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País deve ter plano para intolerância religiosa, diz babalaô

 

Isabela Vieira, da AGÊNCIA BRASIL

Beth Santos/ Prefeitura do Rio de Janeiro Eduardo Paes pede desculpas a criança vítima de intolerância religiosa no Rio
Beth Santos/ Prefeitura do Rio de Janeiro
Eduardo Paes pede desculpas a criança vítima de intolerância religiosa no Rio

Rio de Janeiro – Atos de intolerância religiosa contra adeptos da umbanda e do candomblé não são casos pontuais, de acordo com o babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR).

Por isso, ele cobrou hoje (26) do ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas, a elaboração de um plano nacional para enfrentar o problema.

Em audiência pública no Rio de Janeiro, na seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), para prestar solidariedade à menina Kayllane Campos, de 11 anos – atacada com uma pedrada na cabeça há poucos dias, quando vestia indumentária do candomblé –, o babalaô (babalawo em yorubá) disse que casos de intolerância são frequentes contra crianças – em escolas, principalmente – e templos religiosos.

“É necessária, portanto, uma ação articulada de Estado para identificar e responsabilizar os culpados. O plano é fundamental. Um plano que abra uma discussão nacional e que se chame eles [setores conservadores e fundamentalistas] para o debate”, disse Ivanir.

“Nosso papel”, acrescentou, “é continuar construindo a possibilidade visionária de uma sociedade que se respeita”.

Ele defende que constem do plano delegacias especializadas e ações para garantir a Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da cultura e da história afro-brasileira nas escolas, além da promoção de uma cultura de tolerância e respeito às diferenças na sociedade.

O ministro Pepe Vargas concordou com a necessidade de uma estratégia de combate à intolerância religiosa, e prometeu conversar com a ministra Nilma Lino, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

“Estamos dispostos a construir um processo dessa natureza. O caso da Kayllane não é um fato isolado”, destacou. Segundo o ministro, para que o plano dê certo, é necessário envolver também os governos estaduais e municipais, bem como o Judiciário.

Segundo Ivanir, muitas crianças do candomblé e da umbanda são proibidas de usar guias (colares religiosos) em sala de aula; são xingadas e humilhadas.

Outras, citou, não têm liberdade para praticar a fé, por intervenção do próprio Estado.

“Há conselheiros tutelares evangélicos, por exemplo, que se utilizam da função para tirar crianças do roncó (cerimônia de iniciação em que a criança fica reclusa)”, criticou.

Na audiência, a CCIR informou que lançará, dia 18 de agosto, um dossiê com casos de intolerância religiosa em todo país, listando episódios que culminaram, inclusive, em mortes.

A direção do órgão avalia até mesmo a possibilidade de denunciar o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que analisa violações de direitos nos países.

 

Extraído do site da Revista Exame
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/pais-deve-ter-plano-para-intolerancia-religiosa-diz-babalao

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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