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‘Paradona’ e problemas com alegorias marcam desfile da Mocidade Alegre

Redação SP | 07/02/2016 04h00

 

A atual vice-campeã do Grupo Especial de São Paulo, Mocidade Alegre, foi a quarta agremiação a desfilar no sambódromo do Anhembi na segunda noite de desfiles.

Com uma performance invejável, seis títulos e quatro vice-campeonatos nos últimos 12 anos, a “Morada do Samba” apostou novamente num tema afro para brigar pela sua décima primeira estrela, tema bastante identificado e já bastante explorado pela própria escola.

Presidida por Solange Cruz Bichara Rezende, a vermelha, verde e branca cantou o enredo “Ayo: a alma ancestral do samba”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França, que canta o centenário do samba com um viés muito peculiar.

Buscando raízes profundas do ritmo mais popular do Brasil na África, Ayo, força ancestral libertada de um tambor por Xangô, é o início da história que passeou por cinco Orixás que foram representados nos cinco setores do conjuto: Xangô, Oyá, Oxumaré, Omolú e Ogum.

Tendo os Orixás como fio condutor, os elementos visuais foram contando a jornada do samba desde sua chegada em terras brasileiras. O perfil e o traço da personalidade de cada um destes Orixás foram relacionados com os diferentes estágios que o estilo musical percorreu ao longo de seu centenário.

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Na abertura do desfile, a comissão de frente, liderada pelo ex-rei Momo Robério Theodoro e Thiago Felipe, imbuída em manter a nota máxima obtida em 2015, contou com figurações relacionadas às religiões de matrizes africanas em sua coreografia.

Ainda no primeiro setor, destaque para o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emerson e Karina, absolutamente entrosados, com um belíssimo figurino inspirado em tons que remeteram à Africa, foram brilhantes na condução do pavilhão do bairro do Limão.

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O abre-alas abordou a África ancestral, quando Xangô deparou-se com um pequeno tambor e libertou Ayo, simbolizando o surgimento do som, do ritmo e do poder de dançar.

Acoplado, o carro de grandes dimensões teve problemas mecânicos e provocou alguma dificuldade para ser conduzido, contribuindo para um grande espaçamento entre ele e a ala coreografada que veio à sua frente.

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Neste setor, destaque para o belo jogo cromático misturando palha, vermelho, amarelo, laranja e o dourado, pintando um tapete africano na cabeceira do conjunto.

Na sequência, Ayo se espalha pelo mundo, conquistando novos horizontes, até encontrar Oxumaré, que leva a energia do samba para diferentes regiões do Brasil: Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro. Antes dos setores finais, a primeira obra do gênero, “Pelo Telefone”, foi retirada do setor quatro.

No encerramento, a contextualização de que, através de Ogum, a demanda para que o samba não deixe jamais de se renovar, reinventando-se cada vez com mais força. O nascimento das primeiras escolas de samba, o Carnaval e a Mocidade Alegre formaram o cenário de fechamento da exibição.

Igor Sorriso, que neste ano dividiu a agenda com a carioca Unidos de Vila Isabel, cantou com técnica e vigor o samba de Gui Cruz, Luciano Rosa, Portuga, Rafael Falanga, Rodrigo Minuetto e Vitor Gabriel.

Técnica posta à prova já que a bateria de mestre Sombra, que completou seu vigésimo segundo Carnaval à frente da “Ritmo Puro”, esbanjou ousadia ao realizar por repetidas vezes uma grande “paradona”.

Acompanhados pela sempre marcante presença da rainha Aline Oliveira, que deu um show à parte com sua performance, os ritmistas da Mocidade foram precisos ao atender a demanda do mestre. Mas, assim como o samba, a manobra não conseguiu contagiar completamente o público espalhado pelas arquibancadas.

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Evolução, sem dúvida, mereceu de toda a direção de harmonia da escola atenção redobrada, uma vez que no último concurso, foi justamente em evolução que recebeu sua nota mais baixa, um 9,7. No total, três décimos foram perdidos no quesito.

Neste aspecto as alas apresentaram-se compactas mas revelaram oscilação de andamento, acelerando o passo a partir dos 40 minutos de desfile sem comprometer o canto, que mesmo não tendo tanta intensidade, foi constante ao longo da pista.

Problema justificado porque além do primeiro carro, a quarta alegoria sofreu um incidente na entrada da Avenida e teve de ser trazida com bastante dificuldade para chegar à dispersão. Ainda com estas ocorrências, a Mocidade conseguiu finalizar sua exibição dentro do tempo estabelecido pelo regulamento.

Veja galeria de fotos do desfile

Rádio SRZD transmite ao vivo a apuração dos Grupos Especial e de Acesso

Mais uma vez você vai acompanhar em tempo real todas as emoções da apuração das notas que vão definir o resultado do Carnaval de São Paulo em 2016. Fique ligado e participe de mais essa transmissão ao vivo.

Prêmio SRZD-Carnaval/SP 2016

Na noite desta segunda-feira, dia 8, na página principal do SRZD-Carnaval/SP, será divulgado o resultado oficial desta edição do prêmio. A votação estará disponível após o encerramento do desfile da última escola do Grupo Especial. Vote e participe!

 

 

Extraído do blog do Jornalista Sidney Rezende
http://www.sidneyrezende.com/noticia/259725+paradona+e+problemas+com+alegorias+marcam+desfile+da+mocidade+alegre

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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