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O rádio está morrendo no Brasil e a culpa é dos… ahn… “comerciantes da fé”

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Por r-tadeu | Na Mira do Regis – 20 horas atrás

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Já faz certo tempo que estamos presenciando a morte do rádio. Com a possibilidade de cada um ter a sua própria “emissora” dentro do celular, torna-se cada vez mais inútil a existência deste importantíssimo veículo de comunicação de outrora.

A exceção está restrita às emissoras que ainda apostam na informação e na opinião no que se refere aos fatos e notícias, e também àquelas que mantêm programas destinados a nichos específicos. Como é o meu caso na Rádio USP FM aqui em São Paulo, na qual apresento há quase seis anos dois programas: um voltado às novidades musicais do mundo inteiro, o Agente 93, e outro abrangendo tudo o que rolou e rola de rock no Brasil, o Rock Brazuca (para mais informações, você pode clicaraqui). No geral, estamos sendo testemunhas impotentes do assassinato das rádios por parte dos líderes religiosos do Brasil.

É simplesmente uma vergonha ver que toda está turma está gastando centenas de milhões de dólares para comprar o maior número possível de emissoras de rádio espalhadas pelos quatro cantos do País. O mais incrível é que as autoridades que – teoricamente – seriam responsáveis pela administração do setor simplesmente cruzam os braços e nada fazem para conter esta sanha religiosa, que não conhece regras na hora de ocupar o dial. Tal postura inaceitável e cúmplice só encontra explicação na óbvia constatação de que impedir isto vai contrariar os interesses políticos de muita gente mais preocupada em arrecadar votos nas próximas eleições.

Resolvi escrever este texto depois de me sentir indignado com a venda da frequência AM que há décadas vinha sendo ocupada pela tradicional Rádio Eldorado aqui em São Paulo, ocorrida semanas atrás. Fiquei ainda mais triste ao constatar que alguns dos principais líderes religiosos brasileiros simplesmente se tornaram proprietários ou arrendatários de quase todas as emissoras AM do maior Estado da Federação. E se isto aconteceu aqui, certamente acontece em maiores proporções em todas as cidades brasileiras.

Para quem achava que tal situação pode ser revertida, o caso da Eldorado é um violento tapa na cara dado pela realidade imputada pelo poder financeiro esmagador, que surge sabe-se lá de onde, sem origem e livre de impostos. O estrago proporcionado por estas “seitas” – que nada tem a ver com liberdade religiosa – vem causando estragos inimagináveis, não apenas na demissão de milhares de profissionais, substituídos por integrantes destas “igrejas”, mas principalmente na disseminação de cultura para quem tanto precisa, que é justamente o povaréu que acaba financiando esta aberração na forma de “dízimos”, “contribuições”, “correntes dos 732 pastores”, “vendas de óleos sagrados do rio Nabucodonosor” ou qualquer outro nome que se dê a este tipo de pilantragem.

Já que o FBI deu uma aula de investigação e ação no caso dos políticos corruptos da FIFA, não seria uma boa hora para a nossa valorosa Polícia Federal começar a dar uma vasculhada nestas igrejas para saber como é que o dinheiro arrecadado da vovó e da tiazinha sentadas nos bancos de madeira, por intermédio de “boletos bancários”, vai parar na mão de “terceiros”? Fica aqui a minha dica.

Dane-se a postura “politicamente correta”. Estou cansado de aturar tudo isto e ver que ninguém se posiciona com firmeza a respeito disto.

Recuso-me a ser cúmplice deste “estranho silêncio”…

 

Extraído do blog Na Mira do Regis, do portal Yahoo Notícias
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/o-radio-esta-morrendo-no-brasil-e-a-culpa-e-182540612.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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