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Patrimônio material e imaterial é foco de Caravana da Cultura na Bahia

A quinta edição da Caravana da Cultura, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) que busca estreitar laços e ouvir demandas de artistas e gestores culturais, teve início nesta terça-feira (12) com uma série de atividades na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano.

13 de maio de 2015 – 11h57

Janine Moraes O ministro participou de uma rodad e conversa com os produtores culturais locais
Janine Moraes
O ministro participou de uma rodad e conversa com os produtores culturais locais

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, a presidenta do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Jurema Machado, e os secretários do Audiovisual, Pola Ribeiro, e da Cidadania e da Diversidade Cultural, Ivana Bentes, participaram de reunião com autoridades, visitaram um terreiro de candomblé e conheceram ações do Iphan no município, entre outras atividades.

“Nesta visita, estamos vendo as demandas que a população tem em relação ao patrimônio histórico. Também vamos conversar com a comunidade para aproximar o ministério de onde a cultura floresce”, destacou Juca Ferreira. “O Recôncavo é uma das regiões mais densas culturalmente do Brasil. E Cachoeira é uma cidade muito viva, que está sempre se renovando e tem um patrimônio histórico invejável. Tenho muito afeto pela cidade”.

O secretário de Cultura da Bahia, Jorge Portugal, destacou que a visita ao Recôncavo Baiano é um gesto “emblemático” do Ministério da Cultura. “Cachoeira e Santo Amaro são as duas cidades mais importantes do Brasil Colônia, locais onde o país começou e se sedimentou culturalmente”, afirmou. “A Secretaria de Cultura está irmanada nesta caravana como se estivesse recebendo o abraço de um irmão que convida para a realização de uma política cultural competente para o nosso país”.

Uma das atividades deste primeiro dia foi a visita ao Candomblé Roça de Ventura. O santuário religioso, que faz parte da nação Jeje Mahi, originária nos cultos às divindades chamadas vodum, é um dos mais antigos terreiros de candomblé da Bahia, tendo sido tombado em 2014 pelo Iphan como patrimônio cultural do Brasil. O terreiro tem fundamental importância na formação da rede de terreiros do Recôncavo Baiano e, sobretudo, para a formação histórica do candomblé como uma instituição religiosa.

“Uma das coisas de que mais gosto em Cachoeira é esta densidade espiritual. A sociedade brasileira deve muito a essa contribuição africana para a formação da nossa identidade, espiritualidade e alegria de viver”, afirmou Juca Ferreira. “Reconhecer o valor deste terreiro como patrimônio é fundamental”, acrescentou o ministro, que também criticou a intolerância religiosa da qual são vítimas terreiros de religiões de matriz africana. “Devemos continuar plurais e respeitosos”, afirmou.

Durante a visita ao candomblé, Jorge Portugal informou que a Secretaria de Cultura da Bahia irá incluir o terreiro e outras casas de matriz africana no Programa de Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais, possibilitando o repasse a essas instituições de recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia. “É a garantia de funcionamento de fundações e instituições importantes para a nossa cultura”.

O responsável pelo terreiro, Edvaldo de Jesus Conceição, mais conhecido como Buda de Bobosa, destacou a importância do tombamento pelo Iphan. “A preservação desta área é muito importante para evitar devastações na nossa área e para podermos fazer nossos cultos aos orixás”, afirmou.

Na sequência, a comitiva do MinC esteve no Casarão, imóvel histórico construído no século 18 e tombado em 1943. A presidente do Iphan, Jurema Machado, assinou termo de cessão do prédio para a Administração Municipal. No local, serão instalados vários equipamentos do Sistema Municipal de Cultura, como a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o Conselho Municipal de Política Cultural, o Centro do Samba de Roda de Cachoeira e o Memorial de Imagem e Som de Cachoeira, entre outros.

“Cachoeira é um dos exemplos mais interessantes na história do Iphan dessa associação entre patrimônio e dinamização da vida urbana”, afirmou Jurema Machado. “É preciso dar uso a esse patrimônio, fazer com que ele faça sentido no cotidiano da cidade. Ver esta casa usada, com intenso interesse da comunidade, é muito importante para a preservação do patrimônio”.

A comitiva do MinC visitou ainda o Quarteirão Colombo, onde será implantada uma nova unidade do campus da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, e o Cine Teatro Cachoeira. Ao lado, havia uma manifestação organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Cachoeira reivindicando mais educação.

O dia terminou com jantar com o secretário Jorge Portugal, o cantor Carlinhos Brown, o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, e o Vovô do Ilê Ayê, fundador do bloco Ilê Ayê. A Caravana da Cultura discutiu a criação de um circuito afro no carnaval da Bahia.

Fonte: MinC
Extraído do portal Vermelho.org
http://www.vermelho.org.br/noticia/263867-11

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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