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Odú de Ifá

Os Odús tem uma relação lógica com o universo, com os elementos, com a mudança climática interferindo quotidianamente na vida do ser humano. Para a manutenção do espaço nascer, viver e morrer em conformidade com a necessidade e aplicação para o Aiyé, independentemente dos processos de ajustes entre os seres humanos. A evolução dos seres humanos como já sabemos no seu equilíbrio emocional, torna-se possível a eliminações de seus defeitos psicológicos. Nessa relação evolutiva Odús são coadjuvantes da solução da destruição podendo-se nestes estágios delinear a ação do Odú. Os Odú atuam na estrutura organizacional do planeta terra, numa ação subordinada ao Ori-Onu em questão de equilíbrio fazendo Èsù seu papel de dar a direção para que o ser humano enquanto encarnado, devolva a técnica de tudo que esta inserido nesse contexto, para que o mesmo mundo seja transitório e regenerador, servindo os propósito da evolução; cumprir cada um seu destino individual e coletivo. A obediência a Odú, como destino, esta na razão. Odú é a marca no processo evolutivo para cada fazer reencarnatório, ou seja, os Odús atuam nesse mundo material, não são atemporais, são engrenagens estabelecidas para cada existência e encerra o seu movimento no desencarnar do ser humano, voltando a atuar de onde parou quando estabelecida a reencarnação do espírito. Odú é o que torna o ser humano um indivíduo com suas características particulares e esse mesmo Odú é que insere toda a diversidade inerente a cada um no processo da consciência, buscando compatibilidade que aproximem ideias, compromissos sentimentos, independentemente de serem bons ou ruins, a favor de si ou contra os outros. Mais é dessa forma que Odú faz com que todos os seres caminhem para serem lapidados. Odú é como um espelho reflete a cada momento uma situação, uma verdade, mostrando a condição frágil e submissa diante das dificuldades reservadas ao ser humano, revelando sua mais nociva característica ou o grau de discernimento dessas mesmas dificuldades. Dessa maneira o Odú não permite a descaracterização da verdade. O odú é imparcial e contundente. Essa afirmação demonstra que a ação do Odú não pode ser desfeita, o ser humano pode até fingir ser aquilo que de fato não é, mais, a ação retilínea do Odú se manifesta independentemente da vestimenta, revelando a verdadeira característica individual daqueles que fingem. Nenhum ser humano é capaz de cumprir com seu destino, sem que para isso o Odú tenha se manifestado, aplicando suas ações através de Èsù, comandado por Ori. E o testemunho dessa evolução é o aperfeiçoamento do estado psicológico. Odú é a maneira pela qual se permite que o ser humano evolua, uma vez que se envolva, Olodumare é a verdade. Através dos Odús, Orisá, Ewó (interdições alimentares) e comportamentais, que seguido corretamente irá equilibrar o destino pessoal. Dentre os sistemas oraculares utilizados pelos humanos, na ânsia de descobrir o futuro ou de contatar as deidades com finalidade de desvendar os motivos de suas provações, destacamos algumas: como a astrologia, cartomancia que até os dias de hoje ainda são muito solicitadas. No Brasil o sistema divinatório mais amplamente divulgado aceito e praticado é o popularmente denominado Jogo de Búzios, cujas origens estão na religião africana, mais, especificamente no culto à Orumilá, o Deus da sabedoria e da adivinhação, testemunho de tudo que acontece e irá acontecer. Nossa cultura assimilou de forma notável os costumes oriundos do continente africano ligado pelos escravos que no decorrer de vários séculos, vieram parar aqui trazidos de forma trágica e brutal. A música, a culinária, a maneira de ser e de agir dos brasileiros que testemunharam de forma inequívoca esta influência de que não poderia deixar de se verificar na postura de nosso povo diante das religiões. O presente trabalho configura-se como uma proposta essencialmente didática que por isto mesmo não assegura as pessoas não iniciadas o direito de acessar o oráculo divinatório, lhe garantindo isto sim, a possibilidade de conhecer a mecânica de seu funcionamento, suas interpretações e a forma como pode apresentar soluções para o problema que diuturnamente se apliquem a nossa existência. O jogo de búzios como todos os demais processos divinatórios, exige como pré-requisito, para que possa ser acessados alguns tipos de iniciações por parte do adivinho, assim como a consagração dos objetos concernentes a prática oracular. Os Odús são portadores de formas cifradas dos conselhos, exigência e orientações dos seres espirituais determinam o tipo de sacrifícios exigido e a que tipo de entidade deverá ser oferecido. Ésùque através dos búzios, intermedia a comunicação entre os homens e os habitantes dos mundos espirituais. Levando os pedidos e trazendo os conselhos e orientações, os recados