Breaking News

Oferenda a Yemanjá revela magia de Itapuã

O cortejo contou com as presenças de mais de uma centena de fiéis e populares, entre os quais alguns turistas

por Albenísio Fonseca

Publicada em 02/02/2016 08:19:02

Foto: Reginaldo Ipê
Foto: Reginaldo Ipê

Toda a magia de Itapuã ficou estampada mais uma vez, no final da tarde de ontem, com a oferenda à Yemanjá que, este ano, por conta do calendário móvel, aconteceu antes da entrega do presente à Orixá no Rio Vermelho. Perfumes, sabonetes, bonecas e muitas flores encheram cerca de 50 balaios que seguiram em cortejo por ruas do bairro, sob o espocar de fogos, toques dos alabês e carregados à cabeça por ialorixás, iniciadas e ogans dos terreiros Ilê Axé Ibá Faromin, do pai Valtinho e do Ibá Faromiê, casa do pai Alex.

O cortejo contou com as presenças de mais de uma centena de fiéis e populares, entre os quais alguns turistas. O evento encerrou as festividades de cinco dias no bairro.

Antes, ao amanhecer, os adeptos do Candomblé, promoveram a entrega de oferendas à Oxum na Lagoa do Abaeté, com rituais à orixá das águas doces nas dunas da lagoa escura cercada de areia branca. O presente para Yemanjá, organizado pela mãe pequena Gildete dos Santos, há 28 anos, e com as participações das iniciadas no culto Gracinha (para Iansã) e Terêsa (para Oxum), de acordo com o babalorixá Alex necessitou, como em anos anteriores, de mais de 30 dias para ser produzido.

Segundo ele, “primeiro temos que agradar os orixás de rua – Exu e Ogum – pedindo licença e proteção para realizar o presente. Um ritual de candomblé dedicado a todos os orixás é realizado momentos antes da saída do cortejo, no Clube do Dominó, onde ocorre a concentração dos balaios, dedicados à Yemanjá, Oxum e a seus marujos (caboclos), conforme Jocimar Oymitobí, ogan do Ibá Faromin. Gildete dos Santos reclamou da falta de apoio do poder público para a realização do evento, criado originalmente pelos pescadores de Itapuã.

Este ano, o cortejo não fez a costumeira reverência à santa em frente à Igreja de N. S. da Conceição de Itapuã. Questionado sobre o porquê do novo roteiro, Pai Alex alegou “ocorreu por conta do tempo, da necessidade de que o presente coincidisse com o por do Sol”. Ele argumentou, também, que o sincretismo religioso – que se daria entre a santa católica justamente com as orixás Yemanjá e Oxum – “já não tem tanta relevância, pois isso decorria de uma estratégia dos negros escravizados para poder exercer o culto livremente, sem a reação dos senhores de engenho e outros proprietários da mão de obra escrava”.

 

Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia / Salvador – BA
https://www.tribunadabahia.com.br/2016/02/02/oferenda-yemanja-revela-magia-de-itapua