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Pedra de Xangô, em Cajazeiras X, será tombada pelo município até julho

A pedra é considerada um monumento sagrado e é um símbolo da luta dos escravos

Vanessa Aragão (vanessa.aragao@redebahia.com.br)

15/02/2016 12:59:00

 

Os atabaques soaram por volta das 9h, ontem, em Cajazeiras X. Os cânticos começaram e uma roda de dança com mães e pais de santo e adeptos do candomblé foi formada, saudando Exu. Era o início da VII Caminhada da Pedra de Xangô, que saiu do começo da Avenida Assis Valente e foi até a Pedra de Xangô, a quase 2 quilômetros.

(Foto: Marina Silva/ CORREIO)
(Foto: Marina Silva/ CORREIO)

A pedra é considerada um monumento sagrado pelos religiosos de matriz africana. É também símbolo da luta dos escravos por estar em uma área que já foi um quilombo.O evento acontece há sete anos, sempre no segundo domingo de fevereiro. “É a quarta vez que venho. Sou do axé e é importante estar aqui, porque fortifica o movimento, e nós temos que nos unir em prol da nossa religião”, afirma Mãe Gil, que mesmo com uma bengala para ajudar na locomoção, fez questão de fazer todo o trajeto.

(Foto: Marina Silva/ CORREIO)
(Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Ao chegar em frente à pedra, o cortejo encontrou-se  com rodas de  capoeira e um Xirê — dança de saudação e celebração a Xangô. Muitas pessoas aproveitaram para colocar suas mãos e cabeças na pedra, ao passo que os ogãs tocavam, numa manifestação conjunta de danças, saudações, incorporação de orixás, agradecimentos e pedidos.  A pedagoga Tâmara Silva levou o afilhado de 6 anos. “Vim ano passado pela primeira vez e o que me motivou a voltar é esse movimento em relação à pedra, que, para a gente, do axé, é um símbolo de paz e proteção. Trouxe meu afilhado porque é essencial saber, desde a infância, as raízes de onde ele veio”, contou.

Por fim, uma oferenda foi colocada em cima da pedra e pombas brancas foram soltas.

Tombamento
Presente ao evento, o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, anunciou que o local será tombado — uma demanda antiga dos organizadores do evento. “O próximo tombamento do município é a Pedra de Xangô. Até junho ou julho, ela estará tombada. Num cenário de intolerância religiosa, é importantíssimo marcar espaço. A ideia inclusive é ter um parque, para preservar também toda a área verde em torno do local”, adiantou. “É uma pedra sagrada, tem importância histórica,  numa região que está correndo um risco grande de especulação imobiliária”, explicou.

(Foto: Marina Silva/ CORREIO)
(Foto: Marina Silva/ CORREIO)

“É a preservação do nosso santuário. Toda essa caminhada, nesses sete anos, é pra buscar esse tombamento. Saber que começamos com 30 pessoas e hoje ter 500 ou 700 mostra como isso se fortaleceu. Pra mim é uma emoção imensurável”, comemorou Mãe Iara de Oxum, idealizadora da caminhada.

(Foto: Marina Silva/ CORREIO)
(Foto: Marina Silva/ CORREIO)

 

Extraído do site do Jornal Correio 24h / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/pedra-de-xango-em-cajazeiras-x-sera-tombada-pelo-municipio-ate-julho/?cHash=6f5f16b60c3afef66cfda7db2e57cfe4

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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