e as exigências. Outra vantagem que o jogo de búzios apresenta sobre os demais sistemas oraculares, é o fato de que não somente diagnostica o problema como também apresenta a solução através de um procedimento mágico denominado Ebó. A grande maioria do povo da nossa cultura carece de esclarecimentos e subsídios suficientes sólidos para que possam declarar-se, ter profundo conhecimento sobre o assunto. Trata-se na verdade de uma abstração complexa de difícil compreensão, desprovida de individualidade podendo ser vista ora como determinante de um acontecimento de uma situação eventual, ora como caminho, um acesso, um canal de comunicação ou um carma individual ou coletivo. Os Odú de Ifá são divididos em categorias distintas, a saber: os OdúMeji (duplos ou repetidos duas vezes) e são em números de dezesseis, e como poema base do sistema, sendo isto conhecido também como Odú principais. Os Omo Odú / Omolu, resultado das combinações dos dezesseis Meji entre si, o que proporciona a possibilidade de surgimento de duzentos e quarentas figuras compostas ou combinadas que somadas aos dezesseis principais totalizam o numero de duzentos e cinqüenta e seis figuras oraculares. (16 x 16 ou 16 + 240 = 256 possíveis caminhos). Somente o jogo de Ikin e de OpeleIfá permite acessar os 256 Odus que totalizam a possibilidade de revelação do sistema.  O Erindilogun se reporta somente a interpretação dos 16 Meji, pois cada lançamento condiciona-se ao surgimento de um OdúMeji impossibilitando o encanto e conseqüentes combinações entre eles. Para melhor compreensão desta limitação, cabe-nos explicar que nos demais processos, os Odú são escritos no OponIfá consecutivamente para que possa ser invocado, o que se torna impossível numa caída de búzio onde cada Odú se apresenta individualmente de acordo com o numero de búzio aberto. Segundo um Esé de Ifá (lenda), o acesso a adivinhação não era permitido as mulheres. Numa época em que só se conheciam os jogos de Ikin e de Opele, instigado por Osún, Elegbará, assistente direto de Orumilá apoderou-se do segredo dos dezesseis Meji. Revelando-o a Osun para que pudesse adivinhar através dos búzios, em pagamento Èsù exigiu que todos os sacrifícios determinados pelo oráculo fossem, a partir de então entregues por ele, até mesmo as destinados aos outros Orisás, dos quais retira sempre para si, uma boa parte. Ao contrario do que muitos pensam, todos os Odus de Ifásão portadores de coisas boas e ruins, o que nos leva a concluir que são positivo + negativo fazendo um equilíbrio na vida pessoal e em tudo. Esta assertiva faz com que se complique ainda mais a adivinhação, na medida em que o adivinho tem que interpretar a mensagem trazida pelo Odú que se faz presente é bom ou ruim. Existindo algumas figuras que são na maioria das vezes portadoras de boas noticia, mais que podem também prenunciar coisas terríveis, acontecimento nefasto, loucura, miséria, e morte. A ignorância de fato tem proporcionado grandes absurdos como o costume de se assentar este ou aquele Odú considerado positivo e de despachar o negativo; desse costume surgiu o que se configurou chamar obaramania, procedimento através do que todos devem agradar ObaraMeji para agarrar seus benefícios e “despachar” OdiMeji, evitando ser atingido por sua carga negativa. Na verdade é que nenhum dos signos de Ifá possa ou deve ser assentado, agradado ou despachado, uma vez que são determinantes de procedimentos ritualísticos, portadores de conselhos e orientações relativos do comportamento de cada indivíduo, indicadores de remédios e sacrifícios que sempre são oferecidos a Èsù em sua honra ou para que seja por ele conduzido entre as demais entidades espirituais de todas as classes e hierarquias. É indispensável, portanto, a qualquer pessoa que pretenda jogar búzios ter um conhecimento no mínimo razoável dos 16 OduMeji, seus significados, suas características, suas recomendações e interdições, os tipos de benção ou de maus augúrios dos quais podem ser portadores, com quais Orixás e demais entidades podem estar relacionados, os tipos de sacrifícios determinados, etc. Como vimos trata-se de uma tarefa que por sua importância e responsabilidade exige além da iniciação específica, muita dedicação, muito sacrifício, e principalmente muitas e muitas horas de estudos. Ire Iségun.

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Paulo D´Èsù conhecido como Paulo Ganga, é Babalorixá do candomblé nação Ketu com entrega de cuia (deká) por Américo D´ibò, neto de africano (família Gùn), Cabo Verde - África. É omo Ifá por Akin que lhe confere o nome de Ifá Iregun Kobará, cultuado em especial do Orixá Èsù. Conhecedor das Èwè - folhas, cultuador de Ifá e ancestrais, pesquisador da religião do orixá e em particular das Iyá mi Osoronga. Acadêmico do curso de direito pela Universidade Estácio de Sá.

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