convidado;
  • kushangilla (Exultação): leitura das afirmações da libação, seguida por uma bebida comunal servida na Taça da União, e leitura dos nomes de ancestrais e heróis negros, seguida por um jantar;
  • tamshi la tutaonan (Manifesto de despedida): leitura de uma afirmação de despedida acompanhada por uma conclamação de uma maior união.

A comida servida durante o Kwanzaa é uma mistura de sabores caribenhos, africanos e sul-americanos. Alguns pratos populares são quiabo frito, bananas, frango frito, sopa de feijão preto, presunto cozido e gumbo. Uma grande esteira (Mkeka) é colocada no centro do salão e toda a comida é disposta nela em destaque.

Para mais informações sobre o Kwanzaa e assuntos relacionados, veja os links na próxima página.
Tata Ngunz’tala
http://associacaovidainteira.wordpress.com/

Sacerdote do Terreiro Tumba Nzo Jiomna dia Nzambi
Candomblé de Angola – Ndanji Tumba Junçara
Grupo Umbanda Sagrada.

FOAFRO – DF e Entorno
61- 8124.0946 – Oi

62- 8222.8075 – TIM

61- 93120429 – Claro

http://redeafrobrasileira.com.br/forum/topic/show?id=2526150%3ATopic%3A262994&xgs=1&xg_source=msg_share_topic

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *