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Obra com fotos de Verger resgata valor da estética baiana

Luis Fernando Lisboa | Sáb, 28/11/2015 às 08:34 | Atualizado em: 28/11/2015 às 09:40

 

 

Pierre Verger | Divulgação Três mulheres no Recôncavo Baiano usam bata, torço e saia numa indumentária típica de baianas
Pierre Verger | Divulgação
Três mulheres no Recôncavo Baiano usam bata, torço e saia numa indumentária típica de baianas

Não é sempre que o vestuário de matriz  africana ganha o merecido destaque quando se trata do importante vínculo entre o universo da moda e as manifestações culturais do País.

No entanto, essa relevância é resgatada no livro Moda e História – As Indumentárias das Mulheres de Fé, escrito pelo antropólogo Raul Lody e com  imagens do francês Pierre Fatumbi Verger. O prefácio foi assinado por Carmen Oliveira Silva, iyalorixá do Gantois.

A publicação será lançada neste sábado, 28, das 17 às 20 horas, no Terreiro do Gantois. O carioca Raul estará no evento e afirma que, intencionalmente, escolheu o modelo das roupas de baiana como eixo principal.

“É uma espécie de pedra fundamental de toda a publicação. Dessa montagem, que reúne elementos  islâmicos e africanos, por exemplo, resulta um verdadeiro conjunto de bases indumentárias. A essência de todas essas roupas permanece de maneira muito contemporânea”, explica.

Além disso, ele conta que no contexto de matriz africana, a imagem materializa um valor  forte. “Ela se revela como ação afirmativa através dos penteados, maquiagens, joias e texturas, por exemplo”.

Na obra, Raul passeia pelas vestimentas típicas de festejos de largo, tipos de amarrações de tecidos (pano de vestir e de cabeça),  aborda o trajeto histórico do richelieu (técnica híbrida entre a renda e o bordado) e  fala sobre a relevância dos fios de conta e colares.

“A própria população se revela pelas roupas com penteados, adornos e  outros aspectos estéticos. Nesse contexto, estar bem vestido é como buscar uma conexão  com o universo  do sagrado”, ressalta.

Com o auxílio das imagens produzidas por Pierre Verger, fica mais fácil para o leitor ilustrar os conteúdos históricos, social e religioso abordados. As legendas das fotos deixam as informações acessíveis.

Além disso, o livro tem como força  significativa a valorização do aspecto feminino na construção da estética da Bahia.

Valor estético

Raul Lody esclarece que o estudo do campo imagético tem uma relação longa e complexa na sua vida desde o início da trajetória profissional.  “Aos 21 anos, fui para Dakar estudar arte africana.  Foi um grande impacto na minha formação. O tema beleza é dominante para mim”.

No entanto, ele reforça que entende a beleza dentro de parâmetros da cultura. “Por isso, existem tantas belezas quanto  culturas e manifestações”. Dessa forma, ele já enveredou por outros tipos de pesquisas no universo estético que também resultaram em livros, como Cabelos de Axé: Identidade e Resistência (Senac) e  Joias de Axé (Bertrand).

A partir desse ponto de vista, ele fala que é importante compreender a roupa também como um instrumento político. Mas numa visão  generosa e não partidária: como convicções e pontos de vista. “O vestuário ajuda a encontrar formas de pertencer ou se sentir inserido em determinado segmento. Roupa lida com comportamento do corpo”.

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/literatura/noticias/1729804-obra-com-fotos-de-verger-resgata-valor-da-estetica-baiana-premium?direcionado=true

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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