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Pastora participa de reunião contra intolerância em terreiro

Jair Mendonça Jr. | Qua, 10/12/2014 às 21:50

 

 

Ascom l Sepromi Ao final do encontro, os participantes proferiram orações, ecumenicamente
Ascom l Sepromi
Ao final do encontro, os participantes proferiram orações, ecumenicamente

Representantes de igrejas cristãs e do governo estadual reuniram-se na tarde desta quarta-feira, 10, com membros de religiões de matriz africana em ato de solidariedade pelos recentes casos de intolerância religiosa.

O encontro, realizado no terreiro Ilê Axé Obá Babá Xeré, em Cajazeira XI,  contou com a participação da iyalorixá mãe Branca, do secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Raimundo Nascimento, e da pastora Sônia Mota, representando a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) e o Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (Cebic).

“As crianças não podem dizer que são do candomblé por que são discriminadas”, constatou mãe Branca durante a conversa. Para ela, a união entre as religiões é um importante passo contra a intolerância religiosa.

“Saio daqui muito emocionada. É um acontecimento histórico para os povos de terreiro. Nunca imaginei que um dia receberia pastores em minha casa. Tenha certeza de que essa luta não será em vão”.

Vestida com uma camisa branca e com dizeres “eu respeito as diversidades”, Sônia Mota lembrou com repúdio do ato de intolerância religiosa contra a Pedra de Xangô, localizada em Cajazeira X, no dia 12 de novembro.

Indignação

“Nós, enquanto organização de entidades religiosas, não compactuamos com atos de desrespeito à diversidade religiosa. A Cese luta há 40 anos pelo reconhecimento dos terreiros. Essa depredação da Pedra de Xangô causou muita indignação entre nós. Nossa presença hoje (quarta-feira) é justamente para provar isso”.

A Pedra de Xangô, que é considerada um monumento sagrado para adeptos de religiões de matriz africana, foi alvo de depósito de aproximadamente 200 kg de sal, pichação e quebra de oferendas no seu entorno.

Segundo Raimundo Nascimento, após o ato, a Sepromi articulou uma série de reuniões entre poderes públicos municipal e estadual e lideranças do candomblé e a comunidade local, para planejar ações de proteção ao espaço e enfrentamento contra a intolerância religiosa.

“Este encontro é resultado do trabalho deste grupo. Entre as medidas acertadas, destacam-se o tombamento e registro especial da Pedra, limpeza, rondas policiais, iluminação e criação de um parque de proteção ambiental”, afirma o chefe da pasta.

Ao final, todos deram as mãos e proferiram rezas em iorubá. Mãe Branca fez questão de rezar o Pai-Nosso, sob o comando da pastora.

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1645652-pastora-participa-de-reuniao-contra-intolerancia-em-terreiro

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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