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ONGs lançam manifesto em defesa do estado laico nas eleições

01/09/2014 – 19h30
estado-laico-brasil 180Organizações ligadas aos direitos das pessoas LGBT, movimento negro, feminista, religioso e estudantil acabam de divulgar manifesto em que defendem a laicidade nas eleições 2014. No texto, as entidades denunciam “a corrida das principais candidaturas para conseguir votos de líderes religiosos que negociam a fé de fiéis no período eleitoral” e que o “diálogo privilegiado com um setor religioso compromete qualquer futuro governo e ameaça a laicidade que marca o Estado brasileiro”.

Para os grupos, a forma como a disputa tem sido feita deve servir como um “sinal de retrocesso do ponto de vista” do “princípio republicano”. O documento atenta para o fato de que a constituição de um Estado Laico é justamente “para garantir a liberdade de crença de todas as demais religiosidades”.

O manifesto também afirma que o diálogo com as religiões não pode resultar em retrocesso político. “Entendemos que a pauta que abarca as religiões é a da liberdade de culto e credos e da diversidade religiosa. Reafirmá-las não pode tornar-se antagônico à garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, da igualdade racial e de gênero, da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica, da redução de danos e de uma nova política sobre drogas que não sirva ao encarceramento e extermínio da população jovem, pobre e negra. A religiosidade não pode ser elemento obstrutor do processo democrático, histórico, afirmativo e reparatório em curso no Brasil”.

A seguir, confira o manifesto na íntegra:

Bloco do Estado Laico – em defesa da laicidade nas eleições 2014

Causa-nos profunda preocupação, nessas eleições presidenciais de 2014, a corrida das principais candidaturas para conseguir votos de líderes religiosos que negociam a fé de fiéis no período eleitoral. O diálogo privilegiado com um setor religioso compromete qualquer futuro governo e ameaça a laicidade que marca o Estado brasileiro.

Entendemos que o estado laico é uma conquista de muitas mulheres e homens que sacrificaram suas vidas defendendo seus cultos em cenários de imposição religiosa que marcaram a história do mundo – como a Inquisição. Assim, foi para garantir a liberdade de crença a todas as demais religiosidades que o Estado tomou para si o ideal da laicidade furtando-se da adoção de um sistema religioso oficial.

A forma como essa disputa tem sido feita soa para nós como um sinal de retrocesso do ponto de vista deste princípio republicano, nos acende um sinal de alerta. Entendemos que a pauta que abarca as religiões é a da liberdade de culto e credos e da diversidade religiosa. Reafirmá-las não pode tornar-se antagônico a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, da igualdade racial e de gênero, da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica, da redução de danos e de uma nova política sobre drogas que não sirva ao encarceramento e extermínio da população jovem, pobre e negra. A religiosidade não pode ser elemento obstrutor do processo democrático, histórico, afirmativo e reparatório em curso no Brasil.

Entendemos que a busca pelo poder ou a sua manutenção não deve ser justificativa para ações e/ou alianças não republicanas, que envolvam candidaturas baseadas em lógicas rasas e meramente eleitoreiras, não contribuindo para as mudanças profundas e as reparações tão necessárias que necessitam o povo brasileiro. Acreditamos na conquista de corações e mentes e que é preciso respeitar as heranças culturais que marcam a historicidade e religiosidade da nossa nação, repudiando assim alianças que venham marcadas por atitudes contrárias aos princípios democráticos e as liberdades de expressão e manifestação, sejam de crenças ou afetos, em nome de uma desesperada corrida eleitoral.

Entendemos a importância de todas as religiões como uma decisão de foro íntimo. Não pertencemos a um Estado religioso. Convocamos todas para somarem-se no próximo período a uma ampla mobilização e defesa da laicidade nas eleições 2014. Conclamamos a organizações e pessoas, candidaturas e plataformas, democratas, republicanos e progressistas, a igualmente somarem-se na constituição de um grande bloco histórico e plural que defenda o estado laico.

Somos diversidade! Lutamos por uma democracia que respeite nossa pluralidade, sem privilégios ou sobreposições de nenhum grupo ou setor em relação às agendas e necessidades dos demais. Somos umbanda, espiritismo, candomblé, catolicismo, budismo, islamismo, protestantes, de tradições indígenas, judaísmo, ateísmo, hinduístas, agnósticos! Somos lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais! Somos quilombolas! Somos cidadãs e cidadãos! Somos povo brasileiro – a verdadeira aliança capaz de refletir a democracia que queremos.

Fonte: ABGLT

 

Extraído do site da Agência de Notícias da AIDS

http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22655

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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