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Odoyá Iyemanjá das águas, das flores, dos perfumes

28/01/16 às 19:10 Por Dayse Regina Ferreira

 

 

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O evento do dia 2 de fevereiro, que começou na colônia de pescadores, hoje é uma das maiores manifestações culturais da Bahia (foto: Divulgação)

Dia 2 de fevereiro na Bahia é dia exclusivo do Candomblé. É diferente das festas de Boa Viagem e do Bonfim, festas católicas também frequentadas pelos adeptos do candomblé, dentro do sincretismo predominante. Mas o 2 de fevereiro só dá espaço para o culto à Rainha do Mar

A festa maior tem procissão de barcos levando presentes para a orixá: flores, presentes, perfumes, com a imagem da deusa que habitaria o fundo do mar, uma mulher vaidosa, de longos cabelos. E tudo começa já na madrugada do dia 2, na festa que reúne cerca de 200 mil pessoas todos os anos. Cedo os pescadores vão ao dique do Tororó para levar oferendas a Oxum, deusa das águas doces, para que ela também se sinta homenageada. Ao nascer do sol a alvorada é com queima de fogos e a multidão já se movimenta, todos de branco, azul e verde claro, que são as cores da mãe dos orixás.

Iyemanjá é homenageada no largo de Santana, bairro do Rio Vermelho, onde fica a colônia de pescadores, com mais de 650 afiliados em uma área que vai da Boca do Rio à rampa do Mercado Modelo, no bairro do Comércio, na Cidade Baixa.

 

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

Fotos: Divulgação
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Rainha das águas, mãe de todos os orixás, Yemanjá  tem todas as festas em fevereiro

Vaidosa, a orixá gosta de ganhar flores, perfumes, espelhos e jóias, tudo o que é lançado ao mar pelos seus seguidores, na festa baiana

A Casa de Iyemanjá, com imagem da orixá representada por uma sereia, centraliza os depósitos de oferendas e pedidos. Os pescadores têm o compromisso de, por volta de 17 horas, levarem os presentes para Iemanjá em uma galeota, seguida por cerca de outras centenas de embarcações.

Durante o dia todo a praia de Santana fica lotada de gente vestida de branco. Um povo que lota todo o bairro do Rio Vermelho, quando muitas ruas são interditadas para dar vazão à multidão, que ocupa barracas com comidas, música e bebidas em pura confraternização. Bandas populares grupos folclóricos fazem apresentações e evento sempre esperado é a Lavagem do Rio Vermelho. Moradores do bairro organizam cafés da manhã comunitários ou almoços onde impera a feijoada, para receber amigos. Mais seletivos são os almoços em restaurantes e hotéis, tanto do Rio Vermelho quanto em outros bairros da capital baiana. As festas são pagas, reunindo pessoas de várias tribos, membros da sociedade local, turistas, todos aproveitando dos shows e apresentações musicais.

 

Tudo começa na madrugada, com alvorada de fogos anunciando a festa
Tudo começa na madrugada, com alvorada de fogos anunciando a festa

O sincretismo, embora contra a vontade de muitos, é forte e existe também na festa de Iemanjá, que é a Nossa Senhora da Conceição para os católicos, Janaina para os índios e Sereia, para os marinheiros europeus. O culto de Iyemanjá foi trazido pelos africanos escravos no século XVI e a festa em Salvador foi criada por volta de 1920, iniciativa da colônia de pescadores Z-1, época em que a pescaria foi muito fraca e era preciso procurar auxílio com uma divindade, um orixá. A festa virou tradição, é frequentada por todas as classes sociais, dos mais variados credos e raças, locais e turistas. A mãe dos orixás conseguiu transformar o evento democrático em uma das mais importantes manifestações culturais baianas. Vale conhecer.

 

Extraído do site especializado em turismo Bem Paraná / Curitiba – PR
https://www.bemparana.com.br/noticia/426484/odoya-iemanja-das-aguas-das-flores-dos-perfumes

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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