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Pequena África na Baixada: Terreiro de 130 anos é tombado pelo estado

26/09/16 19:48 Atualizado em26/09/16 19:56 201602231637543084 Clarissa Monteagudo   Na roda da saia da Mãe Regina Lúcia D’Yemonjá, 130 anos de resistência da cultura africana na Zona Portuária do Rio de Janeiro e, depois, na Baixada Fluminense. Primeiro terreiro de candomblé tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o Ilé Àsé Òpó Afònjá (casa cuja força é sustentada por Afònjá, uma qualidade de Xangô) está em festa em São João de Meriti.   E que festa! No tabuleiro de Mãe Regina, tem acarajé transbordando de recheio de camarão, panos da costa legítimos, música negra de raiz, um caldeirão cultural que agora começa a ser reconhecido pelo poder público. E quem fez essa ponte foi um religioso. Católico. Coordenador da Superintendência de Igualdade Racial de Meriti, Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá, recebeu uma carta de Mãe Regina pedindo o tombamento da casa, localizada em Coelho da Rocha. 20160910_161706 — Essa ação tem um peso histórico imenso. Acontece no momento em que a Unesco pode reconhecer o Cais do Valongo (onde aportavam os navios negreiros) como patrimônio da humanidade. A história dos negros escravizados no Brasil foi negada e apagada. O legado dessas mulheres religiosas é fruto da resistência — diz Frei Tatá. Diretor geral do Inepac, Manoel Vieira Gomes Júnior se emociona ao falar da história de Mãe Regina. — Foi o primeiro pedido de estudo de tombamento de um terreiro. Do ponto de vista técnico, é a retomada de um legado que Darcy Ribeiro e Joel Rufino dos Santos deixaram para a gente. Do ponto de vista metafísico, só posso entender que foi vontade de Xangô que se fizesse justiça. O tombamento foi na primeira quarta-feira de junho. Dia e mês de Xangô. Para quem comunga da fé, é de um simbolismo fundamental. Vítima de perseguições religiosas desde a criação, no Rio, a casa precisou mudar de endereço várias vezes para fugir da intolerância. E, hoje, representa um capítulo importante da história negra no estado. Num imóvel simples da Rua Florisbela, em Coelho da Rocha, Mãe Regina, quarta geração de descendentes da fundadora, a baiana Mãe Aninha de Xangô, preserva tradições cuja origem está na África. — O tombamento é uma confirmação da luta que deixamos para a próxima geração — diz, emocionada, Sara Jokotoye, de 53 anos. Mãe dos lindos Eduarda, de três anos, e Enrico, de três meses, Tauana dos Santos, de 26, exibe o orgulho de sua raiz afro nos cabelos trançados, adereços e roupas com estampas coloridas. — Eu os ensino a ter autoestima desde pequenos. É uma luta que vem dos nossos ancestrais. O tombamento é uma barreira vencida contra o preconceito. Somos perseguidos, mas aqui todo mundo pode entrar e comer acarajé. Será bem recebido. "Eu me sinto muito feliz com o tombamento. O terreiro será mais visitado, muitas pessoas estão procurando o axé depois dessa decisão. Nós fomos muito perseguidos no passado. Sofremos intolerância até hoje. Essa memória tem que ser preservada para as próximas gerações. Fizemos um evento para arrecadar fundos para as obras de restauração e manutenção. E mais pessoas estão se aproximando para somar forças" Mãe Regina,ialorixá à frente do Ilé Àsé Òpó Afònjá   Extraído do site do Jornal Extra / Rio de Janeiro – RJ http://extra.globo.com/noticias/rio/pequena-africa-na-baixada-terreiro-de-130-anos-tombado-pelo-estado-20183448.html Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/pequena-africa-na-baixada-terreiro-de-130-anos-tombado-pelo-estado-20183448.html#ixzz4LX6nqd1W

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Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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