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Pela primeira vez o carnaval de Salvador enfrenta sexta-feira, 13

por Albenísio Fonseca Publicada em 13/02/2015 09:59:59 O Carnaval de Salvador atravessa, hoje, pela primeira vez, uma sexta-feira, 13. O fato ocorre desde que os dias de folia foram ampliados, em 1981, por decreto do então governador Antonio Carlos Magalhães suspendendo o expediente nas repartições públicas na sexta-feira anterior à festa. Ao contrário do que muitos temem, como sendo um dia de azar, a passagem do Carnaval pela data, todavia, não deve afetar à maioria dos trios elétricos, blocos e grandes camarotes instalados em Salvador. Isso porque, de acordo com o babalorixá André Nery, “a maioria promove trabalhos de limpeza e oferendas junto a diversos terreiros de candomblé de Salvador”. Boa parte dos blocos fazem a “limpeza” visando “garantir boa venda de abadás e assegurar o lucro e o sucesso no desfile”. Conforme Nery, os trabalhos requisitados pelos empresários de camarotes vêm sendo realizados há seis meses. “O propósito é facilitar o acesso e abrir os caminhos para garantir o patrocínio das grandes empresas” cujo marketing adota os dias da festa para promover marcas e produtos, revela Nery. Segundo ele, “no âmbito do Candomblé a sexta-feira é sempre um dia sagrado, por ser consagrado a Oxalá e o 13 de junho marca a data de nascimento de Ogum, por isso no sincretismo com santos do catolicismo, ele está vinculado a Santo Antonio, que também é comemorado naquela data”. O babalorixá ressalta, ainda, que “o 13 é sempre tido como um número de sorte nas bancas de jogo”. Nery aconselha os foliões a “levantar com o pé direito e oferecer milho branco a Oxalá pedindo paz durante o festejo. Quem desejar pode também tomar banho de milho branco”, sugere. Ele destacou, do mesmo modo, que “todos os terreiros de candomblé arriam milho branco às sextas-feiras, dia de vestir branco”, um legado dos escravos malês. A limpeza dos camarotes é feita usando folhas de descarrego, panos brancos, pretos, vermelhos e estampados, milho branco, pemba branca, galo claro – que são passados nas dependências. “O galo é solto depois em local distante para levar as coisas ruins e deixar um alto astral nos espaços” reservados para os foliões mais descolados. Conforme o babalorixá, “o milho branco é sempre muito usado nos trabalhos para o Carnaval”, pela religião afro-brasileira, “por ser fundamental para evocar oxalá e trazer a paz para a festa”. Ele explica, ainda, que “após a limpeza é preparado o ebó com farofa, grãos e bebidas como cervejas, champagnes, whisky e, geralmente, arriado na Avenida Paralela ou em outras áreas da cidade que disponham de muito verde ou bastante vegetação”. Os grãos utilizados para a limpeza - André Nery mencionou girassóis, arroz com casca, milhos branco e vermelho, alpiste e feijão – têm o poder de se multiplicar, com isso possibilitar boas vendas. Todo o trabalho feito pelos sacerdotes do candomblé é antecipado pelo jogo de búzios. De acordo com Nery, “são os búzios que revelarão o que tem nos locais, como mau olhado, maus espíritos, feitiços – e o que será necessário para remover esses obstáculos”. Daí, argumentou, “a necessidade de que sejam feitas grandes oferendas, tanto para os orixás quanto para os caboclos”. O babalorixá garantiu existir “empresários que oferecem até bois para agradar os orixás”. Ele revelou, ainda, ser necessária a oferenda a Exu – orixá mensageiro – “porque Exu é o dono da festa”.   Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia http://www.tribunadabahia.com.br/2015/02/13/pela-primeira-vez-carnaval-de-salvador-enfrenta-sexta-feira-13

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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