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Orla é disputada por evangélicos e umbandistas para evento

 

“Devemos deixar o mar para Iemanjá”, defende padre

por Leiliane Roberta Lopes | 4/12/2015 – 21:00 – Atualizado em 4/12/2015 – 21:04

 

 

 

Orla é disputada por evangélicos e umbandistas
Orla é disputada por evangélicos e umbandistas

Dois eventos religiosos tentavam ocupar a Orla da Pajuçara, em Maceió (AL), no dia 8 de dezembro. De um lado os representantes do Coletivo Religioso de Matriz Africana que todos os anos comemoram na data o Dia de Iemanjá. De outro lado os evangélicos que queriam o espaço para realizar o evento “Maceió de Joelhos”.

A briga pelo espaço foi parar na justiça quando o grupo de evangélicos resolveu acionar o Ministério Público. Na Assembleia Legislativa a decisão foi criticada pelo deputado Pastor João Luiz (DEM) que pediu bom senso aos seus irmãos de religião.

“Estou aqui em nome do bom senso. Apelo aos evangélicos que retirem essa questão da Justiça e deixem as religiões de matriz africana realizarem suas manifestações no dia que é reservado a elas”, afirmou.

Uma reunião entre os representantes dos dois grupos aconteceu na última segunda-feira (30) na sede da Capital do Ministério Público de Alagoas. Ali os representantes das religiões afro reclamaram de intolerância religiosa e pediram o cancelamento do evento evangélico.

“É um dia muito esperado pelos adeptos [das religiões afro], inclusive do interior do estado. Achamos que o que está acontecendo é uma intolerância cultural e religiosa”, disse a mãe Zazi, segundo reportagem do G1.

MP tenta encontrar solução satisfatória aos dois grupos religiosos (Foto: Lucas Leite/G1)
MP tenta encontrar solução satisfatória aos dois grupos religiosos (Foto: Lucas Leite/G1)

O babalorixá pai Célio também classificou o pedido de evento dos evangélicos como intolerância. “Esperamos que essa ação não se repita, como vem acontecendo durante alguns anos. Estamos em um país laico e ainda é clara a perseguição que sofremos”, disse.

O pastor Paulo César da Silva se defendeu dizendo que não é perseguição religiosa. “A data foi escolhida para realizar o evento ‘Maceió de joelhos’, por ser um dia após o aniversário da capital. O local é por ser de fácil acessibilidade”, explicou ele. O evangélico garante que o evento acontece há nove anos e que o objetivo é orar pelas famílias do Estado.

O representante da Igreja Católica, o padre Manoel Henrique, compareceu à audiência e ficou do lado dos movimentos de matriz africana. Para ele o pedido dos evangélicos de disputar o espaço com as homenagens à Iemanjá é “um retrocesso cultural”.

“O caminho da igreja não é esse da intolerância. Maceió deve acolher os irmãos afro, que realizam essa manifestação no local antes dos evangélicos. Devemos deixar o mar para Iemanjá”, defendeu o padre.

A reunião não chegou a um acordo e nesta quarta-feira (2) a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) decidiu que quem irá ocupar a orla será as religiões de matriz africana. Já os evangélicos tentarão transferir o evento deles para a Praça Multieventos.

 

Extraído do site religioso Gospel Prime
https://noticias.gospelprime.com.br/orla-disputada-evangelicos-umbandistas/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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