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Obá Aganjú

OBA AGANJÚ SÓOLÁ – O GRANDE

10298888_10152327497098211_4596321509233299186_nEste sempre tem sido um tema que gera controvérsias, alguns afirmam que Aganjú seria uma divindade totalmente distinta e outros acreditam que seja um “caminho” de Sàngó ou na polêmica classificação de “qualidade de santo”.
Em particular opino pela primeira opção, já que a iniciação e a consagração do noviço diferencia por demais das cerimônias de Sàngó, não somente nos ritos iniciáticos, assim como nos ritos de sacrifícios. Uma das mais expressivas diferenças está no oferecimento de animais quadrúpedes, ou seja, à Aganjú se oferece o Òbúko Òdá – bode castrado; ao contrário de Sàngó que aprecia por demais o Àgbò – carneiro. Ambos pertencem à mesma “Família Real”, alimentam-se de Amalá – quiabos refogados, dançam ao som do ritmo Àlujá e ambos estão intimamente ligados ao elemento fogo.
Algumas cerimônias profundas à Aganjú se perderam no tempo, sobretudo na diáspora, ficando o que sobreviveu de seus ritos, em poder de um grupo bem reduzido de “antigas linhagens”. Muitas linhagens das quais não tem o devido conhecimento de seus ritos, quando o noviço pertencer à Aganjú, inicia e o consagra para Sàngó, a divindade mais próxima, porém este deverá ter “assentado” estas duas divindades.
sobre Aganjú:
…Aganjú – Divindade dos Vulcões… Os mitos o descrevem como “O Gigante entre os Òrìsà… seria filho de Oro Iná divindade que em algumas regiões esta considerado como uma divindade masculina e em outras femininas, cujo qual habita as câmeras de magmas, situadas no interior da crosta terrestre… Os antigos o descrevem como “O Temível entre todos”… Divindade de caráter forte, tempestuoso, colérico e belicoso… As forças da natureza que lhe pertencem são representações de sua tremenda energia, como a potência dos rios que dividem territórios, a lava vulcânica que percorre a crosta terrestre, os terremotos e o impulso que faz a Terra girar em torno de seu eixo… Recebe o título de Òkèrè ao tornar-se esposo de Yemoja… Aganjú representando os raios solares, Olókun as águas salgadas e Olósa as águas doces, celebram um pacto entre eles, em manter o equilíbrio da atmosfera do planeta, afim de que seja possível o ciclo vital de todos os seres… Aganjú foi o quarto Aláàfin Óyó, embora existam mitos que o descrevem que ele reinou em Sakí, cidade vizinha de Ìséyìn a noroeste de Òyó… O reinado de Aganjú foi longo e próspero… Ele tinha o dom de domar animais selvagens e as serpentes venenosas… Dentro de seu palácio mantinha um Ekún – Leopardo, seu animal de estimação, sobretudo o simbolo da coragem, que costumara encostar seus pés como se fosse uma esteira, daí recebendo o epíteto de Ekùn Olóju Iná – Leopardo dos olhos de fogo e Ekún f’eninjú tànná – Leopardo de olhos fulgurantes… Foi o primeiro a agregar o pátio na parte da frente de detrás do palácio para a celebração de ritos… Embelezou todo o palácio, ornamentou postes esculpidos em bronze, assim originando o costume de colocar colgantes como adornos de acordo com a ocasião festiva, contudo sendo um soberano de gostos muitos refinados…
Ibá re o
Aqui esta uns de ese de Aganju também publico mais alguém postou na net.
LENDA DE AGANJÚ

AGANJÚ
Este Orixá representa tudo aquilo que sai. É a larva incandescente do vulcão, derramando-se de forma descontrolada sobre a terra, queimando e destruindo tudo o que encontra em seu caminho. É filho de Oroinã (a Voz do Vulcão) e de Arainã (O magma no interior da terra).
Está incluído na família de Xangô, embora não seja, na realidade, uma “qualidade” deste Orixá.
Encontramos num itan do Odu Iwori Meji, uma narrativa, segundo a qual, Aganjú, por não conseguir controlar sua incandescência, não podia aproximar-se de seus súditos para impor-lhes ordens e disciplina e, desta forma, seu reino vivia no mais absoluto caos, cada um fazia o que bem entendia e a desordem levava tudo à destruição inevitável.
Sabedor da existência de um poderoso monarca que não podia governar seu próprio reino, Xangô resolveu procurá-lo para colocar-se à sua disposição. Foi assim, que depois de dias incontáveis de viagem solitária, Xangô chegou ao reino de Aganjú.
Quando estava bem próximo, ainda no interior da floresta, Xangô ouviu vozes e, por medida de segurança tratou de esconder-se entre as árvores, para poder observar, sem ser notado, o que estava acontecendo.
Esgueirando-se, Xangô aproximou-se o mais que pode do local de onde provinham as vozes e viu, com grande espanto, um homem enorme, cujo corpo era constituído de larva incandescente.
Este estranho ser, deitado no colo de Oxun, vociferava, esbravejava e debatia-se furiosamente, enquanto a Iyagbá, jogando água sobre seu corpo em brasa, tentava acalmá-lo carinhosamente.
“Acalme-se – dizia Oxun – quanto mais zangado mais destrutivo você fica”.
“Mas como posso ficar calmo se meu reino está numa desordem total?” Reverberava o gigante que, pelas características, Xangô já identificara como sendo Aganjú.

