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ONG de Niterói oferece curso de artesanato afro e ganha ajuda do governo australiano

05/11/16 06:00

 

 

Alunas do curso de artesanato Foto: Fabio Guimaraes / Agência O Globo
Alunas do curso de artesanato Foto: Fabio Guimaraes / Agência O Globo

Ricardo Rigel

 

O escritor Ruy Castro escreveu certa vez que, “de todos os estrangeiros que trouxeram seus usos e artes para o Rio, os que deixaram as marcas mais fundas na cultura […] foram os únicos que não vieram por vontade própria: os negros”. Em Niterói, o projeto da obra social salesiana, Oratório Mamãe Margarida, em Santa Rosa, busca pagar essa dívida histórica por meio de oficinas de artesanato afro para jovens de comunidades carentes da região.

O trabalho tem conquistado tantos admiradores que acaba de ser contemplado com um aporte de R$ 40 mil doado, em materiais, pela Embaixada da Austrália. Ontem, um evento com alunos do curso foi realizado na sede do projeto, para reinaugurar a oficina, que, agora, passa a atender os pais interessados em aprender as técnicas da arte.

Há 11 anos trabalhando como educadora da oficina de artesanato da instituição, Sônia Marinho, de 59 anos, relembra, com brilho nos olhos, a emoção de ver a vida de alguns jovens se transformar depois de passarem pelo Oratório Mamãe Margarida:

— O que a gente faz no projeto é apresentar um mundo de oportunidades para esses jovens. No meu caso, trabalho muito a questão da importância da cultura afro dentro dos nossos costumes. Transformamos a nossa sala em um ambiente de valorização da identidade desses jovens, em sua maioria, negros e de comunidades carentes — disse Sônia Marinho.

Para a gerente socioeducativa da instituição, Elaine Holanda Rosalem, a grande força do projeto está em seus próprios educandos:

— Aqui, vivemos uma intensa troca. A gente aprende muito com eles!

Do cabelo alisado para os cachos naturais

Quem olha para a estudante Kethelyn Sousa da Silva, de 14 anos, toda orgulhosa com os seus cachos, não imagina que, há um ano, ela tinha vergonha das madeixas. A mudança no visual, segundo ela, se deu por causa das aulas.

— Depois que passei a participar da oficina de artesanato afro, perdi a vergonha e passei a aceitar o meu cabelo e a gostar dos meus cachos. Antes, ele era todo alisado — contou a bela, que já consegue transformar uma garrafa de vidro em uma boneca africana.

Os interessados em conhecer o projeto e participar das oficinas podem ligar para o número 2714-6423. Ou podem também visitar o espaço, que fica na Rua Padre Emílio Miotti 10, em Santa Rosa, Niterói.

Extraído da versão digital do Jornal Extra on line / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/rio/ong-de-niteroi-oferece-curso-de-artesanato-afro-ganha-ajuda-do-governo-australiano-20415290.html#ixzz4PII0tqxy

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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