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Padre defende lavagem das escadarias da Igreja por religiões afro após a polêmica

Durante toda a lavagem da escadaria foram entoados cantos e hinos religiosos com toques de tambores

Alexandra Lopes

Domingo, 25 de Junho de 2017, 11h:40 | Atualizado: 25/06/2017, 19h:07

 

 

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 Padre Marco Antônio defende ecumenismo, mas não obriga os fiéis a apoiar o ritual

O pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, padre Marco Antônio, saiu em defesa do ritual de lavagem, realizado por representantes de religiões afro-brasileiras neste sábado (24), nas escadarias da Igreja.

O ato  aconteceu  antes da tradicional Festa de São Benedito, que deve ocorrer entre os dias 28 de Junho a 2 de Julho. Ocorre que a atividade provocou incômodo por parte de alguns católicos mais conservadores.

Por meio de nota, que foi aprovada pelo Arcebispo de Cuiabá, Dom Milton Santos, o pároco reforça que o ritual simboliza a paz. “O ato simbólico é pela paz. Nesses tempos de poucos amigos, onde as pessoas fecham as portas aos outros, fecham ainda mais para aqueles que não pensam como nós,  diz trecho.

O pároco que está há pouco mais de um ano em Cuiabá, ainda ressalta que ninguém foi obrigado a fazer-se presente no ritual. “É um ato livre e gratuito, uma manifestação de solidariedade e busca da paz”, reforça.

 Além disso, o padre Marco Antônio pontuou  que no Setor V, da Arquidiocese de Cuiabá, é realizado a missa da consciência negra, todos os anos.  “Participam da missa católicos, evangélicos e também pessoas de outras denominações religiosas, inclusive, de religiões tradicionais africanas”, enfatiza.

A lavagem das escadaria aconteceu ontem e segundo os organizadores, passará a ser realizada todos os anos.  Assim como o chá com bolo, faz parte de uma série de iniciativas para promover a Festa de São Benedito como evento cultural. 

Tiago Terciotty/TVCA
Ritual feito por religiões de matriz africana foi sábado e antecede Festa de São Benedito

A Rainha da Festa de São Benedito 2017, Enir Gonçalves Silva, considera  importante a realização do ato que imita a tradicional lavagem da escadarias da Igreja do Senhor do  Bonfim, em Salvador, na Bahia. Como católica,  participa e vê que o ritual representa entre outras coisas, a  humildade.  “Nós temos que respeitar a religião de cada, o ir e vir da cada um. São coisas que nós não podemos ir contra. Eu como rainha de São Benedito, jamais poderia deixar de participar ou impor a presença de outros”, disse ao .  

Religiões Afro

Segundo as religiões de matriz africana, o ritual que utiliza alfazema, flores e águas simboliza pedido de paz, alegria e fraternidade e garante a benção dos orixás. Durante toda lavagem, foram entoados cantos e hinos religiosos com toques de tambores e os participantes vestidos de branco.

A lavagem foi iniciativa da Associação Umbandista de Mato Grosso, da Federação Nacional de Umbanda em Mato Grosso (Assumat), dos Cultos Afro-brasileiros e Federação de Umbanda e Candomblé de Mato Grosso.

A presidente da Assumat, Nilce Santana, explica o significado do ritual. “Lavar a escadaria para gente é muito significativo. A gente está lavando as nossas tristezas, dando lugar a alegrias”, afirmou.

Retomada

Enquanto participantes dizem que a lavagem é inédita, a Prefeitura de Cuiabá afirma que, na verdade, o evento de ontem representa a retomada do ritual que acontecia antigamente. O vice-prefeito Niuan Ribeiro (PTB) e o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Francisco Vuolo (PP), estiveram presentes no ato que contou com a benção do senhor Antônio Mulato, o mais antigo quilombola de Mato Grosso, com 112 anos. (Com informações do G1). 

 

Extraído do site de notícias RD News / Cuiabá – MT
http://www.rdnews.com.br/cidades/padre-defende-lavagem-das-escadarias-da-igreja-por-religioes-afro-apos-a-polemica/86513

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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