Foi então que, pressentindo a presença de um estranho. Aganjú bradou irritado:
“Quem está aí escondido entre as árvores? Mostre-se ou incendiarei tudo!”
Calmamente, Xangô saiu de seu esconderijo e, mostrando-se, falou: “Sou eu, Xangô, Rei de Oyó!
“E quem te deu permissão para aproximar-se de meus domínios?” Perguntou Aganjú indignado.
“Permissão?” – Zombou Xangô – “e quem disse que eu preciso de permissão de alguém para ir aonde me der vontade? Sou Xangô, rei de Oyó e vou aonde quero e quando quero!”
Cada vez mais furioso, Aganjú respondeu: ‘Você não sabe a que perigo está se expondo com tanta ousadia! Sabe que posso transforma-lo em cinzas agora mesmo?”
“Transformar a mim, em cinzas? Mas como se posso, sempre que quero transformar-me em fogo? Logo se vê o quanto você é estúpido!”
E imediatamente, para espanto de Aganjú, Xangô transformou-se numa grande labareda.
“Está vendo? Também sou fogo, mas só quando quero.” Mostrou o Orixá.
Sem nada entender, Aganjú, humilhado, limitou-se a perguntar:
“Afinal, o que você quer de mim? O que veio fazer no meu reino?”
“Vim oferecer-lhe ajuda”… – disse Xangô – …”somente eu posso resolver os seus problemas”.
“Mas como, resolver meus problemas?” Perguntou Aganjú novamente irritado.
Oxun, que a tudo assistia, limitava-se a jogar água sobre o gigante enfurecido, na tentativa de acalmá-lo. Divertia-se com a ousadia de Xangô e de alguma forma podia prever aonde o rei de Oyó queria chegar.
“Não é verdade que o seu reino está em decadência devido à desordem que lá impera?” – perguntou o intruso – “Não é verdade ainda que sempre que você tenta se aproximar de alguém, para transmitir a sua vontade acaba incinerando o infeliz? ”

“Sim, sim”… – balbuciou o outro, substituindo a ira pela curiosidade- …”mas, de que maneira você pode em ajudar?”
“É muito simples” – afirmou Xangô, sentando-se sobre o que restava de um tronco de árvore calcinado por seu interlocutor. – “Basta que façamos um acordo que, diga-se de passagem, é muito mais interessante para você do que para mim”.
Desconfiado, Aganjú perguntou: “Que tipo de acordo?”
“É simples…” – continuou Xangô – …como você mesmo viu, posso, como você, transformar-me em fogo vivo. A diferença está no fato de que tenho absoluto poder de controle sobre este fenômeno, ao contrário do que acontece com você, que não consegue controlar o seu próprio poder. Desta forma, se me for dada autorização, poderei transmitir sua ordens aos seus súditos, sem causar-lhes nenhum dano.”
O Filho do Vulcão pensou um pouco e, novamente acometido pela desconfiança, pediu uma explicação:
“Mas o problema é só meu e do meu povo… qual é o seu interesse em colocar meu reino em ordem?”
Brincando com seu machado de lâmina dupla, Xangô continuou em sua explanação.
“Sou rei de um país vizinho e temo que a desordem existente em seu reino alastre-se por toda a vizinhança e chegue aos meus domínios como uma doença contagiosa. É por isto que resolvi oferecer-lhe ajuda. Nenhum outro interesse, a não ser o de manter a segurança de meu próprio reino me traria diante de você”.
Oxun, que já entendera as verdadeiras intenções do rei de Oyó, limitava-se a esboçar um sorriso misterioso e mal disfarçado. Conhecia a fama de Xangô, sabia o quanto era astuto e que, por traz de tudo o que afirmava o visitante, alguma outra intenção estava escondida.

“Pois bem.. – disse Aganjú – … e de que forma pagarei pelos seus serviços. Quanto me custará a intermediação que você me propõe fazer entre meu povo e seu rei?”
“Nada! Não lhe custará absolutamente nada!” – Afirmou Xangô desviando o olhar dos olhos abrasadores de Aganjú – Apenas exigirei que você passe a usar as mesmas insígnias que eu uso. Deves, a partir do momento em que nosso trato for oficialmente formalizado, adotar os mesmos símbolos que me representam e que, a partir de então, passarão também a representá-lo. O Oxe, machado de lâmina dupla, o xeré, chocalho que imita o ruído do trovão, fenômeno que também domino serão, a partir de então, símbolos comuns a nós dois.
Desta forma, seu povo, ao ver em minhas mãos as mesmas insígnias usadas por você, não contestará a minha autoridade e, reconhecendo os atributos, acatarão as ordens que a eles eu irei transmitir.”
“Qual é a sua opinião Oxun?” Perguntou Aganjú à Iyagbá que já o deixara sozinho indo sentar-se ao lado de Xangô.
“Acho que é uma boa proposta e que você não pode perder esta chance de salvar seu país da destruição.”

Enquanto expressava sua opinião, Oxun acariciava, maliciosamente, as tranças que adornavam a cabeça do Obá de Oyó.
De um salto, Aganjú pôs-se de pé, no que foi imitado por Xangô. Aproximando-se pacificamente de seu novo aliado, abraçou-o com força enquanto dizia solenemente:
“Aceito a sua ajuda e comprometo-me, a partir de hoje, a usar os símbolos do seu poder.”
Depois de retribuir o abraço do novo aliado, Xangô entregou-lhe um xeré e um oxe, partindo em seguida em direção ao reino de Aganjú onde, através do pacto formalizado, passaria a reinar, impondo suas leis e ordens, independente da vontade de seu legítimo rei.
É por isto que Aganjú usa as mesmas insígnias de Xangô que, usando de astúcia, assumiu, com o seu consentimento, o domínio sobre o seu povo.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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