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Paes pede desculpas, em nome do Rio, a vítima de intolerância religiosa

Kailane Campos, de 11 anos, levou pedrada na cabeça no domingo (14).
Prefeito recebeu criança e mãe na sede da prefeitura, na Cidade Nova.

Káthia Mello | Do G1 Rio | 18/06/2015 14h57 – Atualizado em 18/06/2015 20h05

 

 

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A menina Kailane Campos, 11 anos, que foi agredida no domingo (14) no Subúrbio do Rio por intolerância religiosa foi recebida nesta quinta-feira (18) pelo prefeito Eduardo Paes, na sede da prefeitura, na Cidade Nova. O convite foi feito pelo prefeito para se solidarizar com a menina e a família dela pelos ataques. Ele pediu desculpas, em “nome dos cariocas”, à menina e à mãe pelo ocorrido e defendeu a tolerância para todas as religões.

“Se tem uma marca da nossa cidade, eu acho que é a marca da diversidade, do aceitar o diferente, do aceitar a escolha de fé, religiosa do próximo, de cada um. É inaceitável que uma criança de 11 anos, mas mesmo que não fosse uma criança, é inaceitável que qualquer pessoa seja agredida pela escolha da sua religião, da sua fé”, acrescentou.

Prefeito Eduardo Paes recebeu vítima de intolerância religiosa (Foto: Káthia Mello/ G1)
Prefeito Eduardo Paes recebeu vítima de
intolerância religiosa (Foto: Káthia Mello/ G1)

O prefeito disse também que conversou com diversas lideranças religiosas do Rio e eles condenaram o acontecido.

 

Depois da pedrada na cabeça no domingo, ela e a avó Katia Marinho, conhecida como mãe Kátia de Lufan, foram agredidas mais uma vez.

 

Segundo relato de Kátia, nesta terça-feira (17), um homem xingou as duas que estavam no Instituto de Criminalística para realização de exame de corpo de delito.

 

Religião nas escolas
O prefeito Eduardo Paes também falou sobre  o ensino religioso nas escolas públicas. Ao ser perguntado se isso acirraria algum tipo de intolerância religiosa, ele negou.

“Ao contrário, se tiver uma religião de matriz afrodescendente você tem o ensino dessa religião. Ela é facultativa e o pai e a mãe é que indica. Se você for cristão você tem uma aula ligada a valores cristãos. Não é uma coisa obrigatória e você nem é obrigada a aprender uma região que não é a sua”, disse.

Para Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à intolerância Religiosa, que acompanhou a família na visita à prefeitura, o ensino religioso confessional como é dado desde 2012 no município atinge as crianças ligadas ao candomblé.

“Até quando a gente acha que um candomblecista  vai dar aula, é raro. Ele não tem formação da prática. O ensino religioso como é dado em alguns lugares tem dado algum prejuízo para nós. Nós defendemos o diálogo com todos, o estado laico e até o direito de não ter religião porque Deus deu livre arbítrio as pessoas”.

Ivanir disse ainda que nesta sexta ele é a família da menina apedrejada  terão um encontro (café da manhã) com o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, e com o Chefe da Polícia, Fernando Veloso.

Cardeal comenta
O arcebispo do Rio, cardeal Dom Orani João Tempesta, comentou nesta quinta-feira (18) os dois episódios recentes de intolerância religiosa na cidade. Em quatro dias, uma menina de 11 anos levou uma pedrada no rosto quando saía de um ritual de candomblé e um “mago” acusou evangélicos de terem atingido o local onde trabalha. A declaração do arcebispo foi feita durante a apresentação oficial da “Laudato Si, sobre o cuidado da nossa casa comum”, título da encíclica do Papa Francisco sobre a ecologia.

“[Vejo a intolerância] com muita preocupação. Estamos assistindo a uma mudança de paradigma, a uma mudança de maneira de pensar religiosa no nosso país. Estamos vendo um certo tipo de fanatismo levar a violência. Na verdadeira fé, não vive a violência e se respeita a fé alheia. É um fato lastimável. Todos nós queremos nos solidarizar com quem sofre intolerância. Como acontece com outros pode acontecer com eles [os autores da violência] também”, disse o cardeal.

Registro policial
Os responsáveis pelas pedradas na menina foram dois homens, que estavam em um ponto de ônibus na região. Além de atirarem pedras contra o grupo de religiosos, os homens fizeram vários insultos e fugiram embarcando em um ônibus. O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20, da Lei 7716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional) na 38º DP (Irajá).

De acordo com a unidade policial, parentes prestaram depoimento. A menor de 11 anos foi ouvida e encaminhada a exame de corpo de delito. Os agentes realizam diligências para localizar imagens e testemunhas que possam auxiliar na identificação da autoria do crime.
A avó da criança lançou uma campanha na internet e tirou fotos segurando um cartaz com as frases: “Eu visto branco, branco da paz. Sou do candomblé, e você?”.

A campanha recebeu o apoio de amigos e pessoas que defendem a liberdade religiosa. Uma delas escreveu: “Mãe Kátia, estamos juntos nessa”. A família da menina está organizando um ato de protesto para domingo na Vila da Penha, bairro onde ocorreu o ataque.

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Rio de Janeiro – RJ
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/prefeito-eduardo-paes-recebe-crianca-vitima-de-intolerancia-religiosa-no-rio.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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