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Poda irregular de árvores gera conflito entre vizinhos no Jardim Baiano

Entre as árvores podadas há irokos, que são consideradas sagradas pelo candomblé

Priscila Natividade e Saulo Miguez (redacao@correio24horas.com.br)

03/05/2017 07:37:00Atualizado em 03/05/2017 10:35:15

 

Os moradores que residem nos arredores da Praça Olga Metting, no Jardim Baiano, estão em pé de guerra por conta da poda radical das árvores plantadas no local durante o último final de semana.  De um lado, um grupo defende a manutenção das plantas, inclusive, dos irokos – consideradas sagradas pelo candomblé. Do outro, há quem esteja fazendo isso por conta própria, como denuncia o professor universitário Ayrson Eraclito.

Entre as árvores podadas há irokos, que são consideradas sagradas pelo candomblé (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

“Tem uma moradora, de prenome Carmen, que se acha a dona da praça. Ela contrata pessoas para podar as árvores sem qualquer segurança ou consulta a quem mora e frequenta a praça, com a desculpa de que a poda das árvores tira a visão e luminosidade dos prédios e favorece a presença de moradores de rua, homossexuais e adeptos do candomblé. O que está sendo feito aqui sem qualquer autorização é um atentado à natureza, homofobia e intolerância religiosa”,diz o professor.

O professor contou ainda que já registrou uma queixa por telefone à  Secretaria de Manutenção da prefeitura (Seman). O próximo passo é formalizar uma denúncia junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Temos árvores como figueira brava, aroeira e espécies que são sagradas para o candomblé. Ela extirpou essas árvores dizendo que está cuidando da praça. Moro aqui há 12 anos, não tem como não ficar indignado”.

Por outro lado, moradores são favoráveis à atitude de Carmen, ainda que tenha sido sem alvará, como assegura a funcionária pública. Um deles, que preferiu não se identificar, conta que Carmen sempre cuidou da praça e costuma fazer reuniões periódicas com moradores.

“A gente teve essa atitude para resolver a situação. Eu apoio Carminha totalmente. As árvores não estão tendo manutenção e ficam cheias de cupins. Sou a favor da ecologia e reciclagem, mas a praça está um antro de marginais, que fumam crack, utilizam o lugar como motel e banheiro público. Foi uma poda muito forte, mas necessária. São vários assaltos nesta rua”.

Os moradores Joceval de Jesus, 43, e Ayrson Heráclito são contra a poda sem critério (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

O morador diz que plantou uma das árvores que foi cortada logo que chegou ao Jardim Baiano. “Moro aqui há mais de 15 anos e plantei três árvores nesta praça. É uma situação delicada, mas não podemos ficar entregues à insegurança”.

O fato é que, para podar qualquer árvore, é necessário um alvará emitido pela Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur). Segundo a tabela de multas disponível no site da pasta, qualquer poda ilegal é passível à aplicação de multa por vegetal que pode chegar a R$ 4.070,41. A Sedur informou que realizar esse tipo de serviço em árvore no espaço público só pode ser feito com a autorização da pasta após solicitação. A secretaria disse ainda que irá verificar a situação no Jardim Baiano.

A Seman informou que a praça é vistoriada e que as podas são realizadas com frequência. O órgão, no entanto, ainda não confirmou o recebimento da denúncia feita pelo professor  através do número 156. O CORREIO tentou ainda contato com Carmen, mas não teve retorno.

 

 

Extraído do site do Jornal Correio 24 hs / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/poda-irregular-de-arvores-gera-problemas-entre-vizinhos-no-jardim-baiano/?cHash=af09392a333b257f0827eb948b3ab252

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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