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Pilão de Prata e os tambores nas ruas de Goiás

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ANTÔNIO ALMEIDA

Enviado em 24/10/2014 às 19h43

 

Formado por representantes de comunidades culturais negras, como, casas de umbanda, grupos de capoeira, cururu, congo e afoxé, o bloco afro Pilão de Prata festeja, ao som dos tambores, a resistência da cultura negra, cantando, dançando e arrastando moradores, visitantes e turistas nas ruas e becos da cidade de Goiás, da Avenida Beira Rio Vermelho até a Praça de Eventos, no Largo do Rosário.

O grupo costuma percorrer também com muita animação, alegria e empolgação as trilhas da antiga estrada colonial, cujo calçamento feito pelos escravos no século XVIII. Este bloco, segundo o seu coordenador, o historiador e professor Paulo Sérgio Gomes Ferreira é “um espaço de posicionamento social e de repensar sobre as heranças deixadas pelos nossos ancestrais negros”.

As apresentações do Pilão de Prata podem ser assistidas e acompanhadas todos os anos durante o carnaval da cidade de Goiás e também no Encontro de Tambores, que ocorre dentro da programação do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), que realizou neste ano a sua 16ª edição.

O Pilão de Prata é um dos organizadores do Encontro de Tambores, que teve neste ano a sua sexta edição. Esse evento desempenha um papel da maior relevância para a preservação das crenças e tradições da cultura africana. Além do cortejo pelas ruas históricas da cidade, originada do Arraial de Sant’Anna, fundado pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, em 1727, o Encontro de Tambores promove atividades, como palestras, debates e oficinas de percussão, amarração de Ojás e experimentação de dança afro com mestres da cultura negra.

As exibições do bloco Pilão de Prata e o Encontro de Tambores fortalecem a luta pela preservação e valorização das comunidades afro-descendentes, que têm uma importância fundamental na formação da sociedade goiana, por meio de suas manifestações culturais. Esse movimento, a propósito, tem defendido a volta do Encontro Afro-Goiano, cuja sexta e última edição ocorreu em novembro de 2009, na cidade de Formosa.

Com o apoio do Sebrae, esse acontecimento reuniu mais de três mil pessoas, entre estudantes, empresários e empreendedores afro-descendentes, artesãos, artistas, membros de associações e cooperativas. Houve a participação de caravanas de Aparecida de Goiânia, Barro Alto, Cidade de Goiás, Entorno do Distrito Federal, Goianésia, Goiânia, Senador Canedo e Trindade.

O trabalho do bloco Pilão de Prata mostra que está bem viva a cultura negra em Goiás. É muito importante que o poder público e a sociedade reconheçam e apoiem as iniciativas culturais realizadas por comunidades de matriz africana em nosso Estado. Devemos vencer definitivamente a barreira do preconceito e promover a desconstrução da visão retrógrada, representada pelo racismo e pela imagem degradada da população negra.

Cantando, dançando nas ruas da Cidade de Goiás os membros do bloco Pilão de Prata, lembram de seus antepassados e de sua relação com a terra. Sabem que eles foram capturados e trazidos para o Brasil, por meio de navios negreiros. Deixaram uma herança de luta e um patrimônio cultural valiosíssimo aos seus descendentes. Manifestando a sua cultura, os negros usam o mais poderoso instrumento contra o racismo e a discriminação.

(Antônio Almeida, vice-presidente da Fieg, presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Fieg, do Sigego/Abigraf, Editora Kelps, presidente de honra da Abraxp)

 

Extraído do site Diário da Manhã

http://www.dm.com.br/texto/195139-pilao-de-prata-e-os-tambores-nas-ruas-de-goias

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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