Breaking News

Plataforma traz informação sobre ofício das baianas de acarajé

Informações sobre a vida e o ofício das baianas de acarajé estarão disponíveis, a partir do mês de julho, em um banco de dados digitalizados, batizado de Plataforma Oyá Digital. A iniciativa pioneira é da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Bahia (Iphan-BA), em comemoração aos 10 anos do registro como Patrimônio Cultural do Brasil dessa prática tradicional ligada ao culto dos orixás.

9 de junho de 2015 – 9h48

 

 

Reprodução O ofício das baianas de acarajé, registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Iphan em 14 de junho de 2005, é a prática tradicional de produção e venda nos espaços públicos, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana
Reprodução
O ofício das baianas de acarajé, registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Iphan em 14 de junho de 2005, é a prática tradicional de produção e venda nos espaços públicos, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana

O Iphan investiu R$ 100 mil no desenvolvimento do projeto de organização e digitalização do acervo documental e na implantação da plataforma digital, que contém os dados cadastrais da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam), da Secretaria Municipal de Ordem Pública de Salvador (Semop) e da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab).

“A Plataforma Digital é um instrumento de valorização, difusão e divulgação, junto à sociedade, de um bem cultural plenamente incorporado à cultura brasileira”, destaca o superintendente do Iphan na Bahia, Carlos Amorim. No Brasil, há mais de cinco mil baianas de acarajé, sendo que a maioria se concentra no estado da Bahia e um expressivo número em Salvador.

Oyá Digital

O nome Plataforma Oyá Digital é uma homenagem ao orixá patrono do ofício de baiana de acarajé. A plataforma permitirá a localização das baianas em um mapa e disponibilizará ferramentas de pesquisa para obter dados sobre elas, utilizando diversas categorias e possibilitando o desenvolvimento de informações sobre o perfil socioeconômico das baianas de acarajé.

Para a antropóloga do Iphan e coordenadora do projeto, Maria Paula Adinolfi, com a realização desta ação, o Instituto cumpre uma das metas prioritárias em relação à salvaguarda do ofício das baianas de acarajé, que é a produção de conhecimento sobre o perfil das baianas em termos quantitativos e qualitativos.

A Plataforma Oyá Digital poderá subsidiar os pesquisadores na produção de pesquisas mais detalhadas e os gestores no planejamento e execução de políticas públicas que beneficiarão as baianas de acarajé. “Além disso, vai permitir que o público geral tenha acesso rápido e eficiente às informações e localize a baiana mais próxima de onde estiver, favorecendo, assim, a divulgação e o potencial de venda do acarajé pelas tradicionais baianas”, ressalta Maria Paula.

Patrimônio Imaterial

O ofício das baianas de acarajé, registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Iphan em 14 de junho de 2005, é a prática tradicional de produção e venda nos espaços públicos, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao culto dos orixás, amplamente disseminadas, principalmente, na cidade de Salvador.

Dentre as comidas de baiana destaca-se o acarajé, bolinho de feijão fradinho preparado de maneira artesanal, em que o feijão é moído em um pilão de pedra (pedra de acarajé), temperado e posteriormente frito no azeite de dendê fervente. Para sua comercialização, são utilizados vatapá, caruru e camarão seco, como recheio, e no tabuleiro também são encontrados outros quitutes, tais como abará, passarinha (baço bovino frito), mingaus, lelê, bolinho de estudante, cocadas, pé de moleque e outros.

A indumentária das baianas, característica dos ritos do candomblé, constitui também um forte elemento de identificação desse ofício, sendo composta por turbantes, panos e colares de conta, que simbolizam a intenção religiosa.

A receita do acarajé é originária do Golfo do Benim, na África Ocidental, tendo sido trazida para o Brasil pelos escravos vindos daquela região. Os bolinhos de feijão fradinho, destituídos do recheio utilizado para o comércio, são, inclusive, oferecidos nos cultos às divindades do candomblé, especialmente a Xangô e a Oyá (Iansã).

Os aspectos referentes ao ofício das baianas de acarajé e sua ritualização compreendem: o modo de fazer as comidas de baianas, com distinções referentes à oferta religiosa ou à venda informal em logradouros soteropolitanos; os elementos associados à venda, como a indumentária própria da baiana e a preparação do tabuleiro e dos locais onde se instalam; os significados atribuídos pelas baianas ao seu ofício e os sentidos conferidos pela sociedade local e nacional a esse elemento simbólico constituinte da identidade baiana.

A feitura das comidas de baiana constitui uma prática cultural de longa continuidade histórica, reiterada no cotidiano dos ritos do candomblé e constituinte de forte fator de identidade na cidade de Salvador.

 

Fonte: MinC

 

Extraído do portal de notícias Vermelho / São Paulo – SP
Portal Vermelho é uma página virtual mantida pela Associação Vermelho, entidade sem fins lucrativos.
http://www.vermelho.org.br/noticia/265313-11

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *