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Oferendas: Mãe Suely: “não devemos sujar as ruas”

Delegada Regional do Conselho Estadual de Povos de Terreiro fala sobre as políticas para a religião


Montenegro
 – Sexta-Feira, 19 de Junho de 2015 – Hora:17:33

 

Mãe Suely sugere criação de conselho municipal para tratar das questões relativas às religiões africanas
Mãe Suely sugere criação de conselho municipal para tratar das questões relativas às religiões africanas

Suely Ribeiro Neri possui uma vasta experiência religiosa, estando há mais de 50 anos em atividade nas tradições de matriz africana. Após muita luta, conseguiu estruturar em Montenegro uma sede regional do Conselho Estadual dos Povos de Terreiro do RS, sendo delegada regional. Com o intuito de criar políticas públicas voltadas a regrar as ações dos praticantes das religiões africanas, o Conselho Estadual está auxiliando os delegados regionais a criar os Conselhos Municipais de Povos de Terreiro, para que estes interajam com as casas religiosas de suas cidades, a fim de que muitas atitudes praticadas de forma incorreta sejam vedadas e que somente o que a doutrina africanista preconiza seja praticado.

“Queremos acabar com o estigma que foi colocado sobre nós, africanistas, e que a sociedade não nos veja como assassinos de gatos e cachorros, como infelizmente alguns pais e mães de santo despreparados fazem”, explica Mãe Suely. A Yalorixá (denominação correta da popularmente chamada ‘mãe-de-santo’) procura explicar, em todos os encontros que promove com terreiros que ainda não fazem parte de nenhuma associação, que a doutrina africanista não realiza rituais sagrados com animais que não possam ser consumidos posteriormente. “Nós sacralizamos o animal. Eles são sagrados, servidos aos Orixás e sua carne é consumida pelos homens, numa demonstração de respeito com o animal, que vira alimento depois de ser ofertado”, destaca.

“Despachos”
Ao ser perguntado sobre os rituais que são realizados em esquinas, vulgarmente chamados de “despachos”, Mãe Suely tem como prática explicar e orientar que ao realizar tais rituais, não se deve deixar sujeiras para trás, retirando garrafas, plásticos, sacolas e quaisquer outros objetos que possam agredir o meio ambiente. Para ela, não é preciso sujar as ruas com garrafas, charutos e cadáveres de animais para demonstrar seu amor pela religião. “Para honrar seus Orixás, Caboclos, Pretos Velhos e Exus, basta apenas acender uma vela com fé na frente de um congá”, destaca Suely. As oferendas, segundo ela, devem ser feitas nos próprios terreiros, e caso seja necessário que algo seja feito nas encruzilhadas, chamadas de cruzeiros pelos religiosos, é preciso que se usem materiais onde o meio ambiente possa absorvê-los, além de ser realizada a limpeza correta do local após o trabalho. “É inadmissível que deixam esta sujeira toda”, enfatiza.

Conselho Municipal
Um dos principais focos do Conselho Estadual dos Povos de Terreiro é a criação dos Conselhos Municipais. Pensando nisto, a delegada regional de Montenegro, Mãe Suely de Xangô, foi em busca de apoio político para a criação do Conselho em nossa cidade. Encontrou apoio no gabinete do Vereador Márcio Müller (PTB), que se prontificou em auxiliar nas questões políticas de criação do órgão. Ele será vinculado à pasta da Educação e Cultura do município, tendo como foco a criação de políticas públicas voltadas para os povos de terreiro, além de fiscalizar as atividades dos praticantes de religiões de matriz africana, imputando sanções administrativas, como até mesmo a proibição de funcionamento. “O primeiro passo está sendo dado, com a participação do gabinete do vereador nas reuniões do Conselho Estadual. Após isto, partiremos para a criação da lei que estabelece o Conselho Municipal”, destaca Mãe Suely.

 

JB Cardoso – jb.cardoso@fatonovo.com.br

 

Extraído do site Fato Novo / Porto Alegre – RS
http://www.fatonovo.com.br/oferendas-mae-suely-%E2%80%9Cnao-devemos-sujar-as-ruas%E2%80%9D-not-5623.php

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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