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Pai de santo que virou evangélico é suspeito de abusar de irmãs no ES

Ele foi preso nesta quarta-feira, na Serra, mas negou ter praticado o crime.
Segundo delegado, ele passava um pó nas partes íntimas nas meninas.

Juliana BorgesDo G1 ES

16/03/2016 17h49 – Atualizado em 16/03/2016 17h49

 

Suspeito cometeu o crime quando era pai de santo, segundo o delegado (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Suspeito cometeu o crime quando era pai de santo, segundo o delegado (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

 

Um homem de 39 anos foi preso na manhã desta quarta-feira (16) por abusar sexualmente de duas irmãs, de 9 e 14 anos, enquanto era pai de santo em um terreiro de candomblé em Maruípe, bairro de Vitória.

Conhecido como Baiano, Elizando Cláudio do Carmo foi detido em casa, em Jacaraípe, na Serra, mas negou o crime. Ele disse que abandonou o candomblé para frequentar uma igreja evangélica.

O delegado Lorenzo Pasolini, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), relatou que o suspeito conheceu a mãe das meninas quando fez um serviço de obras na casa dela. Ele apresentou o terreiro que frequentava para a mulher e as filhas dela.

O caso aconteceu no segundo semestre de 2015, e chegou até o conhecimento da polícia em dezembro. “Ele era o ‘padrinho’ das meninas no candomblé, então era alguém que elas confiavam. Ele dizia que era um líder religioso”, contou o delegado.

As irmãs contaram à polícia que o pai de santo passava o chamado “Pó de Oxossi” no corpo delas, principalmente nas partes íntimas, pois seriam as partes mais desejadas pelos homens e que deveriam ser protegidas.

“Ele chegava a introduzir o dedo nas meninas, alegando que queria passar o pó no útero delas, para que o órgão deixasse de ser desejado pelos homens. Ele chegou a tentar consumar o ato sexual com a mais nova, mas não conseguiu”, falou Pasolini.

 

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Os abusos ocorriam na casa do suspeito, onde também aconteciam rituais religiosos de candomblé. Segundo o delegado, depois de algumas semanas sofrendo abusos, as irmãs conversaram sobre o que estava acontecendo e resolveram contar à mãe.

O caso ficou conhecido entre os frequentadores do terreiro, que afirmaram já ter visto o pai de santo em situações suspeitas com as irmãs. A mãe denunciou o caso à polícia, mas Elizando já havia abandonado o local.

Ele vai ficar preso por estupro de vulnerável, inicialmente, por 30 dias, mas o delegado vai pedir a prisão temporária dele para que aguarde o julgamento na cadeia. Segundo o delegado, as meninas estão passando por um acompanhamento psicológico.

Prisão
A polícia chegou até a casa de Elizando, em Jacaraípe, depois de alguns meses de investigação. Ele foi preso às 5h50, quando saía de casa para trabalhar. O suspeito vive em união estável há dois anos com uma adolescente de 17 anos, com quem tem um filho recém-nascido.

Em depoimento ao delegado, Elizando confirmou que usava o pó nas meninas, mas que era um ato “sem maldades e para a proteção das meninas”, negando ter abusado sexualmente delas.

À reportagem, ele disse que tudo não passou de invençaõ das meninas e que nunca passou o “Pó de Oxossi” nelas. “Isso não procede em nada, é tudo mentira. Nunca ouvi falar desse pó na minha vida, nunca fui pai de santo. Creio que a Justiça será feita, por isso não temo nada”, declarou.

Elizando é de Salvador e mora em Vitória há quatro anos. Na época dos abusos, ele morava no bairro Gurigica. Depois de se mudar para Jacaraípe, passou a frequentar uma igreja evangélica no bairro. A identidade dele, inclusive, foi localizada dentro de uma Bíblia.

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Extraído do portal de notícias G1 / Espírito Santo
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/03/pai-de-santo-que-virou-evangelico-e-suspeito-de-abusar-de-irmas-no-es.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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