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Oscar Dourado lança seu olhar sobre os alakás

Eduarda Uzêda | Ter, 28/07/2015 às 07:25

 

 

 

Divulgação As fotografias de Oscar Dourado possibilitam várias leituras
Divulgação
As fotografias de Oscar Dourado possibilitam várias leituras

Alaká ou pano da costa, peça de deferência da indumentária feminina do candomblé, é o tema da  exposição Tramas, de Oscar  Dourado, que além de  fotógrafo e músico (flautista,  professor  e doutor em  Artes Musicais) é também escritor.

A mostra, que tem abertura nesta quinta-feira, 30, às 19 horas, reúne 29 trabalhos fotográficos feitos a partir das peças  confeccionadas pelas artesãs do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, de Mãe Stela de Oxóssi.

Dourado, que tem como “dono” de sua cabeça o orixá Ogum e há 11 anos é iniciado no culto afro (ele é Ogã de Oxalufã, do Ilê Axé Opô Afonjá), esclarece que o alaká é  traje de distinção nas casas de santo de culto afro.

Teares manuais

“Nem todo iniciado tem direito de usá-lo”, frisa, acrescentando que a peça tradicionalmente é feita de algodão, em teares manuais. A informação é confirmada pelo pesquisador Samuel Abrantes, no livro Sobre os  Signos de Omolu: “É por meio dele que a mulher demonstra sua posição hierárquica na organização socio-religiosa dos terreiros”.

Mas  na exposição  fotográfica “os panos são tratados plasticamente buscando-se alguma expressão estética”, afirma o fotógrafo, que diz  que cada orixá tem sua paleta de cores, que são  também representados nos alakás.

Amálgama

“Oscar  busca nas cores destes tecidos, provenientes de uma correspondência com os orixás, e das dobras, que ele nomeia como ‘ventos e ondas entre as tramas’, para criar esta exposição, amálgama que através da duplicação, ou melhor, a multiplicação do encontro destes dois caminhos cria uma significação estética….”, afirma Claudius Portugal sobre as fotografias.

Oscar Dourado, casado  desde 1982 com Inês Dourado, pai de Maria e Clara, diz que  sua iniciação  no candomblé mudou sua perspectiva de ver o mundo e que preferiu levar sua arte para além do terreiro porque queria  ter as fotografias  para além dos espaços de iniciados.

E acerta, pois se os iniciados no candomblé, de maneira sutil, vão identificar os orixás, os não iniciados vão se ater ao colorido e harmonia das formas.  O título   Tramas, neste contexto,  tanto faz referências aos “enredos”, tão comuns nas histórias de orixás,  quanto aos fios horizontais e transversais que se entrelaçam.

Curiosidades

As filhas de santo não dançam  sem esta peça, indumentária básica, assim como o torso,  saia, bata e camisu. A maneira de amarrar o  alaká  varia de acordo com o ritual  ou a posição hierárquica.

 

Programe-se!

O que: Tramas, de  Oscar Dourado
Quando: 31/07 a  03/10, 9h as 18h30 (seg a sex) e 9h às13h (sáb)
Onde: Galeria do Goethe Institut /ICBA / Av. Sete de Setembro, 1809, Vitória
Quanto: Entrada franca

 

 

Extraído do jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/exposicao/noticias/1700200-oscar-dourado-lanca-seu-olhar-sobre-os-alakas

